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  • D. C. Blackwell

Akame Ga Kill - Crítica

O “Kill” no nome não está ali para enfeitar! Preparem-se para conhecer um dos shounens mais sanguinários e desprovidos de plot armor já criados.


Tatsumi sai de sua vila com o objetivo de se alistar no exército da capital do país em que vive e fazer riqueza com suas habilidades em combate que treinou desde pequeno. Mas quando chega na cidade, descobre que nada era como ele pensava, com caos, violência e corrupção por toda parte. Após ter varias de suas ideologias e ilusões quebrados uma após o outra Tatsume ainda é capturado por uma guild de assassinos membros do exercito revolucionário chamada Night Raid.



Akame ga Kill ! foca em um grupo de mercenários chamado Night Raid que faz missões para o exército revolucionário e pratica assassinatos encomendados por qualquer um que possa pagar, desde que o alvo seja alguém corrupto dentro do império. Tatsumi, o protagonista, acaba se juntando a eles quando é convencido de que através dos vários atos hediondos que eles cometem é possível mudar o país a longo prazo.


Todos os personagens principais desse manga usam armas chamadas Tengus, que foram desenvolvidas por cientistas do império a mais de 500 anos – com o tempo e morte dos primeiros usuários das armas, elas foram se espalhando por todo país. No total existem 48 armas Tengu, que vão desde armas cortantes, de projeteis, armaduras, até armas biológicas (que causam mutação no corpo ou dão poderes). As armas foram feitas usando como base criaturas míticas raras (dragões, ect) e possuem uma espécie de alma, de modo que não podem ser usadas por qualquer um, sendo necessário ter compatibilidade física ou mental com a arma. Tatsumi é o único sem uma Tengu no grupo (ao menos no início).


O autor criou um jeito bem legal de dar um padrão de nomes aos capítulos, todos começam com “Kill”: Kill the Darkness, Kill the Bandits, Kill your Sadness, Kill the Fate e por ai vai.



O personagem principal tem o espírito inocente e energético tipico de um protagonista shounen, mas isso vai sendo quebrado pouco a pouco e ele vai amadurecendo. O espírito continua o mesmo, mas suas ideologias e crenças vão mudando. Apesar de ser meio inocente ele se vira muito bem em lutas e é bem sangue frio quando necessário – principal motivo do interesse da Night Raid nele, já que pessoas normais dificilmente conseguem matar alguém sem hesitação.

É legal ver o protagonista evoluindo ao longo da obra, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Mas a evolução é gradual, e o autor sempre faz questão de mostrar que ele ainda tem um longo caminho pela frente até chegar no nível dos membros mais antigos da Night Raid. Alguns meses de treino com pessoas experientes fazem diferença, mas ninguém fica dez vezes mais forte do dia pra noite com treinamentos malucos – como é normal de ver em mangás shounen.


Existe a tentativa de dar profundidade mínima a alguns diálogos da obra, mas em geral tudo é tratados de forma superficial e com pouquíssima sutileza. Inicialmente, Tatsumi tenta justificar os assassinatos que está cometendo dizendo que está fazendo justiça, mas embora isso não seja uma completa mentira, não é uma justificativa para matar pessoas, ele é um assassino, não um justiceiro. Ao menos o grupo faz questão de deixar isso bem claro pra ele.


O manga tem uma gama enorme de personagens e tenta explorar um pouco de quase todos eles, sendo que até mesmo o personagem mais apagado ganhou sua chance de mostrar a que veio no capítulo “Kill the Fate”. No início, são usados vilões mais simples que servem pra situar o leitor naquele mundo e apresentar todos os personagens da Night Raid (um por capítulo). Após as apresentações e explicações começam a aparecer vilões “um pouco” mais complexos – tanto fisicamente quanto psicologicamente – e no capitulo 10 já nos é apresentado o “Boss final”, a general do exercito do rei, Esdese, e seus subordinados. Vale notar que alguns dos “vilões” são extremamente carismáticos, e dificilmente poderiam ser classificados como “maus”, estando apenas do lado contrario ao protagonista. Tem uma página do manga que ressalta bem isso mostrando os 2 times com os dizeres “Aqueles que lutam para mudar o império” (Night Raid) e “Aqueles que lutam para protege-lo” (Jaegers, time da Esdese). Isso da bem a ideia que o autor quer passar, de que ninguém é totalmente mal ou totalmente bom. O autor até mesmo fez questão de colocar um personagem com uma personalidade semelhante a do Tatsumi (o protagonista ) no lado do império, pra nos dar a ideia de como seria se o protagonista estivesse do outro lado. Mas o exemplo mais transparente da ambiguidade dos personagens é a vilã principal, Esdese, que junto a Tatsumi protagoniza momentos bem interessantes do mangá.



Esdese (a vilã principal) merece atenção a parte, ela é extremamente sádica e fria – muito devido ao modo como foi criada – mas ao mesmo tempo tem um lado romântico. E apesar das barbaridades que ela faz ao longo do manga ela ganhou muitos fãs com o tempo, tanto por ser muito bad ass, como por sua personalidade diferenciada. Quero falar mais sobre ela mas não tem como sem dar alguns spoilers, então quem não se importar com alguns spoilers medianos é só clicar no botão abaixo.


Inicialmente, o que mais me chamou atenção nesse manga é que tem ação quase todo capítulo – mesmo que seja apenas no final dele – dificilmente tem um capítulo parado. Então vale dizer que o nível de entretenimento é bem alto. No início do manga as lutas são bem curtas com inimigos mais fracos, mas passado os capítulos iniciais começam a aparecer inimigos mais fortes – normalmente com armas Tengu – e ai as lutas podem se prolongar por 2 ou 3 capítulos (o autor não comete o mesmo erro de Claymore de prolongar batalhas por dezenas de capítulos).

A arte do manga é boa, além das cenas de luta extremamente bem feitas os personagens tem traços muito bonitos. Também é notório como o desenhista evoluiu desde o primeiro capítulo. Ele já era bom

mas seu traço ficou ainda melhor com o tempo.

Esse manga ficou famoso pelo sadismo do autor, que mata personagens do círculo principal sem piedade, tanto do lado dos antagonistas como do protagonista. Não espere mudanças de lado e muito bate papo nas lutas, quando uma luta começa é só ação até alguém sair morto – o que sempre acontece, sempre!. Essa é uma das coisas mais legais desse manga, porque toda vez que começa uma luta você fica tenso sabendo que seu personagem favorito pode morrer ali (alguns brincam dizendo que o mangá deveria se chamar “Deathflags” ou “Who is the next to die ?”). Sendo que as mortes servem tanto para dar seriedade a trama e as lutas, quanto para amadurecer o protagonista. É interessante uma parte em que morre um dos membros da Night Raid e ele jura que nunca mais irá deixar ninguém morrer, adivinha o que acontece 2 capítulos depois?….


Mas nem tudo é drama. O mangá tem um pouco de comédia também pra aliviar o público dos momentos de desgraça. Isso é até um problema no início. Embora a comédia funcione nos momentos cotidianos o autor tenta enfiar tiradas cômicas curtas no meio de algumas lutas. Definitivamente não funciona e fiquei feliz quando notei que ele parou com isso depois de um tempo (uns 15 capítulos).


Akame ga Kill é um mangá excelente pra quem curte ação e gosta de obras que se levam a sério. A proposta é diferenciada, tem personagens cativantes, a vilã principal (Esdese) é um show a parte, tem um pouco de humor e até mesmo romance. Quem é inimigo jurado de protagonismo e plot armor vai se deleitar com a obra. Não tem milagre para salvar a pátria no meio da luta aqui, nem ninguém voltando mais forte depois de levar uma surra. Se existe um “elemento surpresa” na luta são dado dicas sobre ele antes dele aparecer – de modo a manter o mistério e ao mesmo tempo não deixar a surpresa conveniente demais a trama.