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  • D. C. Blackwell

Quem é Jim Carrey?

        Jim Carrey é um dos comediantes mais renomados do mundo, contando com uma vasta coleção de obras desde o clássico do humor Ace Ventura à atual adaptação de Sonic, vestindo o rosto do vilão Robotnik. Entretanto, não foi há muito tempo que o ator mostrou um lado mais sombrio – e até mesmo lunático, alguns diriam. Mas para podermos falar do homem de sucesso, precisamos revisitar a pequena e sonhadora criança canadense que ele foi um dia.


        Sua mãe era portadora de uma doença e por isso não podia trabalhar. Seu pai ficou desempregado quando ele tinha apenas 12 anos. Jim viveu a maior parte da sua infância e adolescência morando numa van, sem amigos e sem segurança alguma de seu futuro. Ainda assim, o garoto demonstrava, já desde muito pequeno, um talento imenso para a atuação e para a comédia. Para que Jim não atrapalhasse as aulas dos seus colegas de classe, sua professora o autorizava a realizar seu próprio show de teatro ao fim da aula. Ele passava horas e horas treinando suas piadas e suas caretas na frente do espelho, como o próprio ator admitiu – hábito pelo qual Jim confessou arrependimento décadas mais tarde.


        Ainda com 14 anos, Jim precisou sair da escola para trabalhar como zelador. E, nessa mesma idade, também teve sua primeira apresentação e decepção profissional: sua primeira apresentação de stand-up. Carrey saiu do palco ao som de vaias! Ele, porém, não se deixou abater, e quando foi apresentar-se pela segunda vez, sua plateia riu. Não somente riu, mas adorou! A partir desse momento, começava a jornada de Jim Carrey para tornar-se referência no humor até os dias de hoje.



        A solidão perseguiu Jim ao longo de sua carreira. Ele havia desistido de fazer amigos ainda muito jovem e não voltaria atrás tão cedo, mas foi depois do sucesso de filmes como Debi e Lóide, em 1999, Jim aceitou um papel que o mudaria para sempre – ele interpretaria Andy Kaufman no filme “O Mundo de Andy”. Por livre e espontânea vontade, Jim decidiu manter-se no personagem mesmo fora das filmagens. Ele viveu como Andy Kaufman por quatro meses sem sair do personagem por um momento sequer. Jim esqueceu quem ele mesmo era – ou talvez tenha percebido que ele nunca o soube, em primeiro lugar –, causando em si mesmo um enorme vazio que nada poderia preencher. O papel lhe rendeu sua única estatueta do Globo de Ouro, mas o preço do sucesso foi sua própria identidade – tema do documentário da Netflix chamado “Jim e Andy”. Imagine como deve ser abdicar da própria existência para tornar-se outra pessoa totalmente diferente por quatro meses. É impossível manter-se são!


        Com o tempo, Jim foi se afastando mais e mais do cinema e da arte, e, em 2015, sua ex-namorada, Cathriona White, tirou a própria vida. O ex-marido dela entrou em um processo contra o ator alegando que ele teria transmitido diversas DSTs a Cathriona e, consequentemente, responsabilizando-o por seu suicídio. Durante os próximos dois anos, Jim afastou-se dos holofotes e dedicou-se severamente a tratar sua depressão e ajudar pessoas carentes, mas em 2017 ele deu uma entrevista um tanto perturbadora. Jim estava em uma festa em uma semana de moda em Nova York, na qual foi questionado por suas motivações. Por dois minutos, ele evadiu uma resposta coerente, falando de coisas incompreensíveis e sem nexo. Até que então ele disse:


“Nada disto aqui tem sentido. Procurei a coisa mais sem sentido aonde poderia ir, e aqui estou”.



        Não é necessário pensar muito a respeito desta resposta, pois é notório que, além de não dar a mínima para o que as manchetes diriam o dia seguinte, Jim demonstrou imensa tristeza e vazio espiritual. O ator passou a questionar a própria existência e até mesmo a da repórter que o entrevistava. Afirmou que sequer sabia se ela era real.


        Neste meio-tempo, Jim Carrey lançou o curta documental “I needed color”, no qual ele fala sobre como a pintura salvou seus dias de serem tomados pela angústia e aflição causados pela depressão: "Eu não sei o que a pintura me ensina", diz Carrey durante o documentário. "Eu só sei que ela me liberta. Fico livre do futuro, livre do passado, livre do arrependimento, livre de preocupações Você nunca sabe realmente o que uma escultura ou pintura significa de fato, você acha que sabe”, conclui.


        O ator também já falou sobre como “Não há Jim Carrey”, abordando uma série de temas existencialistas e filosóficos. Entretanto, o ator não deixa de comportar-se de maneira excêntrica em diversas oportunidades até o dia de hoje. Jim voltou a atuar no ano passado, protagonizando a série “Kidding”, na qual interpreta um apresentador de televisão bem-humorado que esconde uma profunda tristeza dentro de si.


        Jim Carrey está com 58 anos e persiste na sua busca por um recomeço, demonstrando que nunca é tarde para aprendermos sobre nós mesmos e nos encontrarmos.



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