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  • D. C. Blackwell

O Grito: Origens – Parte 1 de 2 (Capítulos 1-3)

Algumas franquias simplesmente não morrem. Sagas como Sexta-feira 13, Jogos Mortais e, é claro, O Grito tornaram-se verdadeiros pilares do terror popular, transcendendo o objetivo original de provocar medo e criando um produto com uma marca reconhecível e familiar aos fãs do gênero. Não que eles sejam incapazes de dar sustos, mas é que já conhecemos a velha formula e geralmente não somos mais pegos desprevenidos. Este é um cenário que vem mudando pouco a pouco com produções mais exóticas e de roteiros mais complexos como O Farol, A Bruxa e Midsommar, e O Grito: Origens, disponível desde o dia 3 de julho na Netflix, parece querer fazer parte de um terror mais imprevisível e ousado.



Com cenas pesadas e brutais de violência doméstica e estupro de vulnerável que retratam uma terrível realidade do Japão, a minissérie de seis episódios conta a história de diversos personagens cujas tramas se cruzam e se misturam, tendo como ponto central uma casa mal-assombrada que parece despertar a ira de um fantasma de uma mulher misteriosa portando um recém-nascido nos braços sobre todos que lá entram.

Os primeiros três episódios são um tanto bagunçados. Sem muitas pistas sobre como chegaremos à origem do fantasma de O Grito, que é a óbvia proposta da minissérie, acompanhamos A) os eventos traumáticos da trágica vida de Kiyomi Kawai e sua transformação de adolescente inocente a mãe refém de um marido violento e abusivo e B) a jornada de um escritor e uma viúva em busca de respostas pela morte de seu marido. Os episódios, provavelmente por serem curtos – de trinta minutos -, não parecem tentar fazer sentido individualmente. Ao invés disso, nos incitam a assistir ao próximo episódio na tentativa de juntar algumas peças e formular uma teoria sobre como as coisas se encaixam. É notório que só saberemos todas as respostas no último momento do último episódio, o que me deixa ainda mais ansioso para terminar!


Sobre o quesito terror, a série trabalha bem a tensão e renova a franquia com uma ambientação que foge da clássica ideia de corrida contra o tempo e embarca num longo e melancólico passeio através dos vários anos em que a história se desenvolve. Vagamos, nestes primeiros três episódios, por um Japão desprovido de amor ou compaixão, que deixa suas filhas à própria sorte, sem nem sequer receber proteção de suas mães. E o terror, mais do que no sobrenatural, mostra-se naqueles momentos absurdos em que presenciamos atos de crueldade serem realizados contra pessoas indefesas sem que possamos fazer nada a respeito, presos do outro lado da tela, impotentes.

Até o momento, O Grito: Origens tem se mostrado uma obra promissora e que aborda temas delicados e atuais sem medir esforços para conscientizar problemáticas que para muitos de nós são apenas histórias de terror, mas para tantas outras pessoas, são a mais pura realidade. Tenho grandes expectativas para a conclusão da minissérie e assistirei aos capítulos de desfecho ansiosamente.

Um abraço do tio Blackwell e até semana que vem.