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  • Angers Moorse

Tales from the Loop - S01E07



Salve, salve, galera! Estamos chegando na reta final da temporada e o episódio 7, “Enemies”, veio com um clima mais dark e assustador. Já checou seu coração? Está em dia? Então, vamos nessa!


Sem sombra de dúvidas, esse foi de longe o episódio mais sombrio da série. Tanto que dei alguns pulos do sofá. Para quem estava acostumado a ver episódios reflexivos, com cenários melancólicos e muitas lições de vida, confesso que fui pego desprevenido aqui. Isso significa que foi ruim? Ao contrário, foi ótimo! Foi bom ter uma quebra de paradigma nesse ponto da trama. Mas isso não quer dizer que o episódio não trouxe reflexões importantes e sérias, que serão vistas mais adiante.


Vamos ao que interessa. A trama gira em torno de George (Paul Schneider), marido de Loretta e em como ele perdeu o braço… e isso tem ligação (mais uma) com o Loop. Só fui descobrir essa ligação no final da trama, o que me deixou com mais algumas pulgas incomodando para o último episódio.


De início, o que era uma simples amizade de garotos (Chris, Adam e George), via em uma brincadeira sem graça e, a partir dela, em um terrível pesadelo. Lembram daquelas histórias de terror em que uma criatura sinistra atacava as pessoas no meio de uma floresta ou pântano? Bem, é mais ou menos isso o que acontece aqui.



Os atores Callum McAllister, Keenan Lehmann e Emjay Anthony dão vida às versões jovens de Chris, Adam e George, respectivamente. Em relação às atuações, muito boas. Na realidade, tirando uma ou outra atuação pontual, todos os personagens da série tiveram atuações “na média”, sem comprometer a qualidade dos personagens…. nenhuma atuação para “Oscar” nem para “Framboesa de Ouro”, de modo geral.


Falando sobre a trama do episódio, tudo gira em torno de uma lenda sobre uma ilha isolada na qual habita uma criatura macabra. Quem nunca sacaneou um amigo ou amiga que atire a primeira pedra… confesse que, em algum momento da vida, você já fez isso. E, se você já fez, sabe muito bem que muitas vezes essas sacanagens não terminam nada bem. Os três garotos resolvem dar uma passeada por lá, mas George é sacaneado por Chris e Adam e é deixado sozinho na ilha. A partir daí, salve-se se puder!


Gostei da pegada estilo “O Predador” que o episódio teve, aumentando a tensão e os sustos. Outro ponto positivo para o episódio foram os efeitos sonoros e a parte de áudio, que deixou o clima bem imersivo… era como se você estivesse lá, tentando escapar da criatura… foi show!

Alternando entre passado e presente, George retoma as lembranças da ilha e de como perdeu o braço (um bicho sinistro mordeu o braço e o deixou bem inchado, com uma bolha de infecção com uma espécie de gosma verde escorrendo). A cena do braço com a infecção verde trouxe mais uma referência ao filme “O Predador” que, aliás, é um dos meus favoritos do Arnold Schwarzenegger (eita sobrenome difícil de escrever!). Com certeza, os showrunners assistiram ao filme antes de escrever o roteiro desse episódio!


Passados alguns anos, George resolve voltar à ilha, após uma conversa com Klara. Aliás, depois da conversa do episódio anterior sobre Realidades Paralelas, a troca de informações entre George e sua mãe foi pra lá de empolgante! Pensa numa criança indo pela primeira vez em festa de aniversário… tipo eu ao ver a cena! E, a partir dela, as teorias foram surgindo:


  • Se tem relação com o Loop, o que poderia ser?

  • Klara diz que o marido criou o que está na ilha… de uma forma ou outra, por que esconder lá?

  • Essa criação teve alguma relação com a perda do braço de George (até parte do episódio, essa relação ainda não estava nítida)?

  • Se o que tem na ilha foi criado e foi considerado diferente, poderia ser algo envolvendo mutação genética ou inteligência artificial?

  • Quando ela fala que as próximas criações deveriam ser iguais a nós, teria algo a ver com andróides (uma vez que já vimos alguns robôs nos episódios anteriores)?



A cena final do episódio revela algumas dessas respostas, não sem antes nos dar alguns bons sustos. E o que é revelado me deixou empolgado! Um simpático (e assustado) robô era o grande mistério da ilha… nada de criaturas aterrorizantes com garras, unhas e dentes enormes devorando pessoas. Na hora, meu primeiro pensamento foi “inteligência artificial usada em andróides”... mais ou menos no tipo “O Exterminador do Futuro” (e olha lá nosso amigo Schwarzenegger de novo!)... o episódio foi repleto de referências!


E, a partir de agora, vamos às reflexões semanais. A primeira delas é sobre o que Klara diz ao filho, “As pessoas não gostam do diferente”. Bem, e o que isso significa? Não é muito difícil entender isso se você presta atenção ao que acontece ao seu redor. Diferenças como heteroafetivo x homoafetivo, cristão x ateu, branco x negro, esquerda x direita, pobre x rico, bonito x feio estão ao nosso redor 24 horas por dia.


Uma pessoa acima do peso é vista com sarcasmo por um grupo de pessoas magras… um negro é chamado de “macaco” por um grupo de brancos… um casal gay é impedido de entrar em uma igreja ou é espancado na rua por alguns “machões”... um ateu é ridicularizado em redes sociais por certos grupos religiosos fanáticos… e por aí vai, ao longo de toda a nossa história.


O medo do diferente e do desconhecido é o maior preconceito existente. E esse medo revela duas coisas interessantes: não confiamos em nós mesmos e não aceitamos que o outro seja autoconfiante. Isso significa que, ao mesmo tempo em que não somos capazes de superar nossos medos e receios, odiamos todo aquele que é diferente de nós porque, de alguma forma, queremos ser iguais a eles. Já parou para pensar nisso?


Aceitar a si mesmo é o primeiro passo para a felicidade. E aceitar o outro como ele é é o primeiro passo para a humanidade! A partir do momento em que deixamos nossas diferenças de lado e unimos forças, somos mais fortes frente às adversidades, sejam elas quais forem.

O preconceito nos afasta dos outros e nos torna mais fracos. Já, a aceitação ao diferente e ao desconhecido nos torna mais fortes, confiantes, amorosos e felizes. E o melhor remédio para superar esses preconceitos idiotas é o respeito, a humildade e o amor.


A segunda reflexão é: estamos prontos para uma nova era, em que os robôs poderão assumir o controle de tudo? Até que ponto vale entrar tão a fundo em estudos, pesquisas e experiências com inteligência artificial? Será que, um dia, isso não sairá do nosso controle? O medo de Joss, ao criar aquele robô e o esconder na ilha, traz um pensamento interessante e muito bem trabalhado na franquia “O Exterminador do Futuro”: e se a Skynet se tornasse real?


Com o avanço da tecnologia nas áreas da robótica, nanotecnologia e inteligência artificial, essa possibilidade vai se tornando cada vez mais real e (assustadoramente) próxima. Vemos em feiras de tecnologia robôs que conseguem expressar diversos sentimentos, sistemas inteligentes de segurança baseados em IoT (Internet of Things, ou, Internet das Coisas) e novas tecnologias nas áreas da saúde, engenharia e bélica utilizando microrrobôs (assistam ao filme Operação Big Hero).


Já houve iniciativas e estudos para (pasmem!) transferir a mente humana de cientistas e gênios em fase terminal para redes neurais superdesenvolvidas, de modo que todas as informações armazenadas pudessem ser gravadas e acessadas. E se essa tecnologia ganhasse vida e auto suficiência?


Outro filme épico sobre o assunto é Blade Runner - O Caçador de Andróides. Talvez, estejamos a alguns passos de um futuro pós-apocalíptico, em que humanos sejam caçados por andróides. Quem sabe, daqui a alguns anos, não sejamos a praga que assola o mundo e os andróides sejam os exterminadores… vai saber!?!



Por ora, é isso. Nos vemos na próxima resenha que, infelizmente, será a última desta temporada e que, certamente, reserva grandes surpresas e revelações!