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  • D. C. Blackwell

Creepshow - S1E2


Bem-vindos a mais uma resenha macabra! Eu sou D.C. Blackwell, e venho lhes trazer o segundo episódio de Creepshow, a série que estreou agora em Outubro. Como falei no capítulo anterior, Creepshow está na Shudder, e não na Netfix, e por isso é mais difícil de se encontrar. Sem delongas desta vez, apresento o segundo episódio. Assim como o anterior, este é dividido em dois contos. Porém, neste, falarei dos dois contos sem separar. O motivo é que ambos carregam os mesmos sentimentos e me levaram às mesmas conclusões. O primeiro se chama Bad Wolf Down e se passa na Segunda Guerra Mundial. Durante uma missão em um vilarejo distante, um grupo de soldados americanos é atacado pelos nazistas e acaba se trancando em uma delegacia local. Em poucos instantes, a equipe repara que não está sozinha ali: estraçalhados no chão, jazem alguns cadáveres nazistas. Até então, o grupo se mantém unido, mas um dos soldados, o novato, acaba atirando em uma mulher presa dentro de uma cela após ser surpreendido por ela. A mulher não só sobrevive, como suas feridas regeneram. Neste momento, o general tenta desesperadamente convencer todos a irem embora de lá enquanto os nazistas não os achavam, mas a equipe o dispensa em troca da mulher. O tradutor do grupo revela que ela é uma “Loup Garou”, metade mulher e metade lobo. Neste ponto, o general trai a equipe e seu capitão trancando a todos na cela da mulher e indo embora sozinho. Em poucas horas, eles estão cercados de militares alemães, e seus fuzis todos apontavam para a delegacia. Os soldados então pedem à lobisomem que os transformem para que possam sobreviver. Em troca, eles lhe dão o que ela mais desejava: a morte através da prata. O que ocorre a seguir é um massacre. Os três lobisomens destroçam os nazistas no melhor estilo horror anos oitenta que você conseguiria imaginar. Sangue espirra nas paredes e janelas, cabeças são arrancadas e pessoas são devoradas, tudo sob efeitos especiais dignos do gênero. A história segue um pouco mais à frente, quando vemos o traidor caindo em uma mina e perdendo um braço e uma perna. O capitão, já transformado novamente em humano, aborda-o, rindo do karma do general. No fim, os soldados acabam tornando-se iguais ou piores que os vilões, devorando com muito sadismo até mesmo alguém que já foi seu aliado poucas horas antes.


O segundo se chama The Finger. É uma história atual narrada por um homem simples que nos conta tudo através da sua visão de mundo. Com um tom divertido, ele nos conta um pouco sobre si mesmo: um homem solitário, desempregado e abandonado pela esposa e os filhos dela, dos quais ele não gosta muito (insira eufemismo aqui). Ele conta também que seu hobby é recolher objetos abandonados - assim como ele mesmo. Numa de suas buscas, ele encontra um dedo e o recolhe. Em casa, ele faz um ou outro experimento e guarda o dedo na geladeira. Conforme ele nos conta mais e mais sobre as pequenas coisas que o incomodam nas outras pessoas - como as ligações da empresa de cobrança -, os  dias passam, e o dedo se regenera até transformar-se em um ser vivo e asqueroso, muito semelhante a um monstro do filme Alien, o qual ele carinhosamente apelida de... Bob.

Bob sai à noite e sempre volta com alguma “lembrancinha” - primeiro, um coração, depois uma língua. Eventualmente nosso protagonista descobre que sua esposa faleceu. Nada triste com a situação, a vida parecia mais alegre com Bob ao seu lado, um serzinho muito amigável que matava outras pessoas, mas era dócil e amigável com seu dono. Tudo vai muito bem até que Bob traz as cabeças dos filhos da ex-esposa de seu dono. Em meio a marteladas e tentativas de desfazer-se das evidências, a polícia o pega e o leva para o hospício, local de onde nosso protagonista contava toda a história desde o começo. Olhando para a câmera, para nós, espectadores, ele afirma que não está louco, que sabia que não acreditaríamos em sua aventura.

“Você não possui algo que odeia também? As telefonistas de cobrança, parentes desagradáveis, uma ex-mulher?”, ele nos pergunta. E não temos todos vontade de fazer coisas terríveis a essas pessoas que odiamos? E isto me leva à conclusão que tiro deste episódio incrível de Creepshow.

Os monstros dentro de nós podem tomar várias formas e podem libertar-se a qualquer momento. Se você fosse um lobisomem, cederia ao poder? Você se tornaria ou não alguém que abusa quando pode, porque pode? Quem é que poderia ter certeza das respostas a estas perguntas? É, meu caro e minha cara leitora, não fazemos ideia de quem podemos nos tornar sob as influências erradas. E estas apenas refletiriam em quem somos de verdade. Os lobisomens poderiam ter sofrido em sua existência, assim como a mulher que os transformou, que implorava pelo fim de todo o mal que ela causava, matando pessoas inocentes indiscriminadamente. Nossos “heróis” não pensaram duas vezes antes de encarar a maldição apenas para sobreviver. Sem nenhum receio pela sua humanidade. E quantos de nós temos Bobs? Todos nós terceirizamos nossas culpas, nossos sentimentos ruins. Ódio, inveja, medo, preguiça. Damos forma a esses sentimentos para que não nos pertençam, para que não tenhamos controle ou responsabilidade sobre eles. “Eu jamais faria algo assim, mas que bom que aconteceu”. Frase típica nos dias de hoje. Durante minha infância, quando eu pedia para deixar a luz ligada antes de dormir, minha mãe sempre me dizia que monstros não existiam. Hoje eu sei que ela está errada. Podemos vê-los através de um espelho em diversas ocasiões. Nós somos os monstros. Um excelente e assustador Outubro, de seu pior inimigo, D.C. Blackwell.