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  • Gisele Alvares Gonçalves

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor – The Tudors (season 4)

E aí, reis e rainhas do meu coração… Tudo bem com vocês? Chegamos, finalmente, à última temporada da nossa série amada, e o coração já começa a ficar apertadinho de saudade. Por um lado, no entanto, eu fico feliz que a série tenha terminado aí, e não prolongado as tramas sem necessidade, afinal ela corria o risco de se tornar repetitiva, e não empolgante, se tivessem feito isso. São sempre as mesmas questões: os romances de Henry, a sua mimadice, os tratados com a Espanha e com a França (que não valem de nada) e as tretas da corte. Sendo assim, condensar a história para que tanto Catherine Howard como Catherine Parr, além da morte do próprio Henry, coubessem nos dez episódios finais, foi uma decisão mais do que necessária.


Se a série tem um formato perigoso de se cair na mesmice, no entanto, os diálogos profundos acabam por resgatar o expectador, fazendo-o perceber o diferencial de The Tudors em relação às outras séries do gênero (cof cof, The Great, cof cof). Nesta season, por exemplo, tivemos muitas falas ricas sobre nostalgia, juventude e a intransigência do tempo, que casam bem com o período da vida que o protagonista estava experienciando. Aliás, o próprio plot do cerco a Boulogne já é uma materialização do desejo do Henry de enganar o tempo, de mentir para si mesmo que ainda era jovem e capaz de grandes conquistas (grandes conquistas? Se matar um monte de gente, aliado à consequência de ficar financeiramente quebrado, for uma grande conquista, eu não sei mais nada nessa vida). Mas chega de papo, não é mesmo? Vamos ao que importa, vamos às fofocas sobre os personagens da temporada! Sendo assim… Segurem suas coroas, senhoras e senhores, porque lá vamos nós!

Henry VIII – Eu já estou cansada de falar o quanto o Henry é mimado e hipócrita. Ao invés disso, então, eu vou falar sobre aquilo que toca mais diretamente à velhice do personagem: a sua inabilidade para crescimento emocional. Diga-se de passagem, tais atitudes do rei são inadmissíveis mesmo para um jovem, mas quando perpetradas por um velho elas acabam se tornando não apenas moralmente questionáveis, mas ridículas. Quero dizer é que o público espera que, com o passar do tempo e o enfrentamento dos desafios ao longo da série, que o personagem vá amadurecendo e se tornando mais sábio, porém nem um resquício de sabedoria podemos encontrar em Henry VIII, mesmo em seu último episódio.

Cara… O que foi os chiliques de bailarina que ele deu durante o cerco a Bologne? Parecia que o homem era uma criança de dez anos que não entendia nada sobre guerra, mas estava impaciente para ganhar o brinquedo novo. Nada estratégico, nada racional, acabou ganhando a cidade na cagada e às custas de mais vidas do que seriam necessárias. Aliás, toda essa guerra foi uma palhaçada dispensável, que só serviu para empobrecer mais o povo da Inglaterra, o mesmo povo que o Henry deveria cuidar. Pois é, galera, o cara foi um trouxão do começo ao fim, e sua única qualidade redimível foi ele ter se apaixonado pela deusa Anne Boleyn (vocês viram ele falando com o fantasma dela no último episódio? E aquela última chamada que ele faz? Ain, meu coração de shipper não aguenta!).



Charles Brandon – Esse cara sim amadureceu, e o quanto! Aliás, de acordo com uma fala dele muito, mas muito sutil, dá até para perceber que ele nem era mais amigo do Henry, mas servia suas vontades a fim de manter a cabeça sobre o pescoço. Ele se tornou um homem paciente e de temperamento brando, de certa forma até morto, como o próprio chegaria a comentar… Afinal, depois de todas as mortes que ele causou, e dos fantasmas com que conversou, faltou a ele objetivo de vida.


Essa é a questão do ódio: você pode até vencer e destruir a pessoa, porém logo o prazer da vitória se esvai, deixando apenas um vazio (que geralmente é preenchido com mais ódio, como foi o caso do Charles). Ele até consegue romper este ciclo vicioso, porém não encontrou nada para colocar no lugar deste sentimento… Até conhecer uma certa francesinha belíssima, quem lhe dá razão para sorrir em seus últimos dias.


Agora, vem cá: se é bem verdade que o amor (sincero e respeitoso) é motivo o suficiente para a vida, o Charles errou ao não pensar no futuro da Brigitte depois que ele partisse. Sem família na Inglaterra, sem nada de seu (tudo o que era do Charles ia direto para a sua mulher megera), o que ela iria fazer? Não gosto nem de pensar, mas talvez a única solução seria encontrar um novo amante que a sustentasse, ou engajar em uma das mais velhas profissões desse mundo, que sempre serviu às mulheres perdidas.



Edward Seymour – Nesta temporada ele enfrenta oposição à sua guarda ao menino Edward, porém fora isto nada de muito diferente ocorre a ele nesta temporada. Protestante raiz, porém covarde (protestante? Oi? Não tinham dito que os Seymours eram católicos, e a irmã dele não era adepta das velhas crenças? O cara virou a casaca, então?), não mostra muito as suas verdadeiras cores por aí, nem acolhe aqueles que precisam de sua ajuda porque, sei lá, estão com risco de serem torturados ou mortos. Enfim, apesar de ser do time para o qual eu torço, definitivamente nunca foi o meu personagem preferido, e esta constatação continuou verdadeira na quarta temporada.


Anne of Cleves – Amorzinho da minha vida, fofura de unicórnio cor-de-rosa! Como não amar esse docinho de coco, hein? Ela é a verdadeira mulher mais feliz da Inglaterra, dona do seu próprio nariz e carismática até o último fio de cabelo. Aliás, como ela se desenvolveu neste sentido, não é mesmo? Olha só como não ter um machado sobre o pescoço faz bem pra pele! Enfim, gosto muito da amizade que ela tem com a Catherine Howard nesta temporada (elas quase viram besties), e gosto também da forma como ela cuida da Elizabeth e tornou-se amiga do Henry. Aliás, falando nele… Não era este o cara que dizia que a Anne tinha cara de cavalo? Pois bem, parece que o jogo virou, não é mesmo?



Henry Howard – também conhecido como o esnobe que a gente não tem como não gostar! Olha, o cara pode ser besta, pode ser orgulhoso, pode até ser elitista… Mas ele tem uma qualidade que falta há muita gente dessa série: honestidade. Ele não fica adulando fulano ou cicrano só porque está na moda fazer isto, o cara é raiz em seus afetos e diz na lata quando não gosta de uma pessoa. Ok, ele também não é muito inteligente (querer roubar o menino Edward? Não existe plano neste mundo que iria tornar tal empreendimento sustentável!), mas ele ganha o nosso coração mesmo assim, bem como ganhou várias simpatias durante o julgamento, onde ele falou bem e com razão.



Catherine Howard – a minha doce tolina! Bom, antes de começar a falar sobre ela, devo jurar solenemente que não gosto de adultério e não acho esta uma atitude justificável nunca. Ainda assim, tem como não gostar dessa linda pulguinha faceira, cheia de vida e de entusiasmo com tudo? Além do mais, palmas para a atriz Tamzin Merchant, que soube interpretar uma adolescente no auge de sua glória com um talento magnífico. Não é à toa que Game of Thrones queria que ela interpretasse a Daenerys Targaryen! Só pena que ela não ficou no papel… Talvez, com toda a vivacidade da Tamzin, eu fosse gostar desta personagem (pronto, falei!).


Thomas Culpepper – O personagem mais psicopata da série inteira, tinha até no olhar um quê de obscuridade e malvadeza. Estuprar uma mulher aleatória, e depois matar o seu marido? Caramba, isso é muito sinistro! Só pena que a Catherine Howard não conhecia estes lados do seu “amor verdadeiro”, não é mesmo? Se conhecesse, talvez ela fosse até repensar essa coisa toda de “sua até quando a vida perdurar”. Ainda assim (e por causa disso), palmas para o ator Torrance Coombs, que foi genial ao interpretar o pagem do rei! Sério mesmo, não conseguiria ver nenhum outro ator neste papel.



Catherine Parr – Depois do trauma da Catherine Howard, o Henry decide escolher uma esposa que era em tudo o seu contrário: calma, paciente, sábia e culta. Por Deus, essa mulher era não só uma escritora, mas uma teóloga! E é por isso que eu acabo me identificando tanto com esta personagem e gostando tanto dela. Afinal, o que há para não gostar? Mesmo sendo protestante raiz, ela respeitava a crença da Mary Tudor e a considerava como amiga, não vendo problema nenhum em pessoas de fés diferentes se relacionarem. E aí, está errada? Mas enfim, ainda que dê uma pena por ela ter que se humilhar e renegar sua fé para permanecer viva, confesso que não julgo ela, e até faria o mesmo… Rezar a gente reza em segredo, mas até pra isso a gente precisa de uma cabeça sobre o pescoço.



Embaixador Chapuys – O mesmo espanhol católico de sempre, porém com um adicional nesta temporada: não sei se a idade o tornou sábio, porém ele começou a dar bons conselhos para a Mary, mostrando diferença do radical que ele foi no passado. Sim, ele sabia que a Catherine Howard era uma tolinha, mas ela era uma tolinha inofensiva, então por que Mary não iria fazer amizade com ela? Não vou dizer que as duas fossem ao shopping juntas, mas ao menos demonstrar boa vontade seria uma coisa interessante. Não só isso, mas também a reação dele aos chiliques da Mary demonstram que ele estava assustado com a moça! Quero dizer, ela prometeu um banho de sangue na Inglaterra, né? Se ele não ficasse no mínimo chocado, ele seria tão psicopata quanto ela.



Mary Tudor – Agora sim, começamos a ver as cores da Bloody Mary! E que atuação, senhoras e senhores! A Sarah Bolger nos deu de presente cenas incríveis e chocantes nesta temporada, como eu já mencionei ao falar sobre o Embaixador Chapuys. Além disso, foi legal desmascarar um pouco da pose de “boa moça” dela, mostrando-a pela invejosa maligna que ela é. Não só ela odiava a Cathy Howard por motivos nada saudáveis, como também a Catherine Parr, que só tratou ela bem do começo ao fim da temporada. Enfim, ela acabou se tornando igualzinha ao pai, em muitos aspectos: radical, sanguinária e tóxica. E aí, bom trabalho, né minha filha?



Elizabeth Tudor – personagem que eu amo muito… Atriz que eu não suporto. Sério, de onde tiraram essa menina? Ou melhor, ela é filha de quem da produção? Pergunto isso porque fiquei procurando a atuação dela, mas não achei. Enfim, ao menos o roteiro salva alguma coisa. Conseguiram mostrar a ruivinha pela jovem inteligente que ela foi, e amante das danças da corte (como bem retratado no filme Elizabeth e Elizabeth – A Era de Ouro). Aliás, esta personagem histórica vai ser o nosso próximo foco aqui em No Escurinho do Cinema, não é mesmo? Então fiquem ligados, porque semana que vem voltaremos com novidades neste departamento!



E aí, gostaram da resenha? Curtiram a quarta temporada? Deixem aí embaixo seus comentários sobre os episódios, e sobre as nossas considerações sobre os personagens. Ah, e não deixem de acessar os links das outras resenhas de Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor, pois aposto que vocês vão gostar do que preparamos para vocês em cada um dos textos! Agora, no entanto, eu deixo um beijo e um queijo para vocês, e uma esperança de que possamos nos encontrar em outras resenhas por aqui. Até a próxima!


Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The White Queen

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The White Princess

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (season 1)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E1)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E2)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E3)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E4)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E5)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E6)

Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - The Spanish Princess (S2E7)

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Um Olhar Sobre a Dinastia Tudor - A Outra

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