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  • Gisele Alvares Gonçalves

O Homem Que Inventou o Natal

Olá, gente bonita do meu coração… Tudo bem com vocês? Como não poderia deixar de ser, o site No Escurinho do Cinema está comemorando o natal nesta semana, e por isso cada um dos resenhistas se dispôs a escrever sobre um longa que representasse essa época tão mágica do ano! De minha parte, escolhi trazer O Homem Que Inventou o Natal, um filme um tanto desconhecido, mas que é profundo e tem excelente desenvolvimento de personagens. Como se tornou meu hábito, esta primeira parte da resenha não conterá spoilers, e servirá para convencer você, cinéfilo, a ver esta obra… Na segunda parte, no entanto, adentraremos em águas mais profundas, e as análises serão sobre cenas específicas do longa, de forma que será melhor lê-la apenas se você já viu o filme. E aí, prontos para falarmos sobre O Homem Que Inventou o Natal? Bora!


O que dizer deste filme que mal conheço, mas já amo muito? Bem, podemos começar por sua temática. O Homem Que Inventou o Natal retrata Charles Dickens em seu momento de criação do livro Um Conto de Natal, desenvolvendo bastante o lado da inspiração do homem, bem como sua jornada de autoconhecimento durante a escrita do livro. Acredito, aliás, que este é o aspecto mais interessante do filme, e aquele que traz maior profundidade à narrativa, quando o autor vai se descobrindo nos personagens que está criando.


Como nem tudo são flores, apesar da temática ser rica e bem trabalhada, notamos um estranhamento no ritmo da história. Não sei se foi só impressão minha, mas achei que a troca de cena é, às vezes, um tanto brusca neste filme, e nos deixa um pouco desnorteados por instantes… Além do mais, certos aspectos da história, em especial aqueles relacionados à criação do livro por parte do Charles Dickens, parecem um pouco apressados, uma vez que o expectador ainda está pensando sobre um dos fantasmas do livro, quando o outro aparece na trama. Sim, eu sei que este filme não é sobre Um Conto de Natal, mas sim sobre seu autor… Ainda assim, fica um gostinho de quero mais na boca que é impossível disfarçar.


Bom, mas acredito que vocês vão ficar felizes ao saber que a questão do ritmo é minha única queixa… De resto, só tenho elogios para o filme! A começar, é claro, pelo elenco. Cara, Dan Stevens como Charles Dickens? Que escalação genial! Para você que ficou meio perdido sobre quem é este artista, só tenho duas coisas pra dizer a você: Downton Abbey, Matthew Crawley. Sim, é ele! Que ator genial, que caras e bocas perfeitas! Ele se deu muito bem com um tipo de atuação mais caricata, como o filme exigiu, e nos entregou um trabalho incrível. Ter visto este filme só fez eu admirá-lo ainda mais.



Além do Dan, temos também uma gama de veteranos da atuação, homens com nomes gigantes no cinema, tais como Simon Callow (que nós conhecemos como o Duque de Sandringham, em Outlander, como o Publius Servilius em Roma e também como o simpático ex-dono de ferro velho Andre, em O Fantasma da Ópera), Jonathan Pryce (que interpretou o Alto Pardal em Game of Thrones e o governador Swann em Piratas do Caribe), Christopher Plummer (que interpretou o William Fawcett Robinson no filme Em Algum Lugar do Passado, e foi ninguém menos que o capitão von Trapp em A Noviça Rebelde!) e Donald Sumpter (nosso eterno maester Luwin em Game of Thrones). É, minha gente… Não economizaram no salário do elenco!


Agora, vamos falar sobre o que importa, que é a mensagem de natal. Achei interessante como este elemento se relaciona com o título do filme, afinal… O Homem Que Inventou o Natal? Certamente existia já natal antes da época de Charles Dickens, não é mesmo? Bom, sim! O natal que representa o nascimento de Cristo, com seu significado religioso, já era comemorado antes do protagonista deste filme escrever seu livro natalino. Então o que o título do longa representa? Representa a união familiar, e mais importante que isso, a autoreflexão que a data proporciona. Segundo o filme, foram estes elementos que Um Conto de Natal trouxe para a sociedade, a autoanálise e a reforma íntima, a generosidade e a solidariedade, e tantos outras virtudes que o natal devem suscitar em nós. E você, vai parar um minuto e pensar no passado, no presente, no futuro e refletir como você pode ser melhor neste natal?


Enfim, chegamos ao fim da primeira parte desta resenha, e espero que tenha conseguido convencer você a ver o filme! Convenci, não é mesmo? Então não perde tempo, corre lá para conhecer este longa incrível! Depois, volta aqui para acompanhar a segunda parte do texto, que vai trazer uma análise mais minuciosa sobre as cenas desta obra. Estão todos prontos? Então lá vamos nós!

Zona de Spoilers


Charles Dickens inventou o significado moderno do natal, fazendo Scrooge passar por uma jornada de reforma íntima, mas não é somente ele que passa a ter maior autoconhecimento... Afinal, em certo ponto da trama, nós descobrimos que o Scrooge é ninguém menos que o próprio Charles Dickens! Sua parte mais feia, mais obscura… Mais hipócrita. É engraçado isso, mas o autor separou tudo o que odiava em si mesmo e deu vida através de seu personagem.


Tudo o que Charles reclamava em seu pai, como a falta de controle financeiro, ele acabava por fazer também. Ele possuía os mesmos defeitos que reclamava nos outros, e é a isso que damos o nome de hipocrisia. Charles, dessa forma, era Scrooge e também seu pai... Mas o que dizer sobre o fantasma do futuro? Afinal, o protagonista também ocupou este papel! Nele, Charles constrói o túmulo de seu personagem e o desconstrói, quando finalmente entende que, mesmo as pessoas mais difíceis são capazes de se melhorarem. É neste momento, então, que ele muda o rumo de sua história, e ao perdoar e redimir Scrooge, ele perdoa e redime a si mesmo.


Toda estas construções do protagonista são complexas, e suas representações o são ainda mais! E é por isto que O Homem Que Inventou o Natal poderia ser considerado como um caleidoscópio, cheio de facetas a serem analisadas, cheio de referências a si mesmo, como se todos os outros personagens fossem espelhos para o protagonista. Afinal, não é assim na vida real também? Como dizem por aí, apontamos três dedos a nós mesmos quando apontamos um a outrem, e geralmente esquecemos de analisar nossos próprios defeitos, mas somos rápidos em julgar a mesma característica em outra pessoa. Com Charles Dickens não seria diferente… A não ser pelo fato de que ele possuía todos estes fantasmas à sua volta para ajudarem-no a perceber seus próprios erros.


Com isso, pode parecer que Charles Dickens é um protagonista esquizofrênico, falando com espíritos e personagens imaginários daquela forma… A verdade, no entanto, é que o filme é uma grande metáfora para o processo criativo e o diálogo interno, o que é uma sacada, na minha opinião, genial. Quem é escritor sabe, às vezes os personagens parecem ganhar vida mesmo! E eles dizem para onde querem ir ou como querem agir, independente do nosso roteiro pré-estabelecido. Mas mais importante que isto, no entanto, é ouvir o que o personagem tem a dizer sobre nós mesmos. Quais características que não ousamos confessar que possuímos nós botamos na história, ao escrevê-la? Em O Homem Que Inventou o Natal, Charles Dickens percebe tais questões, bem a tempo de se reconciliar com a esposa, com o pai, recontratar a empregada e entregar o seu livro para ser editado. Ufa! Sim, o final é uma correria só, mas é um final feliz, que é tudo o que nós esperamos de uma história de natal.



E aí, gostou da resenha? Curtiu o filme? Diga aí nos comentários o que achou do longa, e se concorda com a minha análise sobre ele! Aguardo ansiosa a oportunidade de conversar com vocês… Por enquanto, no entanto, eu deixo um beijo e um queijo para vocês, e uma esperança de que possamos nos encontrar nas resenhas passadas e futuras. Até a próxima!