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  • Gisele Alvares Gonçalves

O Último Samurai

Olá a todos amantes da cultura oriental, tudo bem com vocês? Hoje estamos aqui para falar deste filme incrível, que é basicamente obrigatório para todos os que se interessam pela história do Japão e pela sua cultura. O Último Samurai é aquele filme clichê, porém feito com primor e muito bem roteirizado, sobre um homem que está perdido, e acaba se apaixonando por um povo e suas tradições, o que acaba se tornando o mote para a dramaticidade da história. Lutas épicas, romance fofo e um herói imperfeito, quebrado e deprimido, que aos poucos vai descobrindo o sentido da vida ao lado de um grande sábio (e samurai)… É isto o que você irá encontrar neste longa! E quanto à resenha, o que você vai encontrar nela? Bom, nesta primeira parte do texto teremos uma análise sem spoilers, para convidar a todos a assistir a este filme de 2003… Da metade em diante, teremos delimitada a zona de leitura para aqueles que já conhecem o longa, para uma análise mais aprofundada. E aí, partiu falar sobre O Último Samurai? Partiu!


Sobre figurino e cenários, nada tenho de críticas… Tudo perfeito e imersivo, e o fato de realmente termos atores japoneses em toda sessão oriental do elenco, isso é sensacional! Nada de estadunidense com descendência nipônica, nada de chineses… Tirando os personagens que são, evidentemente, norte-americanos, como o protagonista (interpretado por ninguém menos do que Tom Cruise), temos apenas japoneses raiz, o que faz com que consigamos acreditar muito mais na história que nos está sendo apresentada. Seguindo neste rastro, os diálogos em japonês (com legenda em português, obviamente) nos fazem imergir ainda mais neste mundo, de forma que realmente acreditamos que estamos no Japão da era Meiji. Só por estes fatores, já conseguimos perceber que o filme é genial.


Apesar de termos toda essa imersão em tais fatores, no entanto, o estilo de narrativa e de direção do filme são completamente ocidentais, de forma que não nos causa estranhamento. Por exemplo, apesar de usarem técnicas japonesas de combate nas cenas de luta, os personagens não dão saltos impossíveis, nem realizam nenhuma proeza fantástica, como é comum nos longas orientais. Ao contrário, tudo é muito realístico e dramático, como nós gostamos. Aliás, bota drama nisto… O roteiro traz apresentações de personagens bastante densas e profundas, e chega a ter partes até mesmo filosóficas! Para quem está cansado de filmes com ação rasos e mal roteirizados, está aí um prato cheio para assistir neste fim de ano.



Ainda não se convenceu de que este é um filme incrível? Calma, tem mais coisas a elogiar! Começando, é claro, pela trilha sonora, composta por ninguém menos do que Hans Zimmer, um cara que já compôs música para muitos, muitos filmes, incluindo Piratas do Caribe. É, meus caros… O bagulho é sério aqui! Em O Último Samurai, Zimmer apostou em uma trilha suave, emotiva, e que pega muito do espírito do Japão, em especial pela utilização de instrumentos folclóricos (tenho adoração por compositores que fazem isto). Interessante notar que, apesar de se tratar de um filme que tem a maioria de personagens masculinos, que retrata ação e guerra, ainda assim a trilha sonora é romântica, feminina e com uma pegada espiritual (quem pratica yoga pode muito bem utilizar a música do filme em suas sessões). A questão que Hans Zimmer tenta nos passar é que, apesar do choque das espadas, o mais importante nesta história não são os golpes e as lutas, mas sim o sentimento por trás delas, a dramaticidade, a romanticidade e sabedoria desta cultura milenar. Para mim, esta foi uma escolha muito inteligente, e colaborou para a densidade do filme.


Agora já te convenci a assistir a O Último Samurai, não é mesmo? Então corre lá para procurar o filme, e não se esquece de retornar aqui para acompanhar a segunda parte deste texto, específica para quem já conhece o longa. E aí, já assistiu? Bora então falarmos sobre os detalhes da trama!

Zona de Spoilers


Mas enfim, sobre o que é, de verdade, o filme O Último Samurai? Qual é esta grande filosofia que a trama nos traz, às vezes de forma velada, e às vezes explícita? Talvez, todo o mote da trama possa ser condensado no último discurso do imperador Meiji, em que ele conta que sonhou com um Japão forte e moderno, mas que havia entendido, com a morte de Katsumoto, que não podia esquecer as suas origens. Isto vale para todos nós, a todos os povos: a querela entre antigos e modernos pela alma de um país continua acontecendo, todos os dias, onde quer que se vá neste mundo. E aí, qual ideal é o melhor, qual está certo? De acordo com O Último Samurai, os dois são lados da mesma moeda, e precisam se unir para construir o melhor futuro para a nação.


No filme, os samurais representavam a tradição, a forma antiga de viver. Ainda assim, e isto é interessante, o fato de que eles aceitam serem fotografados por Simon Graham mostra que eles estavam dispostos a aceitar a tecnologia, até o ponto saudável. Outra passagem do longa que mostra tal realidade é o momento em que Katsumoto entrega a espada a Algren, dizendo que, nele, o antigo e o novo se uniam. Cara, é de arrepiar esta cena! Eu amo o que ela representa, esta união de ideias, e o caminho a se tomar para o futuro. A fala do samurai nos mostra o quão fútil são as brigas, as separações, as segregações de ideias… Afinal, as maiores verdades nascem do debate não entre pessoas que pensam igual, mas entre aqueles que divergem.



Se ao menos pudéssemos ser mais como Katsumoto e Algren, e buscarmos a união entre o que se é e o que se poderia ser! Se ao menos tivéssemos a vontade de entender o outro, mesmo que ele seja de uma cultura diferente, e de respeitá-lo em suas diferenças… Acredito que o mundo seria um lugar melhor. Afinal, a forma de vida dos samurais imbuiu um homem moribundo de vontade de viver novamente, e os contos sobre o ocidente, sobre o general Bagley, inspiraram Katsumoto a lutar. É engraçado isto, mas se a cultura oriental deu propósito de vida a um homem depressivo, o próprio Algren também ajudou a manter Katsumoto vivo, impedindo-o de cometer suicídio, indo contra a própria cultura samurai. É como se essas duas almas houvessem se tangenciado, mudando uma à outra simultânea e irreversivelmente.


E o que dizer do romance entre Algren e Taka, senão este princípio da interculturalização sendo materializado? Afinal, dentre todos os samurais da vila, Taka se apaixonou pelo diferente, pelo homem que a ajudava nas tarefas de casa, pelo estrangeiro que, aos poucos, foi aprendendo sua língua, mas que vinha de um próprio tronco linguístico muito, muito diferente. É interessante isso, aliás, como o filme respeita a noção da dificuldade de se estar em um ambiente que possui uma língua diferente… Resguardadas as possibilidades hollywoodianas.


Maior materialização da troca cultural, no entanto, é o próprio final do filme, quando Katsumoto aceita que Algren planeje a estratégia da batalha, entendendo que, para se combater ocidentais, é preciso se pensar como um. É interessante isto, porque até mesmo Omura não ouve coronel Bagley, sendo que estava pagando os topetes a ele, por confiar em suas experiências militares. E isso que Omura não era um guerreiro, mas um homem de escritório! Já Katsumoto, líder de guerra como ele era, percebeu, por sua sabedoria, que Algren tinha mais a colaborar naquele caso do que ele próprio, e acabou por aceitar todas as sugestões do ocidental.


Tudo isto o que comentamos é sobre a interculturalização boa e saudável, porém do outro lado temos Omura, que quer simplesmente apagar tudo o que o Japão é para torná-lo ocidental. Uma coisa é aprender com pessoas que pensam diferente de nós, outra é esquecer quem nós somos! Este tipo de interação causa feridas emocionais, expostas no filme no momento da morte de Katsumoto, quando o próprio exército japonês percebe o erro de suas ações, então ajoelha em homenagem do herói caído. Gente, que cena bem filmada! O diretor não teve pressa nas tomadas, de forma a extravasar o luto que tomou conta dos personagens, e nos deixando com lágrimas nos olhos. Só de lembrar da cena já tenho vontade de chorar! Afinal, este é o efeito de O Último Samurai sobre nós, ou ao menos daqueles que veem na morte do Katsumoto a perda das tradições deste mundo… E você, chorou também na última cena?


Por fim encerramos este texto, com esperança de que vocês tenham gostado do filme (e da resenha)! O que vocês pensam sobre O Último Samurai? Concordam com o meu ponto de vista, ou têm outra leitura sobre o longa? Comentem aí abaixo o que pensam sobre isto, quero muito trocar ideia com vocês! Por hora, no entanto, eu vou me despedindo… Deixo um beijo e um queijo com vocês, e uma vontade imensa de que possamos nos encontrar em outras resenhas aqui no site. Até a próxima!