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  • D. C. Blackwell

Coringa


Bem-vindos a mais uma resenha macabra!     

Eu sou D.C. Blackwell, e hoje falarei de um dos filmes mais esperados do ano por todos os fãs de quadrinhos. Joker Passei a última semana ouvindo apenas elogios ao filme, sobre como a atuação de Joaquin Phoenix e o roteiro de Todd Phillips passariam com um trator por cima de seus concorrentes ao Oscar. Bem, não sou um grande crítico de cinema, mas sim apenas um resenhista da internet, porém reconheço uma obra de imensa qualidade quando a vejo. Joker conta a história de Arthur Fleck, um sociopata que vive contido por diversos remédios enquanto tenta realizar seu sonho de tornar-se um comediante de stand-up. Arthur possui uma condição neurológica: a Síndrome do Riso. Quando está nervoso, sua risada se torna incontrolável, e isso causa a todos medo e estranheza. Sua aparência esquelética é prova de uma pobreza extrema que assola não apenas ele e sua mãe, mas toda a classe inferior de Gotham, que vive uma situação à beira da revolta e da guerra civil. Ele trabalha como palhaço para uma pequena companhia e vive humilhações diariamente, até o dia em que um colega lhe dá uma arma para sua proteção pessoal. Na noite seguinte, ele é abordado por três baderneiros da alta classe de Gotham e acaba utilizando a arma. Porém, ao usar a arma, ele toma uma decisão que mudaria sua vida para sempre: Ao disparar o primeiro tiro e matar o primeiro homem, ele caça os outros dois, demonstrando que aquilo era sobre mais do que apenas sua sobrevivência. Arthur Fleck finalmente descarregou seu ódio pelo cano de um revólver. E ele gostou. Não obstante, sua atitude faz irromper o ódio nos corações das classes menos favorecidas de Gotham, incendiando a cidade com uma onda de protestos que eventualmente culminam em violência civil. A partir daí, o que sobrava de sua sanidade começa a fenecer rapidamente conforme cada vez mais eventos trágicos tomavam lugar em sua vida, somado ao prazer e a liberdade de matar e, consequentemente, transformando-o em Coringa - ou Joker. O filme possui referências a diversos clássicos do cinema, como Taxi Driver e O Rei da Comédia, ambos de Scorcese. Em Taxi Driver também temos um sociopata tentando adequar-se ao cenário de podridão moral de uma grande cidade - Nova York para o taxista, Gotham para o Palhaço do Crime. O Rei da Comédia definitivamente foi uma inspiração para Todd, visto que, no filme, o protagonista de Scorcese também é um comediante fracassado que, digamos, não gosta muito de um popular apresentador de TV. Por falar nisso, a referência mais nítida de todo o filme é a cena da morte do apresentador Murray Franklin. Na HQ “O Cavaleiro Das Trevas”, de Frank Miller, a morte acontece de uma forma um pouco diferente: o Coringa é convidado a receber uma suposta cura para sua loucura, ato que culmina na morte de todos os presentes no show.


A trilha sonora move a trama do filme de maneira espetacular, fazendo eriçar a pele a cada momento de tensão - uma constante no filme, praticamente. Sabemos exatamente o que sentir em cada cena, tudo por causa do maravilhoso trabalho do diretor.

Falei mais cedo sobre algumas cenas que talvez pudessem justificar os atos do palhaço, mas não caí nessa. O filme deixa bem claro o quanto Arthur Fleck está errado desde a primeira cena, em que ele tenta convencer sua psiquiatra a lhe dar mais remédios. Fleck sabe desde o começo que há algo de errado com ele, um monstro que ele tenta reprimir o tempo todo. “Tudo o que tenho são pensamentos negativos”, diz ele na segunda e última vez em que conversa com sua psiquiatra. Mais tarde, ele comenta com o atendente do Asilo Arkham que “fez coisas muito ruins”, e que essas coisas “deveriam ter me deixado mal, mas me sinto ótimo”. Arthur sabe agora que ele é um monstro, mas ele encontra em sua vida trágica motivos para não querer seguir tentando reprimir sua essência maligna. Quando ele mata a própria mãe, tudo o que sobrava do Arthur Fleck, que era mantido vivo pelos remédios pesados que continham o Coringa dentro dele, morre de vez. Sobra apenas a maldade desenfreada do Coringa. Ainda mais tarde, momentos antes de assassinar o apresentador de TV ao vivo, ele diz “Não tenho interesse político”. Nada do que ele faz é por Gotham, pelas pessoas, pela repressão dos ricos aos mais pobres. Não, nada disso realmente importa para Fleck. o Coringa é simplesmente um monstro repleto de ódio que usa as maldades do mundo para justificar a sua, e nós observamos isso desde o começo, quando ele poderia ter escolhido dar um tiro de alerta ou apenas ter atirado em um dos homens e ter deixado o resto fugir. O Coringa sente apenas a própria necessidade de existir para o mundo, de ser notado. Oscar Wilde diz: “Dê a um homem uma máscara, e então ele lhe contará a verdade.” Acredito que esta frase caiba muito bem neste filme digno de Oscar e de ser chamado de Clássico - ao menos daqui a uns cinquenta anos. Pois Arthur Fleck tentou fingir que era bom por tempo demais, e foi apenas trajado de Coringa que ele encontrou a si mesmo, para bem ou para mal.

E você, quem é quando veste uma máscara?



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