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  • D. C. Blackwell

A Hora Da Sua Morte

    


          Se você acha que ter os nudes no seu celular vazados na internet é ruim, é porque ainda não instalou Countdown. Ou “A Hora da Sua Morte”, em português. Esse app (literalmente) do Tinhoso arruinou a vida de muita gente ao longo de 90 minutos de filme e ainda deixou brecha pra continuação. Mas, cá entre nós, o longa poderia encerrar perfeitamente ao cair dos créditos, já que nos deixou com a pulga atrás da orelha sobre toda essa questão do Destino.

        Antes de mais nada, gostaria de ressaltar a perfeição com a qual todos os elementos apresentados no filme foram utilizados. Começar a trama com as vítimas iniciais, mantendo o vínculo com o primeiro incidente através do namorado da primeira garota foi incrível, além de mostrar como somos capazes de espalhar doenças virtuais mais rápido do que pestes do corpo. Todo o mundo e o cenário ao redor dos personagens centrais é bem construído, não deixando nenhuma ponta solta na trama, com exceção do padre caricato, que poderia nunca ter existido. Tirando isso, o desenvolvimento da trama com o médico estuprador e a maneira como a história dele e das outras mulheres no hospital nos mantém com os pés no chão e seguros da consistência do cenário e de seus participantes.

        Eu teria preferido um desenvolvimento maior do romance entre a Quinn e o Matt enquanto eles pesquisavam na internet ou em bibliotecas e faziam testes em vez da comédia forçada apresentada durante o período do segundo padre.

        A ideia de um app que atormenta as pessoas não é tão nova quanto parece. Além do clássico contemporâneo Black Mirror, temos também diversos jogos que simulam a experiência de um celular amaldiçoado ou possuído, como no caso de SIM (Sara is Missing) e Simulacra. Se formos ainda mais fundo no tema, poderemos relembrar o romance de horror do Stephen King, Celular, e também o famigerado O Chamado. Em ambos, o horror se espalha como um vírus altamente contagioso através de mídias tecnológicas que, cada uma em seu tempo, ameaçam dominar as mentes e vidas humanas e também da sociedade como um todo.



Mas tudo poderia ter sido evitado se as pessoas lessem os malditos Termos de Uso.


        Alguns detalhes ao longo da trama me surpreenderam positivamente e me deixaram em dúvida, motivo pela qual gerei duas teorias na minha mente. Primeiro, vamos recapitular algumas coisas:


1 - O App mostra quanto tempo a pessoa ainda tem de vida. Ou seja, se meu contador estiver marcando 10 minutos, eu morrerei em 10 minutos de maneira natural. A não ser que eu tente interferir no meu Destino;


2 - O Destino é imutável, “Deus tem um plano para todos,” afirma o primeiro padre, e cabe a nós simplesmente cumprir nossa jornada sem questionar muito ou tentar desviar daquilo que é iminente;


3 - O segundo padre nos diz que o “desenvolvedor” do app é Satã. Diz também que este é o Rei das Mentiras, e que o App é uma maldição e pode ser quebrada ao desmentir o Demônio. Como? Basta sobreviver ao contador OU matar alguém antes que seu contador chegue ao fim. Então, seria provado que o App mente.



        Como vimos ao final do filme, o App pode ser enganado, sim. Mas isto não significaria que o Destino é, na verdade, obra de Satã? Veja bem, se o App mostra exatamente quando a pessoa deveria morrer naturalmente, e no fim, as garotas sobrevivem, então não é Deus que gerencia o Destino, e sim o Diabo, ou seja, O Destino é uma mentira!


        Porém, - e agora as coisas ficam bastante confusas – o App retorna nos últimos instantes do filme. Isto poderia significar que o Destino é real e que elas ainda não escaparam. Mas se a maldição quebrou, como seria possível um Countdown 2?

Tem teorias? Dicas? Sugestões? Comente e conte pra gente o que achou!

E leia os termos de uso.