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  • D. C. Blackwell

O Homem Nas Trevas 2 - Crítica

Então tá, vamos direto ao ponto: Foi ruim. Ruim mesmo.


Pra quem quer mais detalhes, o primeiro ponto que estraga o filme é o fato de que essa era uma continuação que ninguém pediu. Mas tudo bem, várias vezes já aconteceu da sequência superar o original, não é? Pois não é o que acontece aqui. Se o primeiro já tinha seu parzinho de inconsistências, este descarrega uma pilha delas. A imersão presente no primeiro não retorna para a sequência por conta da quantidade de mudanças na própria personalidade do Homem Nas Trevas.


A proposta inicial até parecia interessante. Dessa vez, os invasores estavam preparados, e o nosso caçador acabou virando presa. Na prática, o longa perdeu toda a tensão do ponto de vista dos protagonistas, aquela incerteza de qual seria o próximo movimento do vilão cego e completamente psicótico. Desta vez, o que nós temos é um velho que apanha muito e que acaba sendo colocado no papel de mocinho, gerando dois efeitos terríveis:


Primeiro efeito é a romantização do maluco homicida e estuprador. Não há como traduzir em outras palavras, é isso o que ele é. Um homem que não acredita em nada, que não é sequer sádico ou emocional, ele apenas tem um objetivo e o realiza o mais eficientemente possível – coisa que era do original e se perdeu no segundo, mudando a essência do personagem totalmente.


Segundo efeito é a transformação do filme de suspense/terror realista para uma ação medíocre de um diretor que acabou de descobrir John Wick. As cenas não causam mais impacto no espectador, não ficamos mais sem fôlego ao longo das tensas cenas de tentativa de fuga e de luta.


A trama, que sai da casa – tornando-se mais um erro grotesco – não faz sentido algum. Não somente isso, mas o desenvolvimento da personagem central, a filha roubada do Homem Nas Trevas, é completamente absurdo e incoerente. Nada das coisas horríveis e traumatizantes que ela vivencia ao longo da trama parece afetá-la, muito pelo contrário. Ela termina o longa amando ainda mais o maluco homicida e estuprador que a sequestrou quando ela era criança. Ela mostra sua devoção a ele ao som de guitarras e explosões no final do filme, que sequer tem a dignidade de encerrar com o mesmo jogo de continuidade do primeiro filme, como era esperado pela introdução da sequência.


Chego à enfadonha conclusão de que não há nada de bom nesse filme, e que ele foi uma completa perda de tempo. Raramente fico tão chateado assistindo alguma coisa, mas este filme conseguiu. O diretor não sabia o que queria fazer ou estava mais interessado em tentar tirar mais um pouco de lucro do título anterior.


Não percam seu tempo com esse filme. Finjam que nunca existiu e vão assistir Hereditário e O Farol.