NoEDC.jpg
Buscar
  • Gisele Alvares Gonçalves

Downton Abbey

Olá galera, tudo bem com vocês? Finalmente estou aqui para falar de um longa-metragem bastante esperado no mundo inteiro, o qual finalizou uma das séries mais incríveis desta década... Estou falando, é claro, de Downton Abbey. Na moral, cheguei a arrepiar só de ouvir a música maravilhosa que tocava na abertura dos episódios, e quando apareceu a mansão eu quase chorei, tamanha a minha emoção. Ao longo de seis temporadas a gente foi se apegando aos personagens, às tramas, e é claro a esses cenários tão belos e conhecidos, e agora revê-los nas telonas realmente é uma experiência maravilhosa, envolvente até o último fio de cabelo do sujeito. Esse filme, afinal de contas, foi feito exatamente para suscitar a nostalgia nos fãs da série, objetivo o qual ele alcança com louvores.


Como tudo não são flores, estou aqui para falar o que faltou na trama deste longa-metragem. Para começar, senti muita falta de um drama pesadão como costumava aparecer na série, como no episódio em que a Sybil morre após o parto, ou que a Anna é estuprada. Parece-me que o clima do filme ficou muito mais leve do que aparecia na televisão, e pendendo substancialmente para a comédia, algo que não era tão consistente na série. Claro que sempre tivemos as tiradinhas inteligentes da Violet Crawley, mas elas serviam muito mais para aliviar as tensões do que efetivamente para conduzir a narrativa. Imagino que, se aprofundassem a questão da matriarca da família estar morrendo, e efetivamente conduzissem o roteiro até o enterro da personagem, iria ser muito mais significativo do que terminar o filme com o sr. e a sra. Carson saindo de Downton Abbey.


Imaginem se, após uma cena chocante e extremamente sentimental da morte da Violet, encontrássemos todos os personagens de preto no cemitério, despedindo-se da tão amada avó da família, seguido de uma narração em que se fala sobre o passado dando lugar para o futuro. Genial! O clima da série seria preservado, e tal cena faria até o mais insensível dos seres vivos chorar de emoção. Não que eu não tenha achado incrível o momento em que a Violet e a Mary conversam durante o baile, longe disso... Meu coração ficou oprimido de tristeza, somente ao imaginar que nossa antiga condessa estava partindo desse mundo! Ainda assim, o choque teria sido muito mais intenso se tal fato se concretizasse nas telonas.



Falando na Violet... Acho ela uma personagem tão incrível, que eu amaria se fizessem um filme mostrando o passado dela. Imaginem o trabalho que ia dar escalar uma atriz comparável à Maggie Smith, não só em aparência, mas em nível de atuação? Não sei por que, mas o nome Rebecca Ferguson fica pululando em minha cabeça ao pensar nessas possibilidades. Meu Deus, seria um sonho se um projeto desses fosse posto no papel! Mostrar o passado de Downton Abbey, o nascimento do Robert, a ida da Violet à Rússia... Tem muita história para contar aí, disso eu tenho certeza! Bom, está plantada a ideia, quem sabe ela não chegue até os produtores na Inglaterra?


Enquanto isto não acontece, vamos retomar aqui a análise do presente filme. Apesar de ter considerado que um roteiro com mais drama teria sido melhor, o trailer já indicava que o clima do longa seria mais leve, então não tive nenhuma surpresa aí. Também não me surpreendi com o fato de que alguns personagens não tiveram muito tempo de tela, como a srta. Baxter e o sr. Bates, afinal estamos falando de uma produção que tem cerca de vinte personagens principais, o que se torna difícil de trabalhar em um filme de duas horas. Claro, na série não notávamos isso porque, se em alguns episódios alguém era mais deixado de lado, logo na sequência já víamos uma trama envolvendo essa pessoa. Para mim, esse longa foi quase como os especiais que davam no final de cada temporada, em que a família viajava para algum lugar como a Escócia ou Londres. Ainda que não tenha envolvido viagem, estamos falando aqui de um evento extraordinário, como a visita do casal real em Downton Abbey, o que pode ser considerado como extremamente digno de um espaço de destaque na vida dos Crawley.


Para além daqueles personagens queridos que já conhecemos e amamos, também tivemos alguns novatos na trama de Downton Abbey, o que ajudou a selecionar quem iria ter mais destaque entre o pessoal antigo, e quem ficaria mais apagado durante o roteiro. Achei interessante a escolha que fizeram para quem iria ter mais tempo de tela, pois foram justamente os dois personagens que mais evoluíram desde o começo da série: Thomas Barrow e Tom Branson. Também eram os personagens que haviam terminado a série sem muita sorte no amor, e que conseguiram finalmente encontrar seus pares românticos no enredo do filme, cumprindo uma esperança que muitos fãs tinham de que eles tivessem seus finais felizes também.


Confesso que, apesar de compreender as escolhas do diretor, senti falta de maior interação entre Anna e John Bates, visto que eles são o meu casal preferido de toda a série. Também gostaria muito de ter visto mais diálogos entre a srta. Baxter e o sr. Moseley, afinal sempre desejei que eles fossem se tornar um casal um dia, porém acabei saindo do cinema com essas aspirações frustradas. Ainda assim, entendo que duas horas são muito pouco para trabalhar todos os personagens a contento dos expectadores, e que escolhas precisavam ser feitas. Pensando racionalmente, as decisões dos roteiristas foram bastante acertadas... É apenas o meu lado de fã que acaba se revoltando um pouco.


Também o casamento entre Daisy e Andy foi algo que deixou gostinho de quero mais... Afinal, quem não ama uma boa cena de casório, não é mesmo? A noiva toda de branco, o buquê nas mãos, a marcha nupcial, tudo perfeito e especial! Tivemos muitas cenas dessas ao longo da série, e todas elas me deixavam com um sorriso de orelha a orelha. De novo, a questão do tempo do filme e do ritmo estabelecido não permitiria que o enlace dos dois fosse mostrado, mas ainda assim deu muita vontade de assistir a tal evento. Quem sabe se tivermos uma continuação, não é mesmo?


Não podemos deixar de falar, é claro, da participação da Edith no filme. Confesso que, quando ela se casou com o Bertie no final da sexta temporada, não lembrei que isso queria dizer que ela teria que abandonar seu trabalho no jornal. Isso me deixou bastante triste, na real, pois uma das razões pelas quais eu amava tanto a personagem era exatamente o fato dela trabalhar com as letras, assim como eu gostaria de fazer no futuro. O filme mostra bem o sofrimento pelo qual ela estava passando por ter que abrir mão de sua empresa jornalística, o que me cortou o coração em pedacinhos minúsculos! De fato, apesar de conseguir que o Bertie não fosse viajar enquanto ela estivesse grávida, eu considero que ela foi a única que não conseguiu o seu final feliz, pois não consigo imaginar a Edith completamente plena estando afastada do jornal.


Apesar de todas estas vontades que Downton Abbey nos deixou, ainda assim tivemos muitas expectativas cumpridas! Acho que a maior delas era rever todos os personagens, algo que foi realizado com sucesso, e adoçar nossa vida ao ver aqueles figurinos glamourosos que só essa série conseguiu trazer para as telinhas – e agora telonas. O baile certamente foi o ponto chave para vislumbrar todo o luxo e elegância dos anos 20, e posso dizer com toda a certeza que ele não deixou a desejar! Por fim, ver a Mary assumir a herança espiritual da avó foi certamente um momento maravilhoso da trama, que levou muitos fãs da personagem às lágrimas... Inclusive eu. A questão das mudanças no tempo e da dificuldade de continuar com as tradições, tão presentes durante a série, encaixou-se com louvores nessa trama entre Mary e Violet, com um dos diálogos mais belos da produção inteira.



E aí, o que acharam da resenha? Digam aí abaixo se gostaram ou não do filme, e se concordam com o meu ponto de vista sobre a questão da falta de drama no enredo. Um beijo para todos vocês, e até a próxima!