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  • Angers Moorse

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis - resenha (com spoilers)



Salve salve, galera! Finalmente consegui assistir ao filme Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis e vim trazer um pouco do que achei do filme, incluindo alguns spoilers. Imagino que vocês já tenham visto e lido outras resenhas, mas a nossa sempre é mais especial... e esta é tão (ou mais) especial e explodidora de cabeças quanto o próprio filme.


Inicialmente, preciso destacar que a Marvel vem caprichando ao máximo na parte visual de seus filmes e séries… e Shang-Chi também não deixa por menos! Para quem já viu O Tigre e o Dragão, o visual remete um pouco a esse filme, principalmente nas cenas das lutas.


Falando nelas, a coreografia das lutas tanto em Ta Lo quanto em Nova York são absurdamente lindas! As cenas envolvendo o protagonista me trouxeram ótimas lembranças das cenas como ator Jackie Chan (bem que ele poderia ter sido chamado também para o filme). A cena no ônibus com aquele tira-jaqueta e põe-jaqueta até lembraram o filme Karatê Kid… enfim, ótimas referências que o filme trouxe nessas cenas!



Agora, o charme do filme é principalmente na parte mais oriental. As cenas com Jiang Li (a mãe de Shang-Chi e Xu Xialing) e Ying Nan (a tia deles) são um deslumbre visual, com movimentos suaves, precisos e belíssimos. Até o deslocamento do vento ganha ares de status nas cenas… coisa linda de se ver!


Mas nem só de leveza se vivem as lutas. Quando a porrada precisa rolar solta, as cenas envolvendo o protagonista e sua irmã, Death Dealer, Razor Fist e o próprio Mandarim também são absurdas visualmente! Nota-se um clima mais sombrio e pesado nessas cenas, mas sem tirar o brilho e precisão das coreografias.


Sobre fotografia, figurino, cenários e maquiagem, outro espetáculo visual! Mesmo com muitos cenários feitos em CGI com o uso da técnica de Chroma Key, as ambientações em São Francisco, Macau, Sydney e Los Angeles trouxeram aquele clima urbano e que é muito importante para o herói nas HQs, afinal, ele é um típico herói urbano, assim como Peter Parker.


Em relação à trilha sonora, foi um tapa na cara, com muito peso e que te afundam na poltrona do cinema ou no sofá de casa. De autoria de Joel P. West, a trilha sonora original é composta por 43 faixas, incluindo alguns raps bem pesados e marcantes, como a faixa “Lazy Susan” do rapper britânico 21 Savage.


Falando sobre os personagens, achei o elenco muito bem coeso e sincronizado nas atuações. Inicialmente, Simu Lui convence (e muito) como o protagonista. Achei que a Marvel acertou em cheio na escolha dele para o papel. Luta pra caramba, tem a manha nas cenas cômicas e sabe colocar aquela seriedade oriental quando o bicho pega.



Dizem que para todo protagonista é necessário um bom coadjuvante ao lado… e Awkwafina arrasou como a maluca e divertidíssima Katy! Até no momento mais sério e na hora em que ela mostrou ser importante, não perdeu o timing do humor na cena da flecha. E olha que eu já tô shippando esse casal aí!


Sobre Xu Xialing, a irmã de Shang-Chi, gostei da forma como Meng'er Zhang a interpretou, embora fiquei com aquele gostinho de quero mais sobre o peso dela na história. Mas isso não significa que ela tenha sido fraca, mas que poderia ter sido mais impactante dentro da trama… fica a dica para a continuação dela na organização Dez Anéis (spoilers à frente).


Embora aparecendo apenas nas cenas do passado, Fala Chen foi muito importante como Jiang Li. Achei legal a forma como trabalharam ela no roteiro e como souberam aproveitar muito bem o talento e a beleza singela e natural dela. Confesso que tive uma queda por ela durante o filme.


Outra personagem que apareceu apenas no ato final do filme mas que teve papel muito importante foi Michelle Yeoh como Ying Nan. Embora algumas pessoas digam que ator/atriz oriental é tudo “copia e cola”, as sutilezas de cada personagem e de como seu intérprete traz isso podem quebrar esse “padrão”... e é justamente o que Michelle faz, destacando o peso e importância da personagem sem, tirar a leveza e graciosidade dela. Ótima atriz e escolha perfeita para o papel.


Uma presença ilustre e inesperada (pelo menos para mim) foi a de Trevor Slattery, interpretado por Ben Kingsley (te lembrou alguém?). Sim, estou falando do Mandarim “fake” de Homem de Ferro 3! O pior é que aquele vilão foi tão fake que o próprio personagem confirma isso em uma cena.


A atuação de Ben no papel de Trevor foi incrível, muito melhor que em sua última passagem pelo MCU. É muito bacana ver um ator interpretando um ator em um filme, porque o tipo de atuação é completamente diferente… e ele deu show por aqui!


Depois de falarmos do núcleo do “bem”, hora de falarmos dos vilões do filme. A começar pela minha maior decepção, o personagem Death Dealer (interpretado por Andy Le). Talvez eu tenha sido influenciado fortemente pelos trailers, onde ele aparecia sendo um vilão muito badass mas que, no final das contas, foi apenas para “encher linguiça”... para piorar, teve uma morte muito bizarra e tosca no final do filme.


Culpa do ator? Não, mesmo porque o cara mandou muito bem nas artes marciais… mas o roteiro deixou ele anos-luz longe do potencial dele nas HQs. Outro que poderia se encaixar mais ou menos na mesma situação é Razor Fist (Florian Munteanu).


Embora ele tenha tido certo carisma no filme, sua importância também foi deixada bem de lado no roteiro. Não morreu, mas também não ajudou ninguém. O que ainda salva o personagem é o carisma do ator Florian, que conseguiu manter seu personagem com alguma atenção… mas passou longe de ser o que é nos quadrinhos.


Aí você me pergunta: só teve vilão ruim então? Nada disso. A dúvida (e até descrença) que muitos tinham em relação ao verdadeiro Mandarim (interpretado por Tony Leung) caiu por terra logo na primeira cena… o cara é fóooooooda! E o mais legal é que à medida que o conhecemos vamos nos aproximando dele cada vez mais.



Senhoras e senhores, temos oficialmente um Mandarim no UCM, o Wenwu (nas HQs ele é Fu Manchu) e ele é casca grossa! Personagem complexo, com várias camadas muito bem construídas, que vai do céu ao inferno e que possui uma jornada incrível. E, embora tenha morrido no final, ainda tenho a sensação de que ele pode retornar no futuro do UCM.


Seria burrice demais da Marvel apresentar um personagem tão incrível assim e o matar no mesmo filme sem que ele volte no futuro. Ou a Marvel já pensou em um possível retorno e, portanto, não teve nenhum problema em o matar no final (o que acho mais sensato) ou eles perderam a chance de ter no UCM um personagem muito impactante e que possui ligações com outros personagens da Marvel (o que seria burrice demais, na minha opinião).


Sobre a trama em si, gostei bastante de como foi proposta, embora tenha sentido falta de maior presença de alguns personagens (já citados acima) na história. Elenco bem coeso e bem escolhido, que não deixou a desejar em nenhum momento em relação às atuações.



Um ponto sobre a história são os elementos místicos e mágicos. Aquelas criaturas simpáticas de Ta Lo (que pareciam Pokémons), os leões orientais foram muito bem apresentados. Ah, e destaques para A Grande Protetora (não é o Fin Fang Foom das HQS, pessoal) e o grande dragão vilão sugador de almas chamado Aquele Que Mergulha na Escuridão, que ficaram insanamente perfeitos!


Mais um destaque são os dez anéis, que no filme são braceletes. Diferente das HQs onde são realmente dez anéis e cada um com cores e poderes diferentes, no filme são braceletes de cor azul (quando portados pelo Mandarim) ou alaranjados (quando portados por Shang-Chi). Curti essa mudança e, apesar de parecer estranho, ela tem uma explicação bem plausível.


Nos quadrinhos, uma possível origem desses “anéis” é que eles foram trazidos das profundezas do espaço por Fin Fang Foom, um lendário dragão metamorfo da raça Makluana, que chegou em nosso planeta há milhares de anos. Essa raça possui altíssima tecnologia e o dragão poderia ter trazido consigo os anéis. Mas ainda existem outras possibilidades que as cenas pós-créditos deixam no ar... falaremos daqui a pouco sobre elas.


Bem, mas chega de enrolação e vamos ao que interessa. A primeira dúvida que fica é: o que diabos o Wong estava fazendo com o Abominável (Tim Roth) no clube de luta de Xialing??? Será que a cena dele saindo do Sanctum Santorum nos trailer de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa ele indo lutar contra o Abominável? Como já está confirmada a presença dele na série She-Hulk, não duvido nada que Wong também apareça por lá.


A segunda dúvida que fica é em relação à segunda cena pós-créditos. Com a morte de Wenwu, Xu Xialing fica para assumir o controle da organização Dez Anéis. A questão é: qual será o impacto dela no futuro do UCM? Ela será uma inimiga ou uma aliada do irmão? e será que ela não estará envolvida de alguma forma em uma futura formação dos Thunderbolts?


A terceira (e mais cruel dúvida) é em relação à primeira cena pós-créditos. Quando Wong chama Shang-Chi e Katy para o Sanctum Santorum, eles estão em uma conferência com Bruce Banner e Carol Danvers. A partir daí, as teorias começam a fervilhar.


Inicialmente, Bruce afirma que não são de Vibranium e sugere que possam ser Chitauri. Porém, Carol rebate dizendo que desconhece essa tecnologia alienígena. Conversa vai e conversa vem e Wong diz que quando Shang-Chi usou os anéis, eles foram sentidos no Camartage. E aí vem a bomba.



Ao observar mais a fundo, eles constatam uma espécie de sinalizador dentro dos anéis emitindo pulsos constantes. E o mais louco foi a saída repentina de Carol da reunião dizendo que precisava resolver “isso”. Será que ela ficou assustada com o sinalizador?


Como maluquice pouca não é bobagem, há quem esteja teorizando que esses anéis tenham sido obra dos Eternos ou dos Celestiais. Como dito no início do filme, não se sabe ao certo se ele os encontrou em uma cratera ou dentro de uma tumba. Mas, e se for outra coisa?


Há uma versão que teoriza sobre os anéis serem sinalizadores para a chegada dos Celestiais à Terra e para que consigam encontrar Tiamut, o Celestial Sonhador, impedido pelos Eternos de despertar e acabar com o planeta… mas não vejo muita lógica nisso, a não ser que seja para chamar um certo Galactus, que também é um Celestial. Será???


Maaaas, há quem diga que isso seja obra de um certo Aquele Que Permanece… lembra dele? Se sua memória anda bugando, Aquele Que Permanece é nada mais nada menos que uma das versões de Kang, O Conquistador, cotado como provável novo grande vilão do UCM.


Sendo ele o responsável por tudo o que já aconteceu até agora e levando em conta o fato de que uma das versões dele já esteve no ano 3.000 e teve acesso a tecnologias muito avançadas, poderia ser algum tipo de garantia caso o plano dele falhasse? É outra hipótese.


E isso me leva a pensar em outra coisa ainda mais assustadora. Poderiam os anéis ter sido forjados antes do final da Grande Guerra Multiversal, antes de que Aquele Que Permanece tivesse consertado a bagunça? Teoria sinistra e um tanto quanto maluca (admito), mas que tem certa lógica e vou explicar o porquê.


Nesse caso, os anéis estariam enviando sinais para alguém que já esteve nessa guerra multiversal e que, de alguma forma, permaneceu viva e escondida (ou presa) em algum lugar fora das realidades existentes, o que justificaria o fato da Capitã Marvel desconhecer aquela tecnologia.


Para finalizar a doideira, ainda há a possibilidade de os anéis terem sido forjados em Ta-Lo que, como soubemos no filme, é uma cidade mística e altamente evoluída e que não fica dentro do nosso mundo. E esse sinalizador seria um convite a Shang-Chi para participar do Torneio das Cidades Celestiais, que tem relação direta com o personagem Punho de Ferro (outro que aparecerá no UCM muito em breve).



Resumo da ópera? Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme surpreendente, pretensioso, com um visual lindão e que entrega boa parte do que promete. Tem lá seus problemas, mas nada que desabone o resultado final. Ah, e finalmente trouxe o Mandarim que eu queria ver!


Respeitou bastante a vibe oriental e a mesclou muito bem com a pegada ocidental. Ótimos personagens (alguns, nem tanto assim), uma construção incrível do Mandarim e de Shang-Chi e que deixa lacunas e dúvidas para sua sequência, além de ampliar os horizontes para a chegada do Multiverso.


Entra no meu Top5 da Marvel, mas sinto que ainda tem muito mais a oferecer. E faltou apresentar o poder dele nas HQs, que é se multiplicar infinitamente. Já pensou que louco seria ele e o Doutor Estranho juntos fazendo isso? Marvel, coloca só uma cena dessas no UCM que eu te perdoo pela burrada que fizeram com o Hulk em Vingadores: Ultimato!


Só lembrando que o filme estreou no dia 12 de novembro no Disney+. Portanto, se você ainda não viu, prepare a pipoca e o guaraná porque esse filme merece! Ah, e lembrando que tivemos a estreia hoje da série Hawkeye e estaremos resenhando ela aqui no site! Para terminar, uma das frases mais legais do UCM:


“Se não mirar em nada, não acertará em nada”.