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  • D. C. Blackwell

A Ordem - temporada 1 SEM SPOILERS

Bem-vindos a mais uma resenha do Blackwell! Desta vez, abordamos uma série original Netflix que tem grande potencial: A Ordem. A trama desta primeira temporada revolve sobre a entrada do jovem calouro Jack Morton à faculdade, onde este acaba por ser selecionado para participar de uma ordem misteriosa. Em meio a uma série de intrigas e assassinatos envolvendo magia e seres sobrenaturais, Jack se vê na oportunidade de vingar-se do próprio pai, que é responsável pela morte de sua mãe.



Nova sensação do drama sobrenatural para jovens adultos sob roteiro de Dennis Heaton (Ghost Wars, Motive, Call Me Fitz) e Shelley Eriksen (Private Eyes, Continuum, Grand Star), trabalha com uma mitologia própria muito rica e que reinventa e renova elementos já muito utilizados na cultura pop, sendo este seu maior diferencial dentre as demais obras do gênero. Sociedades secretas, questionamentos éticos e dilemas morais fazem parte da jornada de Jack, que aos poucos deixa de ser puramente sobre vingança e vai tornando-se sobre encontrar-se e fazer parte de algo em que ele realmente acredita. Ao longo da temporada também observamos a perda gradativa de significância das rivalidades e tramoias infantis que geralmente tomam conta de obras assim, convertendo-as em dramas teen de baixa qualidade, e, em contrapartida, a série nos deixa com a sensação de perigo e desenvolvimento de personagem crescentes, salvo raras exceções em que o roteiro falha – como em qualquer outra obra do gênero já feita.


Nos primeiros episódios, tive a sensação de estar caindo numa série de “monstro da semana”. Foi só com o desenvolvimento exponencial da trama, iniciado entre os capítulos 2 e 3, que percebi meu feliz engano, pois a obra em questão vai agregando novas informações, criando e vinculando eventos e personagens conforme nos enreda em detalhes e surpresas que enriquecem a série mais e mais a cada nova revelação. A série deixa claras as regras para o uso de magia, bem como para o funcionamento dos demais elementos sobrenaturais, fazendo excelente uso de todos os recursos disponíveis em prol da narrativa.



Em apenas alguns breves momentos, a série me desapontou: O primeiro foi o esquecimento completo de um determinado artefato mágico e uma personagem que simplesmente não tiveram espaço para retornar à trama central. O outro foi o terrível desenvolvimento – ou a falta dele – da personagem Alyssa, par romântico do protagonista. Ela não tem boas motivações e parece esquecer toda a sua utilidade e todas as habilidades que a tornam especial quando convém, além de não sofrer impacto algum de suas decisões ao longo da temporada, estas tão importantes ao ponto de serem fundamentais para levar a história ao seu clímax. Não obstante, Jack não parece ter bons motivos para se apaixonar por ela, e isso, sendo uma série focada ou não em romance, é uma falha de desenvolvimento de personagem e de roteiro. A série insinua um certo nível de complexidade romântica que não existe de fato na obra, tornando este pedaço dela um tanto quanto irreal e vazio. Por fim, em diversos momentos tive a sensação de que os personagens não reagem conforme suas personalidades, muitas vezes soando mais frios do que deveriam ao presenciar um ato de violência ou assassinato.

Apesar dos deslizes do roteiro, A Ordem fez um excelente trabalho ao construir uma variedade de mitologias e personagens interessantes e uni-los a uma trama peculiar e imprevisível, capaz de chocar e surpreender espectadores desavisados. A primeira temporada começou entregando um protagonista original e sagaz inserido num enredo complexo em vários níveis e finalizou um ciclo quase épico puxando o nosso tapete na última cena, deixando para a próxima um leque enorme de possibilidades intrigantes. Recomendo a série para quem gosta de enredos interessantes e fantasia urbana voltada para o ocultismo e para quem está à procura de uma versão mais madura do gênero, mas que também não se importa com um ou outro furo de roteiro.