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  • D. C. Blackwell

Outer Banks - temporada 1



        Preparem seus barcos e suas pranchas de surfe, querid@s Pogues e Kooks, porque temos uma nova série na Netflix, e ela é perfeita! Como a série lançou todos os episódios de uma só vez, vou fazer uma resenha sem spoilers e colocarei avisos caso seja necessário. Por que eu faço isso? Porque quero que todos possam apreciar essa série maravilhosa que me surpreendeu tanto! Mas vamos lá.

        Outer Banks é uma cidade costeira que vive majoritariamente da pesca. Seus habitantes são divididos em dois grandes grupos: Os Kooks – ricos – e os Pogues – pobres. Nosso protagonista é o adolescente John B. e sua grande motivação na vida é encontrar seu pai, que desapareceu nove meses atrás sem deixar rastros. Seus amigos – o desajustado JJ, a ambientalista Kiara e o estudioso Pope – são seus ajudantes leais nesta aventura, que começa com o grupo localizando a bússola do pai de John B. e uma chave de hotel misteriosa dentro de um iate naufragado após uma catástrofe climática. O grupo logo descobre que Big John, pai de John B., estava envolto em uma caçada ao tesouro muito perigosa, mas John B. está determinado a encontrar seu pai e a localizar o tesouro perdido do navio naufragado Royal Merchant, cotado no valor de 400 milhões de dólares em ouro maciço.

        A série aborda uma quantidade vasta de temas atuais e o faz com maestria. Drogas, armas, sexo e violência infantil são apenas alguns dos vários assuntos presentes de maneira responsável na trama de Outer Banks, não somente trazendo um imenso desenvolvimento de cada um dos personagens da série, mas também gerando consciência social no público e dando luz a assuntos pouco comentados – ou trabalhados de maneira irresponsável - na atualidade.



        Cada episódio é repleto de adrenalina. Acho que não houve um episódio sequer em que eu perdesse o interesse. Nem por um segundo! As cenas de perseguição são eletrizantes, as brigas entre os garotos e seus antagonistas são sempre tensas e perigosas, dando-nos a constante sensação de que eventualmente a coisa vai sair do controle e alguém vai acabar morto. Os romances são interessantes, coerentes e razoáveis, considerando que são apenas 10 episódios, cada um repleto de drama, tensão, ação, intriga e pura e simples aventura.

       Outra parte sensacional da série são as reviravoltas. Particularmente, eu tive várias surpresas ao longo dos episódios. Minhas expectativas nadaram o tempo todo entre águas turbulentas. A trama transmite um equilíbrio perfeito entre quedas e reerguidas dos nossos heróis, e graças a isso, ficamos sempre apreensivos sobre todo e qualquer plano de ação do nosso quarteto Pogue.

          Sobre minhas considerações finais: A primeira temporada me deixou com os nervos à flor da pele do início ao fim! As câmeras, o roteiro, a trilha e a atuação estão perfeitas, e, quer saber? Não ligo que os personagens de 16 anos sejam interpretados por atores de 22 a 28. Gosto de como ficou e gosto muito do crescimento pessoal de cada personagem, bem como da maneira que a trama se desvendou. As sequências de eventos foram intrigantes e deixaram todos – inclusive eu – ansiosos pela próxima temporada. Sim! A série deve ter uma próxima temporada, ou assim foi planejada, pois a aventura de John B em busca do ouro perdido do Royal Merchant não termina neste arco. Dito isso: já começo a contar os dias para seguir acompanhando nossos Pogues favoritos em suas fantásticas e perigosas aventuras adolescentes.

“Vocês acham mesmo que são os únicos atrás do Royal Merchant?” – Xerife Peterkin


ATENÇÃO! A partir daqui, pode haver SPOILERS!


        Vamos afundar um pouco mais nos detalhes da trama! É hora de falar da Arma de Tchekov.


“Mas o que é a Arma de Tchekov, tio Blackwell?”


        Caros leitores, este é um dos conceitos fundamentais da literatura – ou da arte de contação de histórias. Em suma, a ideia é a seguinte: Se minha história tem uma arma, eu preciso utilizá-la em algum momento da trama. Em Outer Banks, falamos de uma arma literal, um revólver, mas nem sempre será um instrumento mortal. Em Harry Potter E A Pedra Filosofal, temos a Pedra Filosofal, que é um elemento constante na boca dos personagens centrais. Ela é uma peça chave para o desenvolvimento da trama e dos personagens da saga. Para os Pogues, o revólver é um símbolo muito forte. Toda a frustração e revolta deles, quando atinge um pico, é expressada através do revólver de JJ. Sua presença altera o rumo da história em absolutamente todos os pontos em que está presente - seja–com sua utilização ou com a escolha de deixa-la de lado. Vemos isto quando JJ a usa pela primeira vez, impedindo que Topper afogue John B. Mais tarde, JJ e Pope estão sob ameaça dos Kooks, e quando Pope pergunta a JJ se ele trouxe a arma, JJ responde que não. A briga acontece, Kiara salva a dupla e revela que JJ havia, sim, levado a arma. Ele decidiu não dizer nada porque sabia que poderia haver uma tragédia se falasse a verdade, visto que Pope nunca antes havia ficado tão aterrorizado pelas ameaças e violência de Topper e seus amigos. John B. também porta o revólver quando confronta Sarah sobre o pai dela haver assassinado Big John, fazendo-a reagir negativamente diante daquele ato de violência que era carregar uma arma em sua mão enquanto vociferava com ela. JJ ainda poderia ter matado o próprio pai abusivo, tendo tomado um caminho sem volta se não tivesse pensado melhor sobre o assunto. Enfim: O revólver é um personagem-chave e um símbolo poderoso na trama de Outer Banks e foi usado com muito bom gosto pela direção.

E vocês? O que acharam? Ficaram tão surpres@s com esse final quanto eu? O que esperam dessa nova temporada? Porque, sinceramente, eu não tenho ideia!