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  • D. C. Blackwell

Alguém disse "Dia Das Crianças e Mês Do Terror"? - A Casa Monstro

Hoje é Dia Das Crianças e Mês das Bruxas. Que combinação, não é mesmo? Pra mim, é o dia perfeito para um bom terror infanto-juvenil, especialmente daqueles bem antigos que ninguém lembrava mais, mas que me marcaram profundamente, como a resenha de hoje.


Senhoras e senhores, falemos de A Casa Monstro! Animação de terror para crianças mais desvalorizado de todos os tempos devido à sua produção de baixo orçamento e sua antiestética, que é essencial para o espírito do longa.

Vindo diretamente do ano 2006 e apagado por todas as animações memoráveis da mesma década, tais como A Noiva Cadáver, Os Incríveis, Procurando nemo e afins, A Casa Monstro inovou na arte de assustar crianças com sabedoria, porém sem perder o toque macabro de obras mais adultas, presentes em obras como o longa de terror para maiores de 18 anos do mesmo diretor, Poltergeist (2015). Tanta é a paixão de Gil Kenan pelo terror diluído em comédia, que sua próxima obra a ser lançada é Ghostbusters: Afterlife e virá em 2021 – se você não conhece a franquia, saia da minha frente agora!

Dito isto, entende-se bem o estilo de direção e roteiro de Gil Kenan em A Casa Monstro. Na obra, há incontáveis piadas, daquelas que passam batido pelas crianças e colocam sorrisos nos adultos. Morbidez e sarcasmo são pontos-chave no longa, dando energia à trama investigativa e amolecendo a trágica desventura de DJ e seus amigos, e, em especial, do dono da Casa, o senhor Nebbecracker, que começa muito antes do início dessa história.


Um veterano de guerra e uma mulher obesa que vive de ser humilhada no circo. Paixão à primeira vista, amor, e a construção de uma casa que seria apenas o início de uma vida repleta de amor e de cicatrizes que se curariam com o tempo. Essa era a vida de Nebbecracker, que não contava com o infortúnio da morte de sua amada por conta da insegurança que ela possuía. Sempre atacada e agredida pelas crianças, ela nunca conseguiu esquecer e sarar as feridas do seu tempo como circense.

Um acidente fatal, marcado pelo medo, pela dor e pelo ódio, tornou-se o estigma de um homem bom e simples que agora era guardião de uma casa possuída pelo espírito enfurecido e faminto de sua falecida amada. E, no meio disso, três crianças muito inteligentes e de coração puro (o suficiente) tentam de tudo para evitar que inocentes desavisados caiam nas garras da Casa, cerceados de momentos de comédia barata, diálogos infantis (como esperado de um filme infantil) e muitas dificuldades. Afinal, que adulto acreditaria numa criança, em véspera de Halloween, no que diz respeito à veracidade de assombrações e monstruosidades sobrenaturais?


A animação, assim como as piadas imaturas, não envelhece bem. Embora o filme tenha seu conteúdo bastante diluído para que possa ser consumido por crianças, qualquer pai que se preze pensaria duas vezes antes de deixar seus filhos assistirem uma obra que fala de traição conjugal, sexo, morte e bebida alcoólica – por mais velada que seja a abordagem. Quanto ao traço, apela para um feio que parece mais com falta de orçamento do que com escolha artística.


Diferentemente de A Noiva Cadáver, que veio um ano antes e que encanta com trama e estética mórbidas e solenes dentro de suas limitações, A Casa Monstro pende muito mais para o roteiro, que poderia ser melhor utilizado se aplicado a um público mais maduro, permitindo diálogos e construção de personagem mais sóbrios e criando uma ambientação que acompanhasse a proposta. Ainda assim, o longa fez uma grande aposta e marcou minha infância, sendo uma das primeiras obras a trabalharem com um conceito tão grotesco e denso como este. A Casa Monstro me inspira até hoje e remete a leituras como Christine, It e A Casa Negra de Stephen King.