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  • Gisele Alvares Gonçalves

Outlander - S5E9

Boa noite, sassenachs e highlander, como estamos todos hoje? Eu achei o episódio deste fim de semana incrível, com toda a certeza! Se bem que, preciso confessar a vocês, considerei os dois últimos ainda melhores. Eu acho que estava esperando outra coisa dessa temporada, sabe? Algo mais relacionado à guerra, mais focado na revolução americana, que foi basicamente o que o trailer nos prometeu, mas ao invés tivemos uma batalha e parece que tudo já voltou ao normal. Sinto falta de algo parecido com a segunda temporada, em que ouvimos o nome Culloden mais vezes do que já ouvimos nossos próprios nomes! Mas acho que estou fazendo minhas pazes com a frustração, e aprendendo a apreciar a quinta temporada em sua quietude caseira, quase como se fosse um Downton Abbey do século XVIII.

O episódio já começa muito bonito, com a Claire examinando a Marsali Fraser, que a chama de mãe pela primeira vez. Que fofo, modeuso! Realmente, a relação delas cresceu de uma forma surpreendentemente bela, algo que eu não esperava na terceira temporada, ainda mais porque a Marsali é filha da Laoghaire. Três considerações, no entanto: a primeira é que, apesar de estar feliz pelo jeito como essa relação se desenvolveu, eu ainda fico chateada por não notar o mesmo tipo de entrosamento entre Claire e Brianna. Segundo, esperava que tivéssemos um impacto maior pelo fato da Marsali ter se tornado uma aprendiz da Claire, porém isto nada ajudou a construir qualquer trama, apenas auxiliou no crescimento do afeto entre elas. Terceiro fato: agora o povo está falando sobre viagem no tempo na frente da Marsali? Gente, o que aconteceu? Eles se esqueceram que tinha alguém que não sabia sobre esses paranauês presente na sala?



Enfim, continuemos a nossa peregrinação pelo episódio, fazendo uma parada na cena entre Roger e Brianna na cama. Gente maravilhosa, essa foi a cena que eu mais amei de todo o episódio! Foi sensual e engraçada ao mesmo tempo, não parei de sorrir um minuto sequer ao vê-la. A Bree tem umas boas respostas para seu marido, não é? Irônica e atrevida como sempre, essa é a pimentinha que eu conheço e amo. Os dois pontos altos, no entanto, foram quando o Jemmy falou “merda”, imitando seu pai, e quando o Jamie falou que precisava de homens hábeis, e que o Roger era mais do que hábil. Coitado do Jamie! Mas até que ele levou na boa, tirando a vergonha de ver a filha enrolada em cobertas, e o genro com as calças na mão… Literalmente.

Aliás, uma das coisas que eu mais gostei no episódio foi ver a mudança na relação entre Jamie e Roger, mais do que necessária. Parece que o highlander não está mais exigindo do seu genro aquilo que ele não pode dar… Ele não está exigindo que o homem seja um guerreiro do século XVIII, quando claramente ele não poderia ser mais diferente deste esteriótipo. Jamie está relevando mais as faltas de habilidades do viajante do futuro, e aprendendo a dar mais valor para a sua boa vontade do que para suas reais vitórias, e eu acho isso muito bonito da parte do nosso ruivinho. Acho que, dado o tempo, ele pode realmente passar a ver o Roger quase como um filho, que é algo que realmente precisa acontecer para a família se manter coesa. O primeiro passo já foi dado, o resto depende deles.

Apesar de ter sido uma trama que não vai acrescentar muito ao plot, foi um roteiro bem construído e executado, dando a tensão necessária para aquela situação de desespero na floresta. Outlander consegue fazer isto melhor do que qualquer outra série, não é mesmo? Fazer a gente sentir na pele a fome dos personagens, a dor física, o frio, a angústia de não saber se vai acordar vivo ou morto. De alguma forma, todos estes atributos fizeram eu me lembrar da Claire no Caribe, em que ela andou por dias a fio sem encontrar uma única pessoa, enfrentando todos os perigos da desidratação, da insolação e dos animais peçonhentos. Para o Jamie tudo isso não é mais novidade, mas eu me ponho no lugar do Roger, que nunca acampou no meio do nada sem estar preparado, tendo que se virar com o que se tem nos bolsos para conseguir sobreviver. Bom, tanto é que ele não estava preparado que, quando ouviu o Ian e o Fergus chamarem por ele, não se atinou de dar um tiro para cima, sendo que ele estava com a arma em sua cintura.



Parece que não apenas a relação do Jamie com o Roger melhorou, no entanto, mas que o herói da série aprendeu algumas lições sobre si mesmo, sobre o quão covarde ele verdadeiramente poderia ser, e o que é a verdadeira coragem. Sim, porque é preciso de mais destemor para viver do que para morrer, ainda mais em uma situação como a qual ele estava prestes a enfrentar. Fala a verdade: você teria coragem de continuar a sua vida se não tivesse mais um membro? E se isso te impedisse de fazer aquilo o que você mais ama, se isso te obrigasse a se transformar em outra pessoa, você ainda aceitaria sem hesitar? Além do mais, Jamie é muito orgulhoso, e isso não é um elogio! Ele estava cego para a razão, não aceitava a frustração que se seguiria à falta de sua perna, e quanto a pessoa está assim, somente um diálogo ríspido e com palavras cruéis pode fazer a pessoa parar para pensar com sensatez. Lembra de O Jardim Secreto, quando o Colin estava tão fora de si que somente alguém dizendo que todos o odiavam o fez parar de gritar? Apenas quando a Mary listou todos os defeitos dele com rispidez é que ele pôde voltar a si, pensar sobre quem ele era e o quanto precisava mudar. O mesmo foi com o Jamie neste episódio, e o Ian fez muito bem em xingar o tio do jeito como ele fez. Somente palavras de amor não bastariam… Não desta vez, ao menos.

Mas agora vem cá, que cena foi aquela da Claire e do Jamie na cama? Ok, acho bonito e romântico o fato dele ter quase morrido, mas ter se forçado a viver por causa de sua esposa, porém foi mesmo necessário aquele ato carnal quando o cara estava literalmente batendo as botas? Pois é, não gostei. Ter uma cena de sexo é normal nesta série, e inclusive algumas bastante passionais… Porém não era a hora! Achei forçado sim, não achei romântico e muito menos sexy. Foi algo apenas deslocado, que poderíamos muito bem passar sem. A cena teria sido cem vezes melhores se fosse apenas romântica e dramática, sem nenhum resquício de sensualidade na hora moribunda do protagonista.

Bom, deixemos o Jamie e a Claire um pouco de lado, vamos falar de Brianna... E sim, eu vou elogiar ela. Nossa, que mulher corajosa ao chamar um búfalo para correr até ela daquela maneira! Que instinto materno, ao se botar em tamanho perigo para proteger o seu filho, e a sua criada covarde (eu nem posso falar nada, poque eu me comportaria exatamente como a Lizzie naquele momento, e aposto que a maior parte dos meus leitores também). Não, ela não se portou como uma guerreira viking, como vi alguns comentários na internet mencionando, mas fala sério, uma mulher só tem valor e é destemida se ela tem boas habilidades de luta? Pois eu digo que não! A Brianna é gente como a gente, tem defeitos como a gente, e ainda assim demonstra muito mais coragem do que nós. Isso, para mim, é elogio o suficiente.

Enfim, apesar de ter aplaudido a atitude dela, eu fiquei me perguntando se o roteirista não foi um pouco irrealista ao fazê-la, sei lá, continuar viva depois de levar uma chifrada no traseiro como aquela. Ela não devia ter, no mínimo, quebrado a perna, ou ter levantado mancando? Um impacto daqueles no chão não a deixaria zonza, precisando de alguns minutos antes de levantar? Sei lá, qualquer coisa que não fosse se levantar no mesmo instante como se nada tivesse acontecido! Achei que isso foi uma baita mancada do roteiro, mas vamos relevar por nosso amor a Outlander.

Outra coisa que tivemos que bater palmas para a Brianna foi o fato dela ter criado aquela seringa rústica, o que fez com que a perna de seu pai fosse salva. Fiquei exaltante com o desfecho feliz do episódio, em especial porque o Jamie conseguiu aprender a sua lição do dia sem precisar ficar deficiente por conta disso. Só fico curiosa porque, como alguém que não leu o livro, eu pego alguns comentários dos grupos de facebook, alguns spoilers para matar a minha curiosidade, e eu vi um pessoalzinho dizendo que a Claire vai pensar que o Jamie está morto, então ela vai se casar com o John Gray. Gente, é sério isso? Essa pergunta vai diretamente para quem acompanha a obra da Diana Gabaldon. Eu até achei que o início dessa trama ia se dar neste episódio e que, por algum motivo, a Claire ia pensar que o Jamie estivesse morto por causa da picada da cobra. Já que isso não aconteceu, alguém sabe do que este babado se trata? Se souber, pode botar aí nos comentários, sou toda ouvidos! Adoro uma fofoquinha saudável sobre este universo que eu amo. E aí, curtiram a resenha? Comentem abaixo seus pensamentos sobre o episódio, e sobre a minha análise das cenas. Um beijo a todos, e até a próxima.

Gisele Alvares Gonçalves