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  • Gisele Alvares Gonçalves

Em Algum Lugar Do Passado

Olá, damas e cavalheiros do meu coração… Tudo bem com vocês? Hoje estamos aqui não para dar respostas, mas para fazer perguntas! Vocês já se questionaram o que aconteceria se o poder de nossa mente fosse muito maior do que o que conhecemos? Já imaginaram se pudéssemos moldar a realidade à nossa volta com o nosso pensamento, ou melhor… Se pudéssemos voltar no tempo e visitarmos décadas passadas? Olha, confesso que, se isso fosse verdade, eu já estaria lá na Belle Époque, e não voltaria tão cedo! Bom, para o mocinho do filme que está sendo retratado aqui, Richard Collier, isso não apenas foi possível como se tornou a realidade dele. Quer saber mais sobre este longa? Vem comigo então, que temos muito ainda o que conversar!


Primeiro eu vou falar com aqueles que ainda não viram o filme, e depois delimitaremos a zona de spoilers para falar mais profundamente com aqueles que já assistiram ao longa. Uma história sobre viagem no tempo com o foco em romance… Você achou que Outlander havia sido a primeira? Na na ni na não! Em Algum do Passado é uma produção de 1980 e traz todos os elementos que nós, apaixonados por épicos de romance com uma pitada de realidade fantástica, adoramos. Um amor intenso que supera a barreira do tempo, que ultrapassa o julgamento da razão, que desafia as leis da física, é ou não é uma história pra se carregar do lado esquerdo do peito? Ainda mais quando se tem atuações tão incríveis quanto a de Christopher Reeve e de Jane Seymour, que mostram uma química incrível em tela.



Olha, não vou mentir, o filme tem lá seus defeitos… Sendo o figurino um deles, afinal o longa dá a entender que os homens que usavam cartola estavam na moda em 1912, quando na verdade era o chapéu coco que estava. O mais engraçado é que o protagonista, que se veste bem certinho como a moda da Belle Époque ditava, no filme é tido como alguém fora de moda! Paradoxo, não é mesmo? Mas o penteado da Elise mais que compensa, afinal são raros os filmes hoje em dia em que a mocinha tem os cabelos arrumados de forma tão fiel à época.


Ainda assim, apesar desses deslizes, o longa continua sendo incrível, principalmente para aqueles que gostam quando o filme de viagem no tempo dá aquela bugadinha básica no cérebro. Não vou dizer que Em Algum Lugar do Passado seja um Dark, afinal o foco da história é outro, mas temos sim um trabalho sobre a questão do loop (ainda que implícito), e uma pessoa mais atenta e cascuda em relação a essa temática certamente vai perceber. Enfim, fica aí a minha indicação… E quando você terminar de ver a obra (que está na Netflix, então não tem desculpa para não ver), poderá seguir adiante no texto, na zona de spoilers.

Zona de Spoilers


Enfim nos encontramos deste lado do texto! E aí, gostou do filme? Talvez você tenha estranhado um pouco o ritmo da narrativa, já que o longa é bem velhinho e foi feito para um público bem diferente do de hoje, mas ainda assim creio que você, assim como eu, tenha deleitado os olhos com a produção do filme e que tenha sonhado com este belo romance entre Richard e Elise. Aliás, que atriz linda, não é mesmo? A gente até entende o fascínio do protagonista em relação à mocinha, dada a sua beleza e elegância ao se portar. Mas tem que haver mais por trás deste fascínio do que mera admiração por beleza, não é mesmo? E é neste momento que se começam as teorias e o malfadado loop.


Afinal, quando nasceu o afeto de Richard por Elise… Foi nos anos 70 ou em 1912? Temporalmente, nem preciso falar que esta última data ocorreu primeiro no mundo… Então, teoricamente, ele teria conhecido seu par romântico antes mesmo de nascer! E será que isso teria influenciado sua alma que, antes mesmo de existir, já teria vivido ao lado de Elise e se apaixonado por ela? Olha só a nóia, minha gente! Se não faz sentido vocês podem dizer aí embaixo, nos comentários… E se faz sentido também.


A mesma coisa se dá com o relógio (aliás, que símbolo incrível do amor deles, não é mesmo? Um amor que sobrevive ao tempo só poderia ter como lembrança um relógio!). Se formos pensar sobre a trajetória de tal objeto, vamos perceber que, apesar de feitios de Belle Époque, ele não foi feito em tal período, pois ele chegou a 1912 junto com Richard, do futuro, tendo sido assim entregue como presente a Elise. Ah, então ele foi feito nos anos 70, não é mesmo? Nopes! Pois, se você lembrar, o relógio ficou de 1912 até os anos 70 junto a Elise, quando ela o deu a Richard após a apresentação de sua peça. Que doidera! Então esse objeto nunca foi feito… Ele sempre existiu em loop entre o casal? Bom, parece ser esta a resposta correta.



Falando ainda sobre viagem no tempo… Tem apenas uma coisa que não ficou claro no filme, e que eu gostaria imensamente que tivessem esclarecido, que é a presença de William Fawcett Robinson em 1912. Ora, se ele sabia tudo o que iria acontecer com Elise, se ele sabia que Richard iria chegar na vida dela e depois iria embora, ele só poderia ser do futuro também! Então… Mais especificamente, quem era ele? De que tempo era? Para o público da época, talvez tais questões não fossem importantes… Ele cumpriu com sucesso o seu papel como pedra no sapato de Richard, não é mesmo? Em termos do gênero romance, então, nada mais precisava ser explicado. Porém, para o público atual, que odeia quando ocorrem pontas soltas no roteiro, e que se interessa por detalhes a respeito do elemento fantasioso (a viagem no tempo), essa questão deixa a desejar.


Agora, se teve algo que ficou abundantemente claro (para o expectador mais atento) é que, pela forma como Richard viajou no tempo, ele jamais poderia ficar muito tempo em 1912. Vocês repararam como ele acordou encharcado em suor? Era o corpo dele reagindo à viagem, deixando-o doente. Imagina, se o professor Finney já ficou exausto por apenas passar alguns segundos no século XVI, imagina para o nosso protagonista, que ficou dias no passado! Ele deveria estar à beira da morte, sem água ou comida. Em resumo, se não fosse a moeda puxá-lo de volta para o presente, ele teria morrido em 1912, e em todo o caso ele e Elise não poderiam ficar juntos.


Aliás, falando na moeda… Que descuido, hein? E ele havia comprado as moedas da época para levar em sua viagem, porém deve ter trocado elas pelas novas. Mas também, para alguém que, depois de descobrir que tudo no ambiente deve remeter ao passado para se fazer a viagem no tempo, põe um gravador para autoinduzir uma hipnose… Um gravador! Não é de se admirar que fosse desatento e cometesse uma gafe dessas. Se não fosse isso, teria feito outra coisa, com certeza!


Bom, acho que já falamos tudo o que tínhamos para falar sobre viagem no tempo, não é mesmo? Que tal começarmos a conversar sobre outros elementos, como o cenário? Neste quesito, nada poderia ser mais interessante do que o Salão da História do Grand Hotel. Vocês repararam na parede vermelha? Ora, certamente ela não foi pintada assim por razão nenhuma! Geralmente pensamos o passado em preto e branco, mas o vermelho nos diz que o passado não está morto, que ele pulsa e vive! Além disso, nos dá uma noção de que a história não é algo inerte e sem graça, mas tão empolgante quanto o amor. Ah, sim! O vermelho é a cor do sangue, mas também a cor da paixão, dos sentimentos do nosso protagonista.


Era importante escolher a cor certa para a parede em que o quadro da Elise iria ficar… Afinal, foi por causa daquele quadro que a história aconteceu. É engraçado pensar nisso, não é mesmo? Que o quadro era a comunicação entre os protagonistas, visto que o sorriso que Elise demonstra na fotografia foi por causa de seu amado, e quando Richard admira a mesma foto em 1979, ele admira um sorriso que foi dado por causa dele, ainda que não soubesse disso. É, meus amigos… O amor entre eles estava destinado a acontecer, quer eles desejassem por isso ou não!


E aí, gostaram da resenha? Comentem abaixo o que mais chamou a atenção de vocês para o filme, e se shipparam o Richard com a Elise. Um beijin a todos, e um queijo também, e até a próxima!