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  • D. C. Blackwell

O gênero do terror em 3 tópicos

O mundo do terror é muito rico em detalhes e práticas. O próprio gênero e sua popularidade é motivo de diversos estudos, e por isto vou listar aqui alguns tópicos sobre o que compõe uma boa obra de terror.


Reações Empáticas


Uma boa trama de terror não precisa ser muito complexa. E personagens que reagem coerentemente às situações que lhes são apresentadas compõem boa parte da receita para o sucesso. Veja bem, o terror é sobre pessoas vivenciando eventos traumáticos e tentando lidar com eles. Se um personagem presencia a morte brutal de outra pessoa nas mãos de um assassino impiedoso, sua primeira reação pode ser desde uma fuga atrapalhada até um estado de paralisia, mas nunca de partir para cima do vilão. O trauma deve permanecer na mente do personagem, atrapalhando cada tentativa de sobrevivência, afetando como este percebe o mundo e reage aos eventos e relações que virão a seguir. Mas atenção: isto não significa que o personagem deve manter-se nos padrões de conduta de uma pessoa normal. Pelo contrário! Em Evil Dead (A Morte do Demônio), por exemplo, Ash protagoniza a cena icônica em que ele enlouquece de vez, dando uma risada histérica. Em Corra, o protagonista é tomado por uma fúria assassina, que é algo bastante incomum. Entretanto, mesmo que os personagens saiam do comportamento que uma pessoa normal teria, é importante notar que as situações vividas pelos personagens são tão extremas quanto suas reações, ou seja, somos capazes de compreender como eles vieram a tomar suas decisões, por mais violentas ou loucas que sejam.


Mistério


Algo que muitos filmes fazem – e acabam fracassando por isso – é uma superexplicação de elementos do filme que não precisam e/ou não devem ser explicados. Geralmente, esse tipo de coisa acontece no meio do filme, levando os personagens a uma jornada em busca da solução para o problema. Resultado: o Terror vira Aventura. E isto tem um bom motivo, pois quando sabemos com o que estamos lidando – seja um monstro ou um assassino, ou até mesmo um carro possuído por um espírito do mal -, tendemos a perder o medo daquilo e no inclinamos a buscar um meio para derrotar seja lá o que estiver nos fazendo mal. Como eu comentei anteriormente, um roteiro de terror não precisa ser complicado. O objetivo do filme é causar medo, e o cerne do medo é o desconhecimento, o mistério. Em O Farol, por exemplo, nos mantemos desconfortáveis do início ao fim com a nossa incapacidade de discernir o que é real e o que não é. Se em algum momento nos fosse revelado o grande mistério do Farol, ele perderia completamente a capacidade de nos manter grudados na cadeira, ansiosos e receosos pelo desfecho da trama. Que conste que não estou dizendo para deixar o espectador no escuro, mas sim numa penumbra, onde este possa observar apenas o necessário para que este fique com medo de acender as luzes.


Ambientação


O terror não está apenas no “quem” ou “o que”, mas também no “como” e no “onde”. Você já deve ter visto um filme assim: O personagem está sendo perseguido, mas em determinado momento, ele pára e se esconde. Neste momento, a trilha sonora cessa completamente e o personagem – junto com o espectador – prende a respiração enquanto o monstro quase o pega. Tudo no cenário é importante, desde a iluminação aos efeitos especiais, trilha sonora e ritmo. Esta é uma das partes mais interessantes numa obra de terror, porque é aqui que lidamos mais com o psicológico do espectador. Sabia que existe uma teoria que fala a respeito da reação instintiva que a maioria das pessoas tem em relação a bonecas e manequins, por exemplo? A hipótese chamada Vale da Estranheza fala sobre esse aspecto da mente humana que é capaz de reagir violentamente ante a visualização de coisas que se parecem humanas, mas que não são. Este é apenas um dos muitos recursos utilizados na ambientação de obras de terror como um todo.

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