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  • D. C. Blackwell

O que esperar para o final de The 100

Após intensos 7 anos de série, The 100 anuncia seu fim com a jornada de Clarke, Bellamy e seus amigos em sua busca incansável pela paz. Como sempre, assim que as coisas começam a parecer tranquilas, algo vem para atrapalhar os planos dos Cem, e desta vez os problemas vêm de vários lados: começando por Sheidheda, agora conspirando contra todos no corpo de Russel Prime, e, por fim, o ambíguo e cinzento Pastor e seus fiéis seguidores pretendem travar “a guerra para acabar com todas as guerras”. E para isso, eles precisarão de algo que apenas Clarke possui. Ou assim achamos no começo da temporada. Nós, do No Escurinho Do Cinema, chegamos ao episódio 13 da sétima e última temporada e decidimos pautar algumas coisas sobre a série até o momento.

SE VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU, ESTE TEXTO ESTÁ RECHEADO DE SPOILERS! FICA O AVISO.



A sombra sinistra que circunda as lendas do Sheidheda, ex-comandante e ditador sanguinário dos Terráqueos de uma época que antecede o começo da série, é algo que vinha sendo trabalhado com sutileza e cuidado pelo diretor Jason Rothenberg ao longo das últimas seis temporadas. Eu realmente achei por um momento que a hora do ressurgimento do cruel Sangedakru nunca chegaria, que ele seria apenas uma história para manter Madi na linha, mas, nossa, como eu estava errado... E que bom! Porque agora nós teremos um vilão que dá gosto de matar, algo que estava em falta desde a segunda temporada, com os Montanheses e o filho psicótico do Presidente Wallace. Sheidheda, diferentemente da maioria dos vilões da série, é completamente mau. Ele é pura crueldade, sadismo, desejo de poder... A treva encarnada. Ele é tudo o que há de pior na humanidade em um só corpo, e qualquer um que cruzar seu caminho deverá se ajoelhar... ou morrer. Este vilão é feito para que sintamos medo do que pode vir a acontecer se ninguém o parar, e isso o coloca no mesmo patamar de A.L.I.E. e das usinas abandonadas que terminaram de destruir o mundo da quarta até a quinta temporada. Sheidheda é uma força da natureza e também o personagem mais “humano” da série, com sua sede de poder e seu gosto pela guerra.


O Pastor é o lado cinzento desta história. Ele foi, sim, um visionário ao criar os abrigos anti-bomba, mas note que ele também tomou muitas decisões controversas. Ele ignorou o conselho de muita gente importante apenas para provar para si mesmo que existe alguma grandiosidade nele. Apenas isso já fala muito sobre ele, mas ainda temos o fato de que ele realmente acredita nas coisas que ele prega em seu cult-- digo, em seu planeta. Percebemos aí que as intenções dele podem até ser puras, mas movidas por uma megalomania que também é bastante humana, como o fazem todos aqueles que manipulam pessoas pela fé cega – seja pela religião ou pela política. Ele não é um homem mau, mas é pragmático ao ponto de beirar a psicopatia, visto que uma de suas pregações é a abstração dos sentimentos humanos em prol do coletivo – que parece muito bonito no papel, mas na prática consiste em uma ditadura que utiliza lavagem cerebral e eugenia, e nós sabemos quem era que fazia isso na vida real. Não obstante, seu poder de convencimento é tão grande que até eu mesmo, como espectador, fiquei na dúvida se o Bellamy tinha razão ou não em se unir com o Pastor. Afinal de contas, uma guerra para acabar com todas as guerras parece promissor, não é? E se isso é possível ou não, é um pensamento que cada um de nós irá desenvolver por sua própria conta e risco.


Os Cem já passaram por uma série (literalmente) de situações escabrosas e sinistras. Inclusive, muitas dessas situações nasceram da discórdia entre eles mesmos ou da abstração da própria dignidade e humanidade em troca da sobrevivência. Muitas vezes uma dessas coisas leva à outra, como no caso do Ano Sombrio, em que Octavia, Abby e Indra instauraram o regime de canibalismo dentro do bunker. Quando elas foram resgatadas, Octavia já estava completamente quebrada, e isso causou uma guerra que gerou o fim definitivo do mundo. Cage Wallace, com sua sede de poder e seu complexo de superioridade, gerou o embate direto com Clarke, causando o extermínio de todos os Montanheses, cujo sangue está nas mãos de ambos os lados. E isto significa que nunca houve nem haverá um lado completamente do Bem em The 100.

A Guerra em The 100 é uma constante que vai além da mera sobrevivência: ela atrai os humanos como traças porque assim como estas adoram a luz, as pessoas o fazem com os famosos pecados capitais. A Gula de Cage Wallace, a Ira de Blodreina, o Orgulho dos Terráqueos, o Pastor de dos próprios Cem os levam à guerra e ao inevitável Apocalipse de novo e de novo. Agora, por fim, chega esta nova premissa, com a qual tudo se encerra. Não há mais o que descobrir, já sabemos como tudo aconteceu, quem foram os responsáveis por cada etapa da nova história da humanidade. E nessa vibe tão diferente das outras temporadas, a sétima e última aborda questões da física e da astrofísica que são muito interessantes. Dentre estas, destacam-se buracos de minhoca e a dobra do espaço-tempo. Não obstante, temos agora um dispositivo capaz de fazer exatamente isso, além de outras tantas coisas que ninguém nunca descobriu, mas que estão lá, prontas para serem usadas por quem tiver o conhecimento necessário.


Quando Becca viajou utilizando o misterioso código que o Pastor tanto cobiça, ela viu algo que a deixou completamente aterrorizada. Sem poder se explicar, ela foi queimada na fogueira como uma bruxa, sendo uma de suas últimas frases: “Não estamos prontos para isto. Ainda não.”. Eu não sei vocês, mas eu estou me descabelando com isso, somado à teoria de Jordan de que a Pedra foi mal traduzida e que não há guerra, mas sim um teste que salvará a raça humana, e que apenas uma pessoa poderá participar. Cá entre nós, não acho que exista algo muito pior do que qualquer uma das situações que os Cem enfrentaram. Por isso, minha grande teoria e aposta é que o final da série envolverá viagem no tempo. Eu ainda acredito que a Terra será o destino final do grupo, e que uma ida ao passado, para antes de A.L.I.E., consertaria tudo. Se eles pudessem voltar e avisar Becca de tudo o que vai acontecer, usando os buracos de minhoca para atravessar o espaço-tempo em ré, a série teria um final bastante interessante. Há outras possibilidades, como o clássico final dramático em que a heroína, no caso Clarke, morre para salvar o resto do mundo, que finalmente pode viver em paz, homenageando sua salvadora até o fim dos tempos. Mas de todos os finais, o que eu gostaria mesmo de ver seria um em que o Apocalipse aconteceu pra valer, dizimando todos os humanos, exceto Jordan e Hope, os únicos humanos nascidos e criados fora do âmbito tóxico e nefasto de todas as versões de civilização humana, seja Wonkru, nave-colônia ou sociedade pré-nuclear. Como Adão e Eva, eles recomeçariam a vida – talvez com Madi - em algum planeta abandonado, livres de todos os males que perseguem a humanidade.

E vocês? Como acham que tudo isso vai acabar?