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  • D. C. Blackwell

O Grito



Bem-vindos a mais uma resenha da Escurinho do Cinema!

        Eu sou D.C. Blackwell e hoje é dia de falar de uma daquelas franquias de filmes que repetem a mesma fórmula por décadas, mas que a gente continua indo assistir no cinema, sabe-se lá o porquê. 


Sim, estamos falando de O Grito!


        Mas disso, vocês já sabiam. O Grito é o tipo de filme do qual já esperamos certas coisas, e, por um lado, isso é bom. A baixa expectativa em relação ao roteiro me fez prestar atenção em outras coisas, e, acredite ou não, achei o novo longa de terror inovador dentro de sua própria franquia.

Vamos aos fatos


         Os personagens até que são legais e bem construídos – ao menos para um filme que se divide em três tramas distintas, acontecendo em linhas temporais diferentes. São 90 minutos de filme, ou seja, uma estimativa de 30 minutos de tela para cada cronologia. Isso é menos que a duração de um episódio de série, gente. E, não sei vocês, mas eu achei interessante a maneira como os eventos se desenrolaram. Gostei do fato da protagonista ser uma policial. Isso é algo que não se vê todo dia num filme de terror, justamente pela questão de treinamento físico e psicológico que uma pessoa com esse perfil tem, sendo apenas mais complicado trabalhar o elemento terror sobre ela.



        Outra coisa legal é a forma como o medo está diretamente vinculado à loucura neste longa. A abordagem é bastante interessante e condizente, já o medo nos torna irracionais, impulsivos e imprevisíveis. Tudo isso culmina no medo do desconhecido, daquilo que não conseguimos antecipar ou prever, e é por isso que é tão fantástica a maneira como os personagens vão enlouquecendo ao longo da trama e dos eventos traumáticos que os perseguem. Graças a isso, o terror também pode acontecer à luz do dia e até mesmo nos climas mais hospitaleiros.



A Parte Ruim:


         Nem tudo são flores, afinal. Acredito que o maior pecado desse filme é não ter se dado o tempo necessário para o desenvolvimento dos personagens e dos eventos. O processo de enlouquecimento da primeira família foi muito gostoso de assistir, mas terminou um pouco atrapalhado, meio que na pressa... Da mesma maneira que as conclusões das outras duas tramas. Os eventos em si são todos muito bem elaborados e poderiam ter funcionado melhor com uma direção mais ágil na hora de conectar as tramas.



         Como já disse antes, este novo O Grito é a prova de que a fruta não cai longe do pé. Pegue um tema atual, como é o aborto, salpique com um pouco de loucura e misture tudo com um espírito vingativo impossível de ser detido. Esse é o segredo da franquia. Não espere muito dela, e sairá da sessão de cinema bem servido de uma história cuja trama poderia ser narrada em um pequeno conto. Inclusive, esse filme me deu ideias...


Fica a dica, minhas crianças: não invadam a propriedade alheia! Pode haver uma maldição oriental rancorosa nela.