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  • Gisele Alvares Gonçalves

Legend of the Seeker - de S1E1 a S1E6

E aí, magos e confessoras, tudo bem por aí? Hoje trago para vocês uma série antiga (de 2008-2010) que, na minha opinião, tem uma das construções de mundo mais interessantes e originais em termos de fantasia medieval. Não se enganem, não estou falando que a trama não é completamente clichê (porque é), mas as raças mágicas femininas inovadoras mais do que compensa este fato. Para além disso, os personagens são bem trabalhados e enfrentam dilemas morais que nos fazem refletir a cada episódio, tornando-a uma série profunda e muito interessante para se assistir.

Devo confessar que estou reassistindo a série para trazer estas resenhas para vocês, e estou me deliciando ao observar coisas que antes eu não dava bola, como a direção de câmera, por exemplo. É muito legal como se usa bastante slow motion nas cenas de batalha, e como elas são claras e com filmagem precisa, fazendo com que o expectador consiga ver perfeitamente cada golpe desferido. Esta é uma técnica que era comum à época, tendo sido usada, por exemplo, na série As Aventuras de Merlin (2008 – 2012), porém eu sinto muita saudade deste tipo de gravação de cena de ação.


Bom, estas foram as considerações mais gerais, porém agora faremos uma análise mais detalhada dos seis primeiros episódios da série, dado que escolhemos dividir cada temporada em quatro partes, para as resenhas não ficarem repetitivas, ao mesmo tempo em que assim poderemos captar alguns detalhes. Para quem não viu a série, pode ler tranquilamente sobre o primeiro capítulo, uma vez que este item não trará spoilers. A partir do segundo, no entanto, já começaremos a abordar questões mais pertinentes do enredo em si, então estejam avisados! Bom, estão prontos para esta viagem? Apertem os cintos e lá vamos nós!

1- Prophecy


Episódio de reconhecimento do mundo e da trama, além de apresentação dos personagens principais e suas interações. A trama, em si, não é impressionante, visto que Richard Cypher (o Seeker), é comparável a Jesus, a um messias. Até mesmo a questão de haver uma profecia prévia ao seu nascimento, em razão da qual todos os primogênitos de determinada cidade serem assassinados é inspirada na bíblia, mostrando que o forte da série não é originalidade de trama. Mas calma aí, não desista ainda! Apesar de clichê, a série é muito gostosa de se assistir, afinal tramas batidas também podem ser trabalhadas de forma profunda, como é este o caso.


O que se sobressai neste episódio é o próprio protagonista e o seu chamado do herói. Richard Cypher é apresentado para nós como o personagem clássico que, se fosse para Hogwarts, seria escalado para fazer parte da casa de Grifinória. Prestativo, ele não consegue se segurar a ajudar os necessitados, e acaba agindo sem pensar nestes momentos. Apesar disso, é um homem simples, de labutas pesadas, amores singelos (como seu pai e seu irmão) e pouca experiência em termos de mulheres, que pode se mostrar impaciente e impulsivo na maior parte do tempo. Em resumo, ele é um jovem sem maldade no coração, altruísta e empático que, acredito eu, muitos de vocês vão acabar por se apaixonar.




2 – Destiny


Após ser nomeado Seeker, acompanhamos a caça de Richard, Kahlan e Zeddicus a Ranssyn Fane (um personagem que tinha tudo para ser muito interessante, mas acabou por deixar a desejar por causa da má atuação de Andrew Robertt). Este episódio, na verdade, é continuação direta do primeiro, tanto que, originalmente, eles passaram em sequência na televisão. Sem muito tempo para sossego, temos a sensação de corrida contra o relógio o tempo inteiro, o que deixa a trama bastante empolgante, terminando com um clímax que quebra a previsibilidade até então seguida à risca: a destruição do Livro das Sombras.


Uma menção honrosa aqui para Chase Brandstone (que nome sugestivo, hein? É quase um spoiler para seu plot), um dos personagens secundários mais carismáticos que eu já vi em séries. Também, né? Interpretado pelo Jay Laga’aia, não tinha como errar! Para quem não reconheceu, ele interpretou o saudoso Draco em Xena: A Princesa Guerreira.




3 – Bounty


Terminamos, enfim, a apresentação de mundo e de personagens principais, e começamos a série propriamente dita neste ponto! E é só então que nos damos de conta que a trama se passará inteiramente em Midlands, e que a cada episódio teremos uma mini trama com resolução própria… De novo, modelo próprio das séries mais antigas, bem como Hércules: A Lendária Jornada, Xena: A Princesa Guerreira, As Aventuras de Merlin, Robin Hood e Os Mosqueteiros. Aliás, como os canais de TV gostavam de produzir esse tipo de série épica de aventura sem restrição de idade, hein? Hoje em dia quase não se vê mais isso, sendo Carta ao Rei uma raridade da atualidade.


Enfim, este episódio serviu para nos mostrar que a luta do Seeker não será solitária, pois ao acreditar e dar novas chances às pessoas (mesmo aquelas que lhe traíram), ele angariará seguidores por onde passar, e assim o que seria uma missão de um homem acaba por se tornar todo um movimento. Claro, mais adiante vai ter uns paranauês mágicos para a resolução da trama, que eu sei porque já assisti a série, mas em episódios como Bounty a gente percebe mais a questão de como as ações de Richard impactam a sociedade, e principalmente as pessoas com quem ele cruza.




4 – Brennidon


Com reviravoltas previsíveis e plot holes (sério que o Richard não perguntou o nome da própria mãe para a Brigid?), este episódio ainda ganha os nossos corações por vários motivos, sendo o principal deles conhecer a cidade natal do protagonista. É emocionante ver a ferida coletiva que o assassinato dos primogênitos deixou naquela sociedade, e também a grande opressão que eles enfrentavam ainda nos dias atuais… Mais até do que em qualquer outro lugar de Midlands. Eu julgo que o roteiro foi bastante sensível ao lidar com tais emoções, tendo sido um tema bastante acertado e necessário para a série.


Também foi interessante ver a repercussão da notícia de uma confessora nas proximidades, e ver a Kahlan servindo como juíza em pequenas causas não tem preço! Aliás, é interessante como a mitologia a respeito das confessoras (uma das coisas mais legais da série) vai sendo desenvolvida aos poucos, nos dando a verdadeira noção da complexidade dessa raça mitológica. Antes de encerrar meu comentário sobre este episódio, só quero deixar um desabafo pessoal: “eu usei proteção! Proteção mágica”. Gente, se essa série tivesse sido lançada nos dias de hoje, esta fala certamente teria virado um meme.


5 – Listener


Aqui temos outro personagem secundário extremamente carismático: o Renn, uma criança pra lá de mimada que, se você cavar lá no fundo, quase achando petróleo, vai perceber que é gente fina pra caramba. Nas primeiras cenas dele, e em especial na cena do faisão com amora, ele faz qualquer pessoa repensar sobre seu desejo de ter filhos… Mas ainda assim a gente adora vê-lo em cena, pois é muito divertido assistir a ele irritando o Richard e a Kahlan!


Infelizmente, a parte do Zeddicus (meu personagem preferido, diga-se de passagem) não foi tão interessante assim, ainda que tenha servido para nos mostrar a extensão do efeito da profecia do Seeker dentre o povo (com a questão do traidor e tal, e a forma como ele não parava de cantar mesmo sob tortura física). O próprio Zeddicus como infiltrado dentre os D’Harans, no entanto, não foi nem um pouco convincente, e aquele disfarce estava completamente ridículo, causando aquele velho sentimento de vergonha alheia.




6 – Elixir


Episódio pra lá de interessante, com vários dilemas morais e temas relevantes para a atualidade, como a questão do paralelo entre magia e drogas. Olha, eu iria mais longe e faria outro paralelo, muito mais presente na minha vida e na sua do que a questão do tráfico: a magia, neste caso, representa o caminho fácil, e o quanto é tentador para todos nós nos acomodarmos em utilizar atalhos, em não explorar todo o nosso potencial quando há algo que pode fazer o trabalho por nós. Eu digo isso porque o Richard, mesmo tendo muitos conhecimentos sobre natureza, caça e sobrevivência, não botou o cérebro pra funcionar, pensando primeiro na solução fácil, que era conseguir uma segunda poção.


Muitas vezes nós fazemos igual ao Richard, não é mesmo? A gente quer emagrecer, mas come um xis e toma uma coca, ou quer passar em um concurso, mas prefere ficar jogando na internet ao invés de estudar. A gente tem potencial para muitas coisas, mas escolhe não utilizá-lo. Como um professor meu um dia disse, quando a gente é criança, temos os adultos nos obrigando a fazer aquilo o que devemos, mas não queremos fazer… Ninguém nos avisa, contudo, que depois de certo tempo nós temos que ser nossos próprios pais, e nos empurrar a cumprir aquelas tarefas de que não gostamos. Nesse caso, Richard teve a Kahlan, teve o seu grilo da consciência o incitando a fazer o certo, mas na maior parte do tempo nós não temos ninguém a cumprir este papel. E aí, vamos levantar a bunda da cadeira e fazer aquilo o que precisamos fazer? Vamos nos treinar para alcançar nossos objetivos, quaisquer que sejam eles? Hoje vou ser uma Kahlan para vocês, então aproveitem, pois nem sempre temos estas oportunidades.



E aí, gostaram da resenha? Deixem aí embaixo, nos comentários, o que vocês acharam da série, e se não viram ainda, digam se pretendem maratonar ela nesta quarentena! Espero que tenha incitado vocês a assistir essa minha saudosa queridinha, para que possamos conversar futuramente sobre a trama e os personagens. Um beijo a todos, e até a próxima!