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  • Gisele Alvares Gonçalves

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - Duas Rainhas

Olá, reis e rainhas do meu coração… Tudo bem com vocês? É com muita alegria e tristeza ao mesmo tempo que anuncio que, com esta resenha, encerramos a nossa jornada épica através da história da realeza inglesa! Claro, como The Spanish Princess ainda está lançando sua segunda temporada, continuaremos a acompanhar esta série, porém em termos de cronologia este será o mais longe que chegaremos com a dinastia Tudor. Aí alguém pode se perguntar: Duas Rainhas, por que? Afinal, este longa foca na Mary Stuart, e não na Elizabeth I! Mas aí eu devo lembrar a vocês que, por ser neta de Margaret Tudor e, com isso, bisneta do Henry VII, a Mary e a Elizabeth descendem ambas do primeiro rei Tudor, e é precisamente por este motivo que a rainha escocesa se dizia no direito ao trono inglês.


No filme, ao menos, Mary foi muito arrogante neste sentido, considerando a Elizabeth como inferior a si (olha o desaforo!), e por isso eu acabo não gostando muito da personagem. Ninguém tem o direito de ofender o meu bebê! Além do mais, não é deixado explícito o porquê de tais insultos, mas imagino que seja pelo fato de que Anne Boleyn, mãe da ruivinha, casou-se com o rei após o rompimento deste com a igreja católica… Ou seja, ela casou-se com um homem divorciado, algo que não foi muito bem aceito pelos católicos. Sendo assim, muitos consideravam a Elizabeth uma bastarda, o que provavelmente era o pensamento da Mary Stuart também.


A arrogância da personagem, no entanto, não dizia respeito apenas à sua suposta superioridade sobre a rainha da Inglaterra, mas a atitudes mal calculadas e estúpidas que acabaram por botar em risco sua própria vida. Quero dizer, quando alguém falava alguma coisa contra ela, a Mary não botava o cara atrás das barras, ou punia tirando-lhe terras e privilégios, ela simplesmente bania a pessoa da corte! Olha, se tem uma coisa que eu sei da vida, é que a gente mantém os amigos perto de nós, mas os inimigos nós mantemos mais perto ainda… Principalmente se ocupamos um cargo de poder.


Ela basicamente permitiu o clubinho do ódio à Mary Stuart, já que mandou todo mundo para longe, livres para conspirarem à vontade! Cara, quem é que faz isso, em pleno juízo? Depois eu prefiro a Elizabeth e ninguém sabe o porquê. A questão é que a inglesa não se deixou guiar pelas emoções, ao contrário: ela domou os seus sentimentos e foi racional a cada passo dado. Calculou bem o que ia, ou não, fazer, e inclusive abriu mão do amor e da maternidade para manter a coroa (e a cabeça). A Mary casou-se com um homem que mal conhecia, e que já tinha dado sinais claros que queria poder (quando ele pergunta se seria mestre dela, o que a moça entendeu daquilo?). Ela fez isto porque estava apaixonada, e não porque entendeu que isto seria uma estratégia válida! Aí não dá pra defender mesmo, né filha?



A questão é que a Mary se achava muito segura, e nem se preocupou em avaliar a situação para perscrutar quaisquer perigos que poderiam lhe causar dano. Ela não sabia o quanto o poder é mutável, nem o quanto a corte é um ninho de cobras, acreditando cegamente que todo mundo a respeitaria simplesmente porque ela já nasceu com o título de rainha. A Elizabeth, por outro lado, que cresceu sem mãe por causa das tretas políticas, sabia que há perigo em cada esquina, e que o casamento pode ser fatal para uma rainha, e por isso foi cautelosa e protegeu-se muito melhor. Ela não foi impulsiva, e levou a melhor ao fim do jogo.


Apesar de achar a Mary uma personagem arrogante e burrinha, no entanto, eu não desmereço nem um pouco a atuação da Saoirse Ronan, ao contrário: achei que ela brilhou no papel, e deu o tom certo para a personagem. Confesso, no entanto (e agora chegou a hora de ser apedrejada), que prefiro a Adelaide Kane como Mary Stuart, pois acho que, além de ter a força necessária para a personagem, ela é mais carismática e tem uma atuação muito mais impactante em momentos dramáticos. Veja bem: eu não estou falando, em nenhum momento, que Reign seja uma produção melhor que Duas Rainhas, só estou falando especificamente das atuações das atrizes. Certamente, em absolutamente todos os outros quesitos, o filme aqui resenhado dá de dez na série da CW.


Agora, uma que me surpreendeu positivamente foi a Margot Robbie como Elizabeth I. Eu confesso que antes só conhecia a atriz de Esquadrão Suicida, mas já amava profundamente ela, pois sua versão de Arlequina (neste filme, esqueçamos o fiasco de Aves de Rapina) foi incrível e cativante, tanto é que, pouco tempo depois que o longa foi para o cinema, já estávamos vendo uma procissão de artigos da Harley Quinn à venda nos lugares mais inesperados (eu só tenho uma camiseta, mas queria ter muito mais). Margot Robbie conquistou o mundo como Arlequina, e mostrou sua versatilidade e doçura como Elizabeth I.


Ela conseguiu mostrar, em tela, todos os elementos que já esperávamos da personagem: a insegurança, a luta contra as emoções, a inveja das mulheres que podem ter o que ela não pode. Apesar de mostrar tudo isso, no entanto, ela o faz sempre com a fala mansa, o tom de voz suave e sem perder as estribeiras, como a Elizabeth da Cate Blanchett. A Margot conseguiu dar autoridade sem precisar apelar para os gritos, e isto é bastante incrível e inesperado, em especial para o cinema de hoje, que gosta de mostrar temperamentos violentos em mulheres.



Falando em mulheres… Sabia que a direção deste filme é feminina, de uma mulher chamada Josie Rourke? Não apenas isso, como Duas Rainhas foi o primeiro trabalho dela fora do teatro. Fala sério, essa diretora provou que veio para ficar, com um trabalho tão belo e impecável quanto este! Fico indignada quando falam mal de sua obra, falando que ela não soube dosar os tempos de tela entre a Mary e a Elizabeth. Na minha opinião, a organização do tempo de tela foi impecável, mostrando tudo o que precisava ser mostrado para que a história tivesse qualidade, sem repetições desnecessárias ou cortes perigosos da trama. O filme ficou profundo, coerente e “redondinho”, como se costuma dizer, tão perfeito que, se alguém for mexer, estraga.


Uma prova de que sua direção foi genial foi a cena do parto de Mary Stuart. Não sei se vocês se lembram, mas ao mesmo tempo em que a rainha escocesa está lá, sofrendo ao dar a luz, a Elizabeth está fazendo um trabalho artístico de rosas brancas e vermelhas, o símbolo da sua casa. Aí, ao tempo em que aparece Mary com o filho no colo, as pernas abertas e o sangue manchando os lençóis brancos, a Elizabeth também aparece sentada ao solo, as pernas abertas com o vermelho das rosas Tudor como se saíssem de seu corpo. Naquele momento, então, simbolicamente Elizabeth também deu à luz: ao seu povo, à sua dinastia e ao seu legado enquanto rainha. Esta cena foi tão bem montada que, sem dizer uma palavra, ela fala mil coisas ao expectador. Não é isso que representa uma boa direção?


Claro, como em todas as obras de todos os diretores no mundo, Josie Rourke comete erros, e o mais sentido (por mim e por muitos fãs de obras históricas), foi colocar atores etnicamente e historicamente errôneos para certos papéis da nobreza inglesa. Um dos casos foi colocar o Adrian Lester como Lord Randolph e o outro foi ao escalar Gemma Chan como Bess of Hardwick. A questão, além da incoerência histórica, é que este tipo de decisão prejudica na imersão à época, e portanto na própria trama do filme. Claro, isto não é motivo para se deixar de ver uma obra tão bela e profunda, porém é um erro que poderia ter sido evitado.


Não me entendam mal, eu não estou falando que os atores não tem talento ou coisa assim, porém foram colocados em papéis não condizentes com sua descendência. Em qualquer outro filme, eu tenho certeza que eles teriam brilhado, fossem tramas contemporâneas ou sobre o passado de suas próprias raízes. Outro detalhe que prejudica a imersão à época foram certas escolhas de figurino, como o traje jeans da Mary Stuart. Uma nobre, e mais, uma rainha utilizar tal tecido no século XVI é inconcebível. Mas, como em todo o drama histórico antes deste, e como todo o drama histórico que virá depois, a gente solenemente ignora estes detalhes, porque erros históricos, por mais que não sejam desejados pelo público fiel ao gênero, continuam sempre acontecendo, quer a gente goste ou não.


E aí, gostou da resenha? O que você achou da atuação da Saoirse Ronan, e da direção da Josie Rourke? Comente aí abaixo suas opiniões, e não deixe de dar uma passada também nos outros posts da saga Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor… Os links estarão aí embaixo, em ordem cronológica dos eventos. Por hora, no entanto, eu deixo um beijo e um queijo para vocês, e uma esperança de que possamos nos encontrar em outras resenhas. Até a próxima!


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