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  • D. C. Blackwell

Doutor Sono (Doctor Sleep)



Bem-vindos a mais uma resenha macabra!

        Eu sou D.C. Blackwell e nunca antes, em toda minha vida, pensei que iria dizer isso mas é preciso admitir. O filme é melhor que o livro!

Não só foram capazes de dar vida à trama original da maneira que eu mesmo imaginei lendo Doutor Sono, como pegaram aquele final sem "tomperro" do livro, atearam fogo nele como se fosse o próprio hotel Overlook e fizeram algo muito melhor. Não obstante, consertaram também o Iluminado de Kubrick, honrando diretor e escritor com nostalgia e sagacidade além do imaginável.


Mas permita-me destacar cada ponto positivo e negativo dessa obra na ordem correta.

Sobre o Verdadeiro Nó


        Elenco perfeito, atuação excelente, seguem à risca o que está no livro e eu amei! Sério mesmo, me arrepiei todo em várias cenas, como a do garoto do Baseball, o recrutamento e transformação de Andi, o sequestro da Abra pelas mãos do Corvo.... Perfeito. Eles só erraram onde o King também tinha errado, ao meu ver, dando a entender que a Andi seria relevante, mas na hora certa, ela não faz nada de especial na trama. Bem, no filme ela pelo menos mata o Billy, já é alguma coisa.



As semelhanças


        São muitas! É mais fácil citar as diferenças, que consiste basicamente em um que outro arranjo estético. Como os efeitos de invasão de mente, que ficaram incríveis e algumas mortes que deveriam ter acontecido no livro, mas o King foi coração mole demais. Diria que o que muda mesmo é o primeiro embate contra o Nó e o final, e foram duas mudanças bastante boas, com exceção de um detalhe da primeira: a luta do filme é tão boba quanto o final do livro, e tem a função de dar algo de importância à Andi e gerar o ápice dramático da trama com a morte do Billy.

Alguns aspectos negativos


         Trilha sonora não é o forte do filme, não dando muito bem a entender o clima que uma cena específica deveria ter. Algumas cenas muito longas poderiam ser encurtadas, como os três minutos inteiros em que vemos Rose procurando por Abra com seus dons sobrenaturais. Se essas duas coisas tivessem sido melhor trabalhadas, teria sido uma experiência muito mais verossímil do choque e da dor de Dan pela morte de Billy. Ao invés disso, temos dez segundos de tristeza, que desaparece por completo quando é anunciado que Abra não está mais a salvo. 

         Entenda que não peço por mais que um minutinho a mais de desespero naquela cena, acompanhado de uma trilha que nos fizesse estremecer de raiva da Andi. Talvez até mais um instante com ela antes de “ciclar” por completo, alguma luz extra sobre o seu passado sombrio, que ficará desconhecido para sempre a quem não leu o livro.

Sobre o final


        Lembra que eu disse que eles consertaram o livro? Pois então.... Se você não leu o livro, deixe-me explicar brevemente:


        No livro, o Hotel Overlook tinha pegado fogo lá no Iluminado, quando Danny era apenas uma criança muito estranha. Esse detalhe, na verdade, foi o que o King mais odiou na adaptação de Kubrick, mas essencial para salvar o filme do final morno do livro. Pois no livro de Doutor Sono, o Hotel nem existe mais. Ao invés de adentrar o terrível lugar que o assombra há décadas em seus piores pesadelos e lembranças, ele aprende a usar as almas dos mortos como veneno para o Nó, levando-os até o local do incêndio e criando uma névoa de morte que elimina a todos de uma só vez. Até o espírito redimido de Jack Torrance aparece para ajudar na batalha, e uma vez que tudo acaba, tudo está perfeito. Tudo está feliz.


        Não me leve a mal, eu gosto do Jack e chorei lendo o reencontro dele com Danny, mas o resto da trama depois do sequestro de Abra não tem emoção alguma. Por isso fico feliz com as mudanças. Veja bem, eles até usam a mesma ideia para fazer Daniel soltar os espíritos para consumirem Rose, a última integrante do Nó. E cá entre nós, aquela morte foi a melhor, a mais poética. Pois Rose, a Cartola, sempre foi a mais voraz, a líder daqueles monstros que são a personificação da Gula.



        Com a adaptação e o derradeiro incêndio do hotel Overlook, King pode descansar em paz e parar de rogar pragas ao Kubrick - ou não -. Desta vez, ao invés de levar Jack Torrance, como no livro, a casa-monstro leva a Daniel. E isso é bom, porque me lembro claramente de ver diversos sinais ao longo da trama, de que ele teria um fim trágico. O próprio filme indica isso, misturando o que acontece no livro com a adaptação, pois num ele sempre se vê cercado de moscas. Sim, não são os outros que ele vê amaldiçoados no livro, mas ele mesmo. E no filme, ele explica que ele vê moscas nos rostos de quem vai morrer. O que me faz pensar que de duas, uma: ou o diretor é mesmo fanático do King e leu as obras, ou ele produziu a adaptação toda sob a mira de um revólver pelas mãos do escritor.


         Eu amei cada segundo desse filme. E quanto ao final, eu, que fui acompanhando tudo muito contente e esperançoso de que Dan fosse ter seu final feliz, saí da sala de cinema chocado – e a Gisele é testemunha ocular! Para mim, esse é o primeiro caso de uma adaptação que conserta a obra original, e de quebra, faz um excelente fan-service, dando fidelidade total a todos os personagens e a quase todos os eventos que nele constam. Até mesmo a narrativa me lembrou muito a do próprio King, o que é absurdo, já que se trata de uma comparação entre livro e filme!

O que vocês acharam? Gostaram tanto quanto eu?

Espero que sim!

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Um grande abraço do seu pior inimigo,

D.C. Blackwell.