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  • D. C. Blackwell

A Ordem - Temporada 2 SEM SPOILERS

Bem-vindos a mais uma resenha do Blackwell!


Hoje falamos da segunda temporada de A Ordem, ou melhor, da insustentabilidade de personagens rasos e da notória dificuldade da direção em tornar Alyssa Drake em uma co-protagonista interessante. Sim, comecemos assim mesmo, com o pé na porta, como manda a profecia: Alyssa não tem passado, motivações, gostos – exceto por pizza havaiana com azeitonas pretas -, parentes ou características marcantes que a tornem identificável pelo público. Nós, expectadores, não sabemos nada sobre ela porque não há nada para se saber, porque a personagem cumpre o superficial propósito de ser a fraqueza e a paixão do protagonista Jack Morton.



Todos os outros personagens da série, até mesmo os mais descartáveis, possuem motivações e características de personalidade críveis e funcionais, mas Alyssa se recusa a fazer sentido. Em nada se compara a Gabrielle Dupres, a nêmesis de tudo e de todos que se opõem a ela, astuta, sagaz e friamente sádica, mas que oculta detalhes intrínsecos da sua vida, tornando-se gradativamente a personagem que mais amo odiar no mundo das séries. Quando vejo Alyssa em cena, não enxergo uma pessoa, e sim um pedaço de roteiro mal escrito ambulante, sem lugar no mundo complexo, perverso e irônico de A Ordem. Se na primeira temporada ela parecia rasa, nesta aqui ela encolhe e se torna bidimensional, sendo arrastada para uma sub-trama que lhe foi forçada com o único intuito de torná-la mais interessante, mas não funcionou. Odiei, nota mil.


Agora que todo o meu ódio a personagens rasos foi devidamente destilado, deixe-me falar dos pontos positivos. Lilith tem um dos desenvolvimentos mais incríveis que já vi na televisão. Hamish e Vera dão um show de atuação e de roteiro, adquirindo cada vez mais brilho e intensidade ao longo dos episódios, dos seus crescimentos pessoais e das tramoias insanas das quais fazem parte nesta temporada. Havia algum tempo que eu não me sentia na obrigação de temer pela vida de um personagem, mas estes dois me fizeram passar mais de um sufoco. Vera, por sinal, torna-se o oposto de Alyssa no quesito profundidade: tem um passado forte, realista e intenso, motivações sólidas e atuação impecável. Vera mostra a que veio nessa série constantemente, sendo testada e provada pelas dificuldades da gerência da Ordem e pelas puxadas de tapete que recebe. Nesta temporada somos apresentados a novos conceitos de magia, ordens e seres sobrenaturais, além de termos contato direto com um dos lobos originais, algo que eu torcia para ver e que não me desapontou.



À parte do excesso de piadas desnecessárias em momentos de extrema tensão, A Ordem aborda a fantasia urbana como sempre imagino: com sadismo, sarcasmo, frieza e questionamentos sobre ética, moral, princípios e existencialismo. A série também brinca com alegorias claras à visão de mundo do casal de diretores, deixando claros alguns posicionamentos bastante polêmicos em relação a temas sociais e políticos de maneira semelhante à temporada passada, porém mais enfatizadas pela relevância que possuem para a construção e desenvolvimento da trama.

Também é importante notar que a continuidade da trama me deixou bastante satisfeito, sendo que algumas pontas soltas foram expostas e trabalhadas e ficando totalmente conectadas para formar uma grande história central que promete a volta futura de um certo antagonista pai de um certo protagonista por aí... Se minhas previsões estiverem certas, teremos uma terceira temporada bem densa e complexa que provavelmente beirará o épico pela frente. Dito isso, atesto que aguardarei ansiosamente pelo retorno da série em 2021, se sobrevivermos até lá.

Fiquem com os demônios e lembrem-se sempre: “Silêncio, Subserviência e Observância”.