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  • Angers Moorse

O Esquadrão Suicida - o que achei do filme (COM SPOILERS)



Salve, salve, galera! Finalmente, o tão aguardado filme do diretor James Gunn na DC saiu! O Esquadrão Suicida foi lançado em 5 de agosto, tanto nos cinemas quanto no HBO Max (nos EUA) e já chegou arrebentando a porta na base da voadora. Sem papas na língua, com piadas o tempo todo, linguajar desbocado e muita piração (e sangue também), a nova versão chegou para enterrar de vez aquela tenebrosa versão do diretor David Ayer.


Tudo bem, o cara é um bom diretor e tem filmes muito bacanas como Os Reis da Rua (2018, como diretor) e U-571 e Velozes & Furiosos (2000 e 2001, respectivamente, ambos como roteirista)... mas em sua tentativa de adaptar Esquadrão Suicida às telas, não foi nada feliz. Felizmente, Gunn conseguiu corrigir vários desses erros em sua visão.


Inicialmente, devo dizer que foi um filme que desperdiçou logo de cara muitos personagens interessantes (ou não), como Doninha, Sábio e Rick Flag, e isso já foi um baita susto. Mais tarde, entendemos o porquê desse desperdício… embora eu ainda não tenha digerido bem essa justificativa.



Visualmente, o filme é muito bom. Abuso de cores e takes em slow motion, principalmente em cima de Arlequina. Aliás, uma das cenas mais bonitas em termos de fotografia é justamente com ela. Outras cenas também ficaram bem interessantes, como as cenas das lutas dos anti-heróis contra o vilão Starro. Boa parte do filme possui ambientes mais escuros, trazendo um clima mais pesado e sombrio.


Em termos de trilha sonora, ficou show de bola. Com faixas de Johnny Cash, Kansas, Jessie Reyes e até nosso brazuca Marcelo D2 (com a faixa Meu Tambor), vale meter aquele volume no talo para curtir o som! Não podemos deixar de destacar o compositor John Murphy, responsável pelas faixas instrumentais que também deram o clímax perfeito a cada cena.


Muitas pessoas reclamaram bastante do excesso de piadas durante o filme, quebrando muito o clima da maior parte das cenas… ou nem deixando acontecer clima algum. E mais, esse excesso de gracinhas acabaria não deixando o espectador se afeiçoar a algum personagem. Minha opinião? Depende.


Quando você analisa os personagens e seus poderes fica meio óbvio que o filme não teria uma pegada séria em sua maioria. Um Pacificador que só tem paz no nome, um cara que arranca os membros de seu próprio corpo e os usa como arma, um vilão que usa um traje com bolinhas coloridas que podem se transformar em armas, um cara cheio de válvulas na cabeça, uma jovem que controla ratos, uma doninha pra lá de bizarra e um tubarão meio avoado… e nossa rainha Arlequina, além do Capitão Bumerangue, entre outros. Tem como não ter piadas, zoação e palavrões com uma galera dessas?


Sobre o roteiro, achei que foi um pouco acelerado demais em alguns pontos, principalmente em relação ao desenvolvimento de alguns personagens. Tipo, deu para entender alguma coisa mas alguns pontos do passado desses personagens ainda ficaram um pouco perdidos. Porém, não é algo que estrague o filme ou prejudique a experiência.


A treta toda gira em torno do envio de uma equipe pra lá de bizarra, a Força Tarefa X, para localizar e destruir algo chamado “Projeto Starfish” em Corto Maltese. Obviamente, as coisas não dão muito certo e os personagens precisam dar um jeito de escapar dos inimigos e sobreviver aos perigos que os cercam.



Falando agora dos personagens, focarei apenas em alguns principais, já que uma galera nem deu o gostinho no filme… passaram mais rápido que o cometa Halley! Essa foi justamente uma bronca minha com o roteiro, que fez a burrada de sacrificar personagens muito legais logo no início da trama.


De cara, os personagens “descartáveis” da trama (opinião minha): Mongal (Mayling Ng), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Sábio (Michael Rooker), Dardo (Flula Borg) e O.C.D. (O Cara Desacoplado), também chamado de T.D.M. (The Detachable Man), interpretado por Nathan Fillion.


Entre os traíras (e FDPs), temos: Blackguard (Pete Davidson) e Amanda Waller (Viola Davis). Aliás, capricharam no sarcasmo, asquerosidade e idiotice desses dois aí… nunca passei tanta raiva com dois personagens em um filme! Primeiro, porque Blackguard foi o legítimo FDP com a galera, entregando todo mundo de bandeja.


Em segundo lugar, Amanda Waller foi capaz de me fazer querer pular pra dentro da tela e arrancar a cabeça dela de tão desgraçada que foi durante todo o filme. Ainda bem que a justiça foi feita… mas ainda achei que foi pouco pra ela… beeeeeeeeem pouco para o que ela merecia.


Sobre os personagens que me deixaram mais puto da cara por terem sido desperdiçados tão cedo, certamente o Doninha (Sean Gunn) foi o principal. Eu estava esperando uma interação durante o filme entre ele e o Tubarão-Rei, mas nem deu tempo de aquecer as esperanças. Se teve uma coisa que me deixou puto da cara no filme, foi isso.


Achei muito foda o visual do personagem e, mesmo com o final do filme, ainda assim, recuso-me a aceitar o que fizeram com ele na trama… foi, no mínimo, uma baita sacanagem e um baita desperdício de personagem… e fiquei ainda com mais raiva da Amanda Waller por causa disso.


Ah, antes que eu esqueça, não posso deixar de mencionar a presença da nossa amada e querida Alice Braga no elenco do filme. Sim, a brasileira interpretou a personagem Sol Soria, uma líder revolucionária que encabeça um grupo de membros da resistência e tenta encontrar formas de derrubar os generais que comandam a ilha de Corto Maltese. Mandou bem pra caramba no filme!



Sobre os demais personagens, começamos com o Pensador (Peter Capaldi). Mandou muito bem no papel e logo nas primeiras cenas já mostrou intelecto muito elevado. Lembrou-me muito do Thanos, principalmente por suas motivações (no mínimo) questionáveis e justificáveis. Infelizmente, teve um final pra lá de bizarro, mas conseguiu mostrar sua importância na trama.


Rick Flag (Joel Kinnaman) foi um personagem muito badass no longa, não economizando na ação e no sangue. Até dei uma shippada nele e na Arlequina em certo ponto da trama, mas teve um dos finais mais dramáticos da trama. Decisão acertada, embora tenha sido de cortar o coração.


Hora de falar sobre o Pacificador (que só tem esse título no nome mesmo). Pensei num cara badass e loucão… e multiplica! Contudo, o monte de músculos e força bruta é proporcional à arrogância, babaquice e idiotice dele. Chegou a matar um dos principais personagens e só teve seu final merecido (será???) nas últimas cenas. Tretou com Sanguinário o filme inteiro para ver quem era o “macho-alfa” do grupo e soltou várias piadas sobre pinto, rola, mandou meio mundo t...n...c… e por aí vai. Bem no estilão soldado americano: atira, destroça, arranca pedaços e mata primeiro… e pergunta depois.


Em relação ao personagem Sanguinário (Idris Elba), foi um dos únicos personagens não cômicos ao longo da trama, embora com algumas tiradas engraçadinhas, principalmente na interação com a Caça-Ratos 2 e o pavor dele em relação aos bichinhos. Aliás, essa minha curiosidade sobre o medo dele foi devidamente explicada além da metade da trama e resultou em um final incrível para o personagem. Se tem um cara para o qual o roteiro acertou em cheio, foi para o Sanguinário!



Agora, destaques para meus personagens favoritos do filme. Iniciando com a Menção Honrosa, quem achava que o estranho e inocente Bolinha (David Dastmalchian) seria apenas um ponto de alívio cômico, se deu mal. Sim, teve suas piadas, mas também comprou briga e arrancou miolos dos inimigos quando foi preciso.


Nada daquelas coisas de “ain, não sei se é certo ou errado”, “ain, mas eu estou com medo”... nada disso! O cara mandou bem demais no filme e teve um dos finais mais desmerecidos no longa… merecia ter uma sorte melhor. O mais legal foi ver ele colocando seu pior pavor como estímulo para enfrentar os inimigos… foi insano!


A medalha de bronze vai para Arlequina (WHAT???). Assustados? Calma, explicarei minhas convicções. Sim, ela foi fodástica no filme. Sim, ela foi muito melhor aproveitada. Sim, ela esteve divando ao longo das cenas. E, sim, ela roubou a cena com seus diálogos desbocados e suas atitudes insanas.


Porém, achei que ela foi um pouco exagerada em algumas piadas e em algumas cenas, como a do sexo com o ditador General Presidente Luna (Juan Diego Botto) e a piadinha da chuva comparada à ejaculação de anjos (pegou pesado nessa). Esteve muito melhor no filme, mas não conseguiu me conquistar tanto quanto os dois próximos personagens.


A medalha de Prata vai para um personagem bobinho, grandão, com uma barriga à la Thor de Vingadores: Ultimato e dona de um apetite voraz e insaciável. Estou falando do Tubarão-Rei (Sylvester Stallone), que roubou a cena em praticamente todos os momentos em que esteve em tela e proporcionou um dos bordões e memes mais engraçados dos últimos tempos.


Impossível não comparar a cena onde Sanguinário incita Nanaue (o nome real dele, sendo filho de uma mulher nativa e do deus tubarão do Pacífico, Chondrakha) contra o vilão Starro (falaremos sobre ele à frente) com a cena de Capitão América incitando Hulk contra o exército Chitauri em Vingadores. A comparação entre “Hulk… esmaga!” e “Nanaue… Nham nham!” é inevitável e garante risos imediatos!


Bichão aguentou pancada e interagiu muito bem com os demais personagens, tretanto com alguns deles, inclusive. Entre tiros, pancadas e corpos e cabeças arrancadas, ainda mostrou um lado pra lá de fofo e gentil… quem não queria fazer um agrado em Nanaue?!?



Antes da medalha de ouro (acho que mais que óbvia e merecida), preciso falar sobre o vilão. Embora eu considere a Amanda Waller muito mais vilã que o próprio General Luna e o próprio Starro, oficialmente a estrela-do-mar extraterrestre gigante é o principal vilão do longa. Sinceramente, foi muito estranho ver ele como vilão, ainda mais pela forma como ele arremessa suas mini-estrelinhas em cima das pessoas (que, na realidade, são parasitas e precisam de hospedeiros para sobreviverem).


Por outro lado, Starro mostrou que não não estava ali para brincadeiras e não deu chances a vários personagens, incluindo o Pensador, que foi quem fez inúmeras experiências com ele. Nem mesmo Bolinha e o Tubarão-Rei foram páreo para Starro, mesmo dando vários danos ao vilão. Curti muito o visual de Starro, bem colorido e cheio de atitude… e ainda conseguimos sentir pena dele no final do filme, por motivos mais que óbvios.


Quando ele diz “Eu estava feliz, flutuando, admirando as estrelas”, você percebe que a ganância humana não tem limites. Por que diabos mexer com algo que não está incomodando? Custava ter deixado ele quietinho lá no espaço? Mais uma vez, vemos a mostra de que quando a arrogância e a ganância falam mais alto, a imbecilidade humana extrapola todos os limites lógicos e legais… vale a reflexão.


Agora, sem mais delongas, vamos à medalha de ouro que conquistou corações ao redor do mundo. Tem como não ter se apaixonado pela personagem Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior) e seu simpático ratinho Sebastian? Cara, fazia tempo que uma personagem não me conquistava tanto assim… já virou meu crush dentro da DC!



A atriz portuguesa tem uma história interessante: nos testes para a personagem, ela foi indicada nos últimos instantes para realizar os testes e chegou toda produzida e maquiada. Isso fez com que tanto James Gunn quanto os produtores do filme não curtissem muito ela à primeira vista. Mas foi justamente nos testes com os ratos que ela conquistou todo mundo ... o resto da história, já sabemos.


A Caça-Ratos 2 teve um desenvolvimento impecável na trama e teve interações perfeitas com vários personagens, seja nos momentos bons e fofos, seja nos momentos ruins e tristes. Destaques para as relações entre ela e o Sanguinário e o Tubarão-Rei, que quase a devorou e chegou a levar tiro do novo “paizão” dela. Entretanto, essa relação entre ela e o Sanguinário não ficou nada clichê.


Nem mesmo aquela tradicional premissa de amigos que viram uma grande família foi seguida, e isso é muito mérito da Caça-Ratos, que conquistou todo mundo mas sem virar aquele pote de melado que estamos acostumados a ver por aí. Agora, o que me deixou assustado é o fato de que James Gunn cogitou matar ela no filme… pô, James… pra que fazer isso??? Ainda bem que ele mudou de ideia e acabou sacrificando outro personagem (que também achei sacanagem ter morrido).


Ainda bem que a Caça-Ratos 2 ficou viva para contar a história (sério, se ela morresse, eu tinha parado de ver o filme na hora). E mais: mesmo com o visual todo arrebentado, ela é linda demais, meu Deus!!! Não tem como eu dar o ouro para outro personagem… Caça-Ratos 2 e Sebastian foram a cereja do bolo!


ALERTA DE SPOILER!!!



Ah, antes que você pare de ler, tivemos uma cenas pós-créditos (ou, pré-créditos) no filme. A primeira parte da cena mostra que o Doninha não morreu. Do nada, ele acorda na praia, no susto, e retira a água dos pulmões, saindo correndo mata adentro. Possivelmente, alguém ficou arrependido de ter matado ele já nos 5 primeiros minutos do filme e decidiu dar uma nova chance em uma eventual sequência, que não se sabe ainda se acontecerá ou não.



Já a segunda parte mostra algo meio que óbvio, que é o Pacificador em uma espécie de hospital se recuperando de seus ferimentos mortais. Uma vez que a série focada no personagem já está na agulha para ser lançada, era certo e preciso que ele precisaria sobreviver ao final do filme. Como meu ranço dele ainda não passou, vou demorar um tempo até criar coragem para ver a série.


Em linhas gerais, o que achei do filme? Uma borrachada no capricho em cima do fiasco de 2016! Muito sangue (e põe muuuuuuuuito sangue, tripas e corpos esquartejados rolando no chão e pelos ares!), piadas e palavrões em quase 90% do filme, entretanto com vários personagens completamente descartáveis e alguns que deveriam ter sido melhor aproveitados. E a dúvida que não quer calar: alguém viu o Milton aí (kkkkkk)???


Ainda, tivemos personagens que não mereciam o final que tiveram e outros que roubaram (e muito) a cena e conquistaram nossos corações. Definitivamente, James Gunn mostrou que é O CARA para pegar um grupo de personagens Lado B das HQs e transformá-los em sucesso garantido! E que venha o diretor com Guardiões da Galáxia Vol. 3 agora no MCU!



Ah… e lembre-se do mantra do nosso amado personagem Tubarão-Rei: quando as coisas não saírem do jeito que você pensa, faça um Nham nham nos seus problemas!