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  • Gisele Alvares Gonçalves

Outlander - S5E5

Boa noite, sassenachs e highlanders, tudo bem com vocês? Neste domingo tivemos mais um episódio da nossa série preferida, e claro que o site No Escurinho do Cinema correu para vê-lo e resenhá-lo para vocês. Bem, por onde começar? Talvez mencionando o quanto a narração de Claire foi bela, poética e profunda neste capítulo, dando-nos visão para uma parte dela que nem sempre conseguimos vislumbrar em meio às guerras e cenas românticas: suas reflexões filosóficas e religiosas. Como cristã, fiquei muito feliz com esta confirmação de que a protagonista da série não é exatamente ateia, e que mantém uma conexão com o alto de alguma forma, ainda que sutil. Também fico feliz com este fato pela questão histórica, já que nos anos 60 não existia tanto ateísmo como hoje nós encontramos. Acredito que a personagem se torna mais palpável e factível para a época em que viveu, e também mais complexa pelos seus conflitos de crença. Não sei se tais narrações foram tiradas diretamente do livro, ou se foram criadas pelos roteiristas da série, porém eu acredito no poder da beleza das palavras, e nunca antes as vimos tão belamente expressas quanto neste episódio. Por tudo isso, dou os parabéns à equipe de criação de Outlander, e para a Caitriona Balfe, que recitou tais palavras de forma incrível.  Esses questionamentos que a personagem suscitou lembraram um pouco o filme As Brumas de Avalon, com suas temáticas religiosas e suas comparações da vida com uma teia de aranha. Claro, Outlander tornou tudo isso muito mais profundo, porém foi um pouco impossível para os fãs do longa-metragem não realizar uma comparação mental entre estas duas obras. Para quem não viu o filme ainda, recomendo fortemente.

Enfim, já elogiei que chega o monólogo da Claire… Agora vamos falar mal daquilo o que acompanhou tal monólogo. É só eu ou esses flashbacks foram completamente desnecessários neste episódio? Aliás, estou notando que essa quinta temporada tem trazido muito mais fillers do que toda a história até o momento. O terceiro episódio praticamente inteiro foi descartável, e agora esses flashbacks que, apesar de gostosinhos, não ajudaram em nada a contar a história. Sim, eu sei que o motivo dos roteiristas terem acrescentado tais cenas foi para manter viva na trama a questão da Claire ser uma viajante do tempo, mas sinceramente? Havia formas melhores de se fazer isso, como o plot sobre a penicilina que estão desenvolvendo. 



Acho que os roteiristas têm que parar de divagar e focar no que realmente é relevante, que é a trama dos reguladores, do Bonnet e da penicilina. Aliás, quanto antes resolverem esses pontos em abertos, antes chegaremos no verdadeiro coração da quinta temporada, naquilo que estamos mais ansiosos para ver, que é a guerra da independência dos Estados Unidos da América. Da primeira à segunda temporada nos envolvemos fortemente com Culloden, na terceira tivemos o reencontro dos protagonistas, a viagem ao caribe e a Bakra, na quarta a Bree e o Roger chegando ao século XVIII, e assim sempre tivemos tramas envolventes que nos prendiam à cadeira para ver Outlander. Neste ano nos foi prometido a independência dos EUA nos trailers, e é isso o que queremos ver… Então quanto antes deixarem de borboletear por temas aleatórios e forem direto ao cerne do negócio, melhor vai ser pra todo mundo.

Também estou sentindo falta dos dramas pesadões, que nos faziam passar mal de tanto chorar. Nem estou falando de cenas de tortura exageradas, como tivemos na primeira temporada, mas de momentos tão tensos que a gente se derrete de emoção, como a morte da Faith e o estupro da Brianna. Outlander sempre foi uma série com dramas psicológicos de arrebentar nossos corações, e sinceramente nada nesta quinta temporada me comoveu com esta intensidade até agora, nem a morte do sr. Beardsley ou o assassinado do tenente Knox. Estou guardando minhas lágrimas para cenas mais emocionantes, esperando que elas cheguem logo, pois estou sentindo falta de quase morrer de tristeza ao ver um episódio de Outlander.

Enfim, voltemos ao episódio… Vamos falar de penicilina! Finalmente a Claire conseguiu o seu intento, e foi uma alegria imensa ver a cena em que ela compartilhou de sua descoberta com a Marsali. Sim, eu gosto muito dessa interação, porém senti falta da Claire ir contar a novidade também à filha dela. Parece que, atualmente, a protagonista tem conversado muito mais com o Roger do que com a própria Brianna, tanto que uma não sabe que a outra sabe sobre Stephen Bonnet. Aliás, parece-me que elas nunca tiveram uma relação muito próxima, nem mesmo antes de se encontrarem do lado de lá das pedras, e eu não tenho nem palavras para começar a dizer o quanto isso me frustra. Eu achei que, depois que tudo estivesse resolvido da quarta temporada, elas iriam se unir mais, uma vez que não há nada impedindo que ajam realmente como mãe e filha, porém elas trataram de criar mais um segredo para se afastarem. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o porquê disso acontecer, qual a razão psicológica para essas duas não conseguirem se entrosar muito bem.

Coitada da Brianna, não é muito próxima da mãe, e está sempre em pé de guerra com o Roger. Sim, os dois têm um temperamento do demônio, e eu sabia que era só questão de tempo antes dos dois se desentenderem e o homem sair correndo pra ficar sozinho por um tempo. De novo, falta de comunicação. Bastava que a Bree não tivesse mantido segredos para o marido e a cena de agora não teria acontecido. Por outro lado, por que o Roger ficou todo irritadinho, hein? Ele havia aceitado o Jemmy como seu filho, sabendo que provavelmente a genética do guri havia vindo de um certo pirata mau caráter. Por que saber que a Brianna também considerava isso irritou tanto o homem? Foi por causa do segredo? Sinceramente, eu acho que sim. Saber que a sua mulher visitou seu estuprador, e ainda recebeu um presente dele para o filho, deve ser um pouco demais mesmo. Se for por este caso o Roger fica perdoado, mas se for exclusivamente pelo que a Bree disse ao Stephen… Bom, aí não tem desculpa. 

Saindo um pouco dos recém-casados, vamos finalmente falar de Jamie Fraser, que foi a trama mais interessante deste episódio. Que situação em que ele se meteu, hein? Aquela relação tensa com o Knox, que louvava sua honra enquanto estava à beira de recuperar o documento de sua ruína, que o considerava um companheiro de armas porém desejava caçar e matar o seu padrinho, e tudo isso sob a atuação brilhante do nosso amado Sam Heughan! Acredito que doía profundamente no Jamie ter que fingir ser quem ele não era, portando-se como alguém que queria Murtagh Fitzgibbons morto, tendo que conviver com um homem que o caçava por acreditar que este era o caminho nobre a ser seguido. Do fundo do coração, eu acredito que o Jamie não culpava o tenente por suas crenças, ou por ter aceitado a missão de que lhe incumbiram… De fato, eu penso que ele não odiava o Hamilton Knox, e em outras situações eles poderiam ser verdadeiros amigos, porém o segredo entre os dois impediu que houvesse um carinho intenso do Jamie pelo tenente, e o desfecho da carta acabou por ser a gota d’água para esse relacionamento.  



Como alguém que não leu o livro, confesso que o assassinato de Knox foi surpreendente pra mim, ainda mais pela performance tão fria com que foi realizada. Sim, Jamie já havia matado antes para evitar que alguém contasse um segredo seu (vide Dougal MacKenzie), e ele é inteligente o suficiente para esconder as pistas que poderiam conectar tal morte ao seu nome, porém ainda choca a falta de emoções que ele demonstrou ao tirar a vida daquele homem. Estaria Jamie tão calejado com as barbáries do mundo que matar alguém já não lhe desperta a sensibilidade? Ou seria a bondade dele seletiva, agindo em nome do bem apenas quando não há chances de algo dar errado para si e para a sua família? Estaria a honra apenas presente em seu coração quando o egoísmo não pode dominar, quando ele não enxerga uma ameaça clara para si e para os seus? Enfim, não vou dar nenhuma resposta hoje, apenas vou deixar os questionamentos para pensarmos sobre o assunto. 


Por fim, gostaria de mencionar aqui o que eu achei daquela cena em que a Claire operou o Kezzie. Gente, alguém mais ficou com a nítida sensação de que vai dar merda e esse rapaz vai morrer? Porque todo o tema dos flashbacks foi sobre o teste da penicilina poder dar errado, e aí me ocorre uma operação assim bem no mesmo episódio. Outlander não costuma dar ponto sem nó, e quando se menciona uma possibilidade é porque ela vai acontecer eventualmente. Enfim, parece que vamos ter um pouco de drama no próximo episódio! Ansiosa para isso acontecer…


E aí, curtiram a resenha? Comentem abaixo seus pensamentos sobre o episódio, e sobre a minha análise das cenas. Um beijo a todos, e até a próxima!

Gisele Alvares Gonçalves