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  • Gisele Alvares Gonçalves

Adaptando A Rainha dos Reis para o cinema

Olá rainhas e imperadores, tudo bem com vocês? Hoje eu vou falar mais diretamente com fãs de filmes sobre Cleópatra, porém se você ama uma boa fantasia épica também vai achar o seu lugar neste artigo. Nós, amantes da rainha mais incrível do mundo até o dia de hoje, fomos deixados na seca faz muito tempo: a última produção sobre a faraó diva foi em 1999, e isso é uma vergonha! Tirando esta minissérie, tivemos apenas uma participação da personagem na série Roma, com a atriz Lyndsay Marshal que, apesar de ter atuado bem, dificilmente poderia ser considerada a melhor Cleópatra que já vimos. Bem, está na hora de vermos a nossa musa novamente nos cinemas, e por que não em uma roupagem completamente inovadora, misturando sua história com uma trama que envolve deuses, bruxas e vampiros? Sim! Por que não fazem da história de Cleópatra uma minissérie de fantasia?


Para quem não sabe, essa ideia não é completamente nova, uma vez que Maria Dahvana Headley escreveu livros exatamente com esta pegada, uma trilogia incrível chamada A Rainha dos Reis. Nesta história, a faraó não morre após a conquista do Egito por Otaviano, mas sim faz um pacto com Sekmet (deusa leoa do caos e da carnificina) afim de ter capacidade para derrotar seus inimigos. Com este pacto, Cleópatra adquire vários poderes, como a habilidade de ler a história e o pensamento das pessoas, audição e força sobrenatural, além do dom de comandar e de transformar-se em animais. Em contrapartida, meio-morta e meio-viva, a mulher tem uma sede voraz por sangue humano, além de se enfraquecer com o contato com prata e luz do sol. Transformada neste monstro, sua jornada se torna a caçada por seus inimigos, procurando vingar a morte de Marco Antônio e Cesário. Ou seja, este livro basicamente inicia quando todos os filmes sobre esta rainha acabam.



Abordagem nova, repaginada, cheia de energia e de frescor para uma antiga história, A Rainha dos Reis tem tudo para se tornar a nova minissérie sobre a Cleópatra. Outro fator que favorece este livro para se tornar um audiovisual é a profundidade de sua história, a excelente construção da mitologia e dos personagens, com toques poéticos, românticos e obscuros ao mesmo tempo. Claro, teriam que pegar um roteirista à altura, para não trabalhar apenas a casca do livro e esvaziá-lo de sentido, como muito temos visto hoje em dia. Em minha opinião, alguém como Neil Jordan seria ideal, até mesmo porque ele já trabalhou com vampiros anteriormente (e muito bem), tendo sido o diretor de Entrevista com o Vampiro. Lembrando também que ele é o roteirista, diretor e produtor de Os Bórgias, tendo provado assim que escreve histórias complexas com muita qualidade, além de se dar bem com produções de época.


Outro nome que eu adicionaria seria Angelina Jolie, a eterna diva do cinema, no papel de rainha do Egito. Gente, eu esperei tempo demais por esse dia, pois sempre quis ver a femme fatale da nossa Era encarnar aquela do tempo dos cézares! Imagina só, uma Cleópatra mais madura e mais tenebrosa do que já tivemos até hoje, com toques de crueldade ao mesmo tempo que de beleza tentadora? Wow, tremo de expectativa só em pensar em tal possibilidade! Se não ela, Lana Parilla também poderia fazer uma excelente Cleópatra, tendo também a idade aproximada da faraó no tempo de sua morte. Depois de seu papel como Rainha Má em Once Upon a Time, certamente ela já demonstrou seu talento para interpretar uma bitch carismática e capaz de conquistar o amor do público. Para além dessas duas, temos também a óbvia Eva Green que, na minha opinião, não é tão carismática quanto a Lana, porém sabe interpretar uma vilã poderosa como ninguém, além de ser inegavelmente uma atriz talentosa.



E quanto ao Marco Antônio, qual grande nome poderia interpretar o intrépido romano? Ora, o primeiro que me vêm à mente seria Brad Pitt, que tem a idade certa e o porte físico compatível com aquele do nosso imaginário. Sem contar, é claro, que ele simplesmente arrasou quando interpretou outro guerreiro da antiguidade, no caso Aquiles (no filme Tróia), levando-me a crer que ele poderia repetir tal sucesso em um filme de A Rainha dos Reis. Temos também o Gerard Butler, amado por seu papel em O Fantasma da Ópera! Não podemos nos esquecer, no entanto, que depois de interpretar o fantasma, este incrível ator entrou na pele do temível Beowulf, tendo mostrado com perfeição sua habilidade para vivenciar guerreiros no cinema. Por fim, e um dos meus preferidos, teríamos também o Richard Armitage, que interpretou não apenas Thorin na trilogia O Hobbit, mas também Guy of Guisborne na série Robin Hood, tendo mostrado neste papel todo o seu vigor e seu sex appeal.



Outro papel importantíssimo no livro, e consequentemente nas telinhas (caso um diretor corajoso o suficiente fosse transpor essa história para a narrativa de audiovisual) seria Otaviano, o grande inimigo de Cleópatra e motor de sua vingança. Dos personagens aqui citados, este seria o que exigiria um ator mais novo, possibilitando assim que citemos François Arnaud, ator incrível que nos legou a melhor interpretação de Cesare Bórgia de que tenho conhecimento. Também acho que Joseph Morgan faria um excelente papel, sendo o meu preferido para interpretar o imperador astuto, uma vez que ele foi genial ao vivenciar o personagem Klaus Mikaelson tanto em The Vampire Diaries como em The Originals. Falando no universo de TVD… Vocês não acham que o Chris Wood também seria uma ótima pedida? Afinal, ele foi o cara que melhor interpretou um psicopata até hoje! E para finalizar esta lista, também o David Oakes merece ser citado, uma vez que ele já é craque em interpretar tudo o que é tipo de filho da mãe que se possa imaginar.



Enfim, gente para viver uma história inovadora sobre a Cleópatra não falta, e somente em falar sobre seus tipos de atuação já me dá mais vontade ainda de ver essa ideia realizada! Mas, apesar de todos estes pontos positivos, temos que falar sobre algo que me deixa muito apreensiva para uma adaptação de A Rainha dos Reis: fotografia e efeitos especiais. Como a história tem muitos momentos fantásticos, como uma cena em que a protagonista se transforma em um monstro metade mulher, metade enguia gigante, seria necessária uma verba gigantesca para fazerem estas cenas icônicas do livro sem ficarem toscas ou engraçadas. Claro, isso pode acabar não se tornando um problema, uma vez que essas produções de fantasia medieval têm bombado e arrecadado muitos fãs e lucros, vide Game of Thrones. Além do mais, toda a tecnologia para se construir cenas assim já existem, o que torna A Rainha dos Reis ainda mais viável de ser gravada como um audiovisual.


O problema, nesse caso, seria o excesso de efeitos especiais. Sim, vocês ouviram bem. Uma coisa que eu simplesmente ODEIO em muitas produções atuais é quando os efeitos suplantam a própria história, esvaziam os personagens e roubam a cena até dos atores, como aconteceu em A Lenda de Beowulf (2007), Fúria de Titãs (2010), Hércules (2014) e Rei Arthur: A Lenda da Espada (2017). Essas histórias têm muito mais fogos de artifício do que falas memoráveis, sem contar que cada personagem é mais raso que o outro, e os roteiros em si são, na mais otimista das visões, bem padrão. Não. O ideal para A Rainha dos Reis seria manter o cenário e a fotografia o mais realista o possível, sem muita manipulação de cores, utilizando o CGI apenas quando estritamente necessário, para engrandecer a história e lhe imbuir de magia, e não para ser em si o centro das atenções. Uma produção que utilizou os efeitos visuais de forma correta, ao meu ver, foi O Senhor dos Anéis, dando-lhe o elemento fantástico sem lhe roubar a profundidade do roteiro. Seria algo neste nível que eu queria ver em A Rainha dos Reis, e eu tenho certeza que o Neil Jordan seria capaz de entregar algo assim aos fãs.


Enfim, este foi apenas o apelo de uma fã que quer muito ver o seu livro preferido sendo transformado em uma minissérie, ou um filme, e eu penso que muitos de vocês podem se relacionar com este sentimento. Eu realmente acredito que toda geração deve ter sua própria versão da Cleópatra, porém vinte anos se passaram e nada de um novo longa-metragem sobre esta rainha, sendo que temos em mãos um livro incrível e cinematográfico o suficiente para ser transformado em roteiro e gravado. Enfim, se por um milagre tal texto chegar até um grande diretor ou produtor de Hollywood, espero que minhas preces sejam ouvidas, e que eu possa ver (ainda em vida) uma versão cinematográfica de A Rainha dos Reis. Que assim seja.

Um grande beijo a todos, e até a próxima!