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  • D. C. Blackwell

O Céu da Meia-Noite - SEM SPOILERS


O longa dirigido e protagonizado por George Clooney traz toda a dramaticidade do pós-apocalíptico sem esperanças, evocando elementos de Logan, Interestelar e até mesmo Birdbox. Confira você as semelhanças entre as obras: Um homem solitário e terminalmente doente encontra esperança numa garotinha misteriosa que lembra de sua juventude; sendo que a única esperança está no espaço, onde os tripulantes sofrem com a saudade de seus lares e famílias; porém sem saber que a Terra foi totalmente devastada por um agente altamente mortal e contagioso. Acredito que essa premissa pode ser encontrada em fragmentos nas tramas que mencionei acima.


Dito isto, não achei a narração essencialmente ruim, mas lenta em alguns momentos, focando numa solenidade trágica forçada ao vermos a jornada de Clooney pela tundra gélida do Ártico. As cenas no espaço possuem um tom poético que toma conta do filme. Há um misticismo gostoso na maneira como a trilha e os efeitos especiais nos colocam diante da imensidão estrelada da Via Láctea, e até mesmo a morte na gravidade zero é bela e surreal. Ponto para o Clooney!



Sobre as tentativas da direção de nos conectar com o personagem de Clooney: não funcionou para mim. Achei que foi muito pouco e que podíamos ter nos concentrado muito mais em diálogos filosóficos da versão do passado do personagem ao invés das repetidas e, em grande maioria, tediosas no gelo ou no observatório. Acredito que as cenas dele poderiam ter sido muito mais interessantes ao abordarem questões humanas e existenciais logo ali, no fim do mundo, e teria cabido perfeitamente ao personagem devido à sua relação com a única saída para evitar a extinção da humanidade. Com uma pegada mais no estilo de A Chegada, a trama teria fluido muito mais.


O longa tem uma estética magnífica e uma trilha sonora poética que nos faz mergulhar de cabeça nessa história, sendo, sem dúvida alguma, o ponto alto dele. A atuação de Clooney é impecável, porém sua direção ainda precisa de ajustes para medir o tempo e o nível de emoção e de tensão ao longo da trama, problema constante que se apresenta, em especial, na intercalação entre espaço e Terra. As cenas pausadas têm seu valor sentimental, mas são só um lado da moeda.



O outro lado é a conexão sentimental com os personagens, que não foi muito bem desenvolvida, e nisto se inclui o pouco tempo de tela das cenas do passado de nosso protagonista e a falta de um motivo plausível para o fim do mundo. Durante o longa, não sabemos como, quando, por quê ou o quê aconteceu, e não há esforço algum para fornecer algum tipo de autenticidade à proposta do filme, o que geralmente é sinal de roteiro preguiçoso. Ou pode ser originário do livro do qual se adaptou a história… De toda forma, não caiu bem na minha tela da Netflix.


Tirando alguns problemas de ritmo e de profundidade narrativa, este é um filme artisticamente razoável. Não é, entretanto, um merecedor de Oscar, mas pode trazer algumas reflexões e marcar com suas trilhas e cenas espetaculares e até sombrias às vezes. Recomendo? Sim, só não garanto que você sairá plenamente satisfeito dessa.