NoEDC.jpg
Buscar
  • Angers Moorse

The WIZ Live! - uma energia contagiante



Salve, salve, galera! Se você tem nos acompanhado, então já sabe que estamos resenhando alguns dos musicais da Broadway, liberados para visualização através do canal do YouTube, “The Shows Must Go On”. Para quem ainda não sabe, recentemente, a Universal liberou várias das grandes peças de teatro da Broadway em seu canal oficial no YouTube. A iniciativa tem o intuito de oferecer uma experiência única aos espectadores e, da mesma forma, valorizar as pessoas envolvidas nesses espetáculos. A cada semana, sempre às sextas, uma peça é liberada na íntegra e fica disponível por até 48 horas para visualização. Depois disso, ela fica indisponível e outra peça entra no lugar.


A primeira peça a ser exibida foi “Jesus Christ Superstar”, no dia 03 de abril. Depois, foi a vez de “Joseph and the Amazing Technicolor® Dreamcoat”, no dia 10 de abril. No último dia 17 de abril, quem abrilhantou foi “The Phantom of The Opera”. Dia 24, foi a vez de “Love Never Dies”. Para o dia 01 de maio, o grande show em tributo às composições de Andrew Lloyd Webber, “Andrew Lloyd Webber’s Royal Albert Hall Celebration”. Quem deu o ar da graça em 08 de maio foi “By Jeeves!”. No dia 15 de maio, foi a vez dos gatos entrarem no palco, com o aclamado musical “Cats The Musical”.


Quem sacudiu o palco em 29 de maio foi “Hairspray Live!”. Entretanto, como nem tudo são flores no nosso jardim chamado Terra, tivemos alguns fatos trágicos que, infelizmente e mais uma vez, reacenderam a questão do preconceito racial. Isso fez com que a Universal não exibisse outro musical no dia 05 de junho, em apoio ao movimento “Black Lives Matter”.


No entanto, em respeito aos vários atores, atrizes e membros da Broadway e de outros palcos que atuam nos mais diversos espetáculos ao redor do planeta, a Universal não se calou e enviou sua resposta e ato de repúdio ao preconceito exibindo o musical “The WIZ Live!”... não poderiam ter escolhido musical melhor! Além de ser uma forma justa, direta e maravilhosa de protesto, é um verdadeiro show! Esqueçam aquele musical tradicional, com uma pegada mais fantasiosa e certo ar de inocência… essa versão de O Mágico de Oz vai fazer você levantar do sofá e caprichar nos passinhos. Afinal, é impossível ficar parado ao ouvir e ver as músicas!


E sem essa daquele papo de “ah, mas os atores e atrizes originais eram brancos” ou “ah, destruíram a essência dos personagens” (pasmem, já ouvi esse tipo de comentário de algumas pessoas)... isso não afeta, influencia ou deturpa em nada a fidelidade em relação ao musical original ou faz com que essa versão seja indigna. Nada disso, galera! Isso só destaca a originalidade, atualidade e sensibilidade desse musical fantástico. Então, vamos conhecê-lo melhor a partir de agora.


Provavelmente, você já conhece a história original de O Mágico de Oz. Dorothy Gale, uma jovem interiorana que mora com os tios Henry e Em e seu cachorro Totó, é arrastada em uma noite por um furacão e acaba parando em um lugar misterioso e maravilhoso. Lá, ela conhece Glinda, a Bruxa do Norte e os munchkins, pequenos habitantes do lugar. Ainda, Dorothy descobre que ela matou a Bruxa Má do Leste, libertando a todos da maldição.


Dorothy é ameaçada pela Bruxa Má do Oeste, mas é ajudada por Glinda e recebe os sapatos mágicos de cristal que eram da Bruxa Má do Leste. Ansiosa por voltar para casa e assustada com tudo o que aconteceu, Dorothy diz que quer voltar para casa e Glinda responde que somente o Todo-Poderoso Mágico de Oz poderá a ajudar. Então, Glinda orienta Dorothy a procurar pelo mágico na Cidade das Esmeraldas, sempre andando pela Estrada de Tijolos Amarelos sem nunca tirar os sapatos e os dar a ninguém.


No trajeto para a cidade, Dorothy encontra um espantalho, um homem de lata e um leão covarde. Ao saberem dos planos da jovem, os três decidem ir junto dela. O espantalho quer ter um cérebro; o homem de lata deseja ter um coração e o leão covarde quer ter sua coragem de volta. Então, Dorothy e os três novos amigos vão ao encontro de Oz.


Ao chegarem lá, precisam enfrentar e destruir a Bruxa Má do Oeste, além de encontrarem o Mágico de Oz e o convencerem a conceder os desejos. Entretanto, descobrem que o mágico é, na verdade, um charlatão, que se utiliza de artifícios e efeitos especiais para parecer um Deus para o povo local. No final das contas, o espantalho, o homem de lata e o leão encontram aquilo que procuravam e Dorothy e os amigos aprendem que devem confiar em si mesmos para alcançar seus objetivos.



História relembrada, paramos por aqui. Se você ainda tem em mente o aspecto visual, as coreografias, as músicas e as lembranças do filme ou de outras versões do musical, pode deixar de lado por ora e abrir sua mente para uma nova experiência. Afinal, essa versão tem uma pegada mais moderna, dançante e com mais energia, com muito Soul e Rhythm & Blues na trilha sonora (e rolou um pouquinho de techno music também).


Charlie Smalls, Timothy Graphenreed, Harold Wheeler, Graphenreed, George Faison, Ne-Yo, Elijah Kelley, Harvey Mason Jr, Stephen Oremus e Luther Vandross são os responsáveis pelas músicas que compõem essa atmosfera sonora no filme. Não tenho nem palavras para descrever a delícia que é ouvir cada uma das músicas… o pé se mexe sozinho a cada música e um sorriso contagiante vai surgindo de orelha a orelha.


Por eu ser músico, sempre tive minhas implicâncias com algumas trilhas sonoras de musicais. Contudo, The WIZ Live! superou (e muito) todas as minhas expectativas. Ainda que não tenha alcançado o poder e a magia de trilhas sonoras de The Phantom of the Opera e Grease, mas chegou em uma honrosa terceira posição nas minhas trilhas sonoras favoritas de musicais. Só tenho uma crítica, mas falarei dela apenas ao final desta resenha.


Os cenários são magníficos. Destaque para as cenas do tornado, dos corvos com o espantalho e dos macacos na floresta (lembraram um pouco o visual do Rumpus, do musical Cats). As coreografias dessas cenas são perfeitas, encantadoras, vibrantes e, sei lá… faltam adjetivos para as definir, de tão mágicas que são! Muito disso deve-se à participação mais que especial dos acrobatas performáticos do Cirque Du Soleil, que foram parceiros na produção do musical.


Muitas cores vibrantes, dando destaque especial ao amarelo e ao verde, muito presentes em grande parte dos números. A única cena que teve visual mais dark foi a do ataque dos macacos. Todos os cenários mereceram nota 1000… não teve nenhum que eu pensei “esse não ficou tão bacana” ou “poderiam ter feito diferente aqui”. Foi tudo perfeitamente elaborado, merecendo todos os elogios possíveis.


O elenco que trabalhou com as coreografias foi brilhante. Impossível falar de todos os números do musical, já que todas as cenas foram perfeitas. Sempre admiro e penso no trabalho que é ensaiar e sincronizar várias pessoas dentro de uma mesma coreografia, para que saia de modo uniforme. Por isso, não posso deixar de afirmar que o elenco de apoio merece todos os elogios possíveis.


Como o elenco é grande, vou focar apenas em alguns personagens principais, que são o carro-chefe do musical. Isso não significa que os outros não foram importantes ou que não mereceriam ser relacionados aqui. Então, faço uma menção honrosa a todo o elenco do musical, que foi escolhido com muito cuidado e que mostrou extrema competência e brilhantismo.


Começo com Addaperle, a Bruxa Boa do Norte, perfeitamente interpretada pela maravilhosa atriz Amber Riley. Sou fã incondicional dessa atriz desde a série Glee. Ela é brilhante, encantadora, tem uma voz pra lá de poderosa e uma personalidade forte e marcante. Quando eu vi o nome dela nos créditos iniciais, já dei um pulo da cadeira… ela é demais!


A próxima personagem que eu destaco é Evillene, a Bruxa Má do Oeste. Quem dá vida à personagem é a atriz Mary Jane Blige. Curti demais ela, mesmo aparecendo apenas em uma pequena parte do musical. Só que, sabe aquelas personagens que aparecem pouco, mas que, quando chegam, tocam o terror e mostram para o que vieram? Pois bem, Evillene é essa personagem maravilhosamente má… ou horripilantemente boa, como preferirem.


Um dos personagens que eu mais gostei quando assisti ao filme Tin Man - A Nova Geração de Oz (2007, estrelado pela maravilhosa Zooey Deschanel) tinha sido o espantalho. Dessa vez, apesar de ter gostado muito do espantalho do musical, faltou um tiquinho para superar o do filme. Nem por isso deixo de destacar a brilhante atuação de Elijah Kelley no papel. A interação dele com os outros personagens é muito bacana e o ator canta bem pra caramba, além de que, mesmo sem cérebro, ele é perspicaz e inteligente o tempo todo… é mais uma preferência minha pelo espantalho mostrado no filme… mas esse espantalho é fabuloso também.


Outro personagem que ganhou minha atenção foi o leão covarde, interpretado por David Alan. Embora também a construção do personagem não tenha sido tão impactante quanto à do personagem do filme original, a cena em que ele aparece pela primeira vez é muito bacana. Fica meio clichê falar que o ator também canta muito, uma vez que só tem fera no elenco… mas o cara canta muito! A sinergia dele com os outros personagens é muito bacana, mas senti falta de um pouco mais de carga emocional no personagem… nada que afete o brilhantismo dele e que me faça mudar minha nota 10 para ele.



Chegou a hora de falar no meu segundo personagem favorito do musical (já sabem quem foi meu primeiro, né?)... o homem de lata foi INSANO! Cara, curti demais ele… não tenho nenhuma pontuação ou objeção ao personagem que, na minha opinião, teve uma construção perfeita no musical. Isso sem contar a coreografia dele na primeira cena, quando Dorothy mete um “WD-40” nas juntas dele e ele sai dançando… fantástico! Shaffer Chimere Smith (ou, para os mais íntimos, Ne-Yo) foi um show à parte o tempo todo!


Agora, impossível falar de Mágico de Oz sem mencionar ele… o mágico. Roubou a cena quando apareceu e mostrou quem manda no pedaço. Quem deu voz, vez e vida ao personagem foi ninguém mais ninguém menos que a diva Queen Latifah! Não há palavras que descrevam o talento e preciosidade dessa mulher… ela é simplesmente demais! E ainda capricharam no cabelo, maquiagem e figurino dela… foi incrível!


Bem… sentiram falta de alguém? Pois então, vamos àquela que foi a cereja do bolo… ou, a estrela do musical. Dorothy Gale foi representada de forma perfeita, épica, magistral, divina e impecável por Shanice Williams. Que voz, que atuação, que brilho… que tudo! Judy Garland certamente, de onde quer que esteja, viu com largo sorriso nos lábios a atuação dessa “pequena” gigante chamada Shanice.


A menina canta demais, dança demais, tem muita ginga e presença de palco, a sinergia dela com todos os personagens é incrível, e quando precisou tomar a frente das cenas, fez com maestria. Quando não era a parte central das cenas, soube como mostrar seu potencial sem invadir o espaço alheio. Digo isso porque tem muito ator/atriz que ama aparecer quando não deve… ela foi impecável! Fora que é uma menina muito bonita, carismática e simpática… impossível não se apaixonar por ela. Sem pensar duas vezes, minha medalha de ouro entre os personagens!


O que achei do musical? Superou todas a expectativas que eu tinha, não tinha e poderia ter! Para não dizer que foi perfeito, teve apenas uma “pequena grande falha”... CADÊ A MÚSICA OVER THE RAINBOW??? Foi minha única indignação com o musical. Se tivessem feito uma versão techno, jazz, soul ou R&B eu já ficaria feliz… mas tinham de ter colocado essa música em algum lugar. Foi o pecado capital do musical, mas, como meu coração perdoa sempre, vou dar uma chance a essa falha perto de todas as coisas maravilhosas que essa versão trouxe… e foram muitas!


Para finalizar, como forma de protesto, a Universal acertou no alvo na escolha. Afinal, não importa sua raça, cor de pele, status, posição social, conta bancária, opção religiosa, orientação sexual ou qualquer outra diferença. No final das contas, somos todos iguais, dividimos o mesmo planeta Terra e precisamos nos amar mais e nos odiar menos. Afinal, não é só #blacklivesmatter, mas sim, #alllivesmatter!



Por hoje, é isso. Nos vemos no próximo musical!