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  • Gisele Alvares Gonçalves

Um Reino Unido

Olá a todos reis e rainhas do meu coração… Como vocês estão? Hoje eu vim falar sobre este filme bastante desconhecido, mas uma pérola valiosa de Hollywood, que todos os amantes de obras históricas e românticas deveriam ver. Você já pensou se, no início do Apartheid, um rei africano se apaixonasse por uma escriturária inglesa, e seu amor fosse tão grande que desafiasse política e preconceito? Pois bem, isto aconteceu de verdade! Seretse Khama, rei da Bechuanalândia, conheceu Ruth Williams no Lloyd’s of London, no Reino Unido, para onde havia ido a fim de fazer a sua graduação. Eles se casaram em 1948, após um ano de namoro, e aí é que começaram os problemas… Afinal, não apenas o governo inglês ficou contra o casal, mas também o povo da Bechuanalândia. As dificuldades incluíram o exílio de Seretse Khama em Londres, e a eventual troca de regime político em seu país, da monarquia para o presidencialismo. No fim, no entanto, nada foi maior do que o amor verdadeiro, e Ruth e Seretse ficaram para sempre juntos, trabalhando pela Bechuanalândia e cuidando de seus lindos filhos.

Já adianto para vocês… Essa é uma história sobre o romance de Seretse e Ruth, que foi cimentado pelo sentimento mais honesto e belo que o ser humano é capaz de sentir, mas também é uma história dramática que vai fazer você se emocionar, e até chorar, em vários pontos da narrativa. Essa é uma história, enfim, sobre boas pessoas sendo injustiçadas, porém mostra que ainda há esperança para os seres humanos, pois enquanto valorizarmos mais o amor do que poder e política, estaremos no rumo certo.



Filme com produção incrível, diálogos ricos e temática profunda, não deixa margem nenhuma para críticas ruins. O elenco também é de fazer babar, tendo o incrível David Oyelowo como Seretse e a doce Rosamund Pike como Ruth Williams. Confesso que não conhecia o David ainda de outros filmes ou séries, mas me apaixonei por ele já no trailer. Que homem talentoso e apaixonante, e bonito! É daqueles personagens tão queridos que dá vontade de guardar em um potinho, para assim protegê-lo do mundo. Além disso, ele é daqueles atores que te faz chorar nas cenas dramáticas, algo essencial para um filme tão sensível e intenso quanto este. Já a Rosamund… Ora, você já conhece ela, porém não está se lembrando! Ela foi a Jane Bennet na versão de Orgulho e Preconceito mais famosa hoje em dia, além de ter vivido Marie Curie em Radioactive. Tá bom pra vocês?


Bom, agora que já convenci (espero!) vocês a conhecerem este filme, devo me despedir daqueles que ainda não o viram, acreditando, do fundo do meu coração, que vocês encontrarão ele para ver, e assim poderão se maravilhar com essa joia rara que é Um Reino Unido. Enquanto isso, vou falando com aqueles que já assistiram ao longa, continuando o papo na zona de spoilers.

Zona de Spoilers


O mais interessante desse filme, certamente, é acompanhar como o casal enfrentou preconceitos ao longo de sua trajetória. Em Londres, Seretse e Ruth foram atacados por arruaceiros, os quais alegavam que a mulher, por ser branca, pertencia ao seu povo. Em Bechuanalândia, Ruth não foi aceita de imediato, o divórcio do casal foi exigido e até mesmo a coroa do homem foi posta à prova. O mundo estava dividido, porém Seretse tinha o objetivo de uni-lo, para que todos pudessem conviver e se amar, independente de sua cor. Afinal, por que faríamos diferente? Por que o tom da pele deveria impedir o afeto, o romance e o casamento?


O matrimônio dos personagens não foi apenas um ato de coragem, mas um ato de verdade em meio a um mundo de mentira. Para o governo britânico, no entanto, era perigoso demais que Seretse e Ruth mostrassem a todos que não havia real impedimento para a convivência fraterna entre os povos… Como no passado, este casamento selou uma união muito maior do que duas pessoas, ameaçando arruinar os planos de Apartheid que seriam impostos na África do Sul (país vizinho à Bechuanalândia).


Eles ousaram dar este passo, mostrando a todos que quisessem ver a grandiosidade que poderia existir na raça humana, porém os mesquinhos jamais aceitariam tal grau de evolução. Aqui falo especialmente de Sir Alistair Canning que, no filme, foi o maior empecilho para o amor verdadeiro triunfar. Este homem somente via a dominação e a riqueza, e jamais entenderia a beleza de um sentimento tão puro e nobre como de Seretse por Ruth.


Claro, o tio de Seretse também foi contra o casamento no início, bem como a irmã do protagonista, Naledi, porém suas razões para não compreenderem o amor do casal foram outras. Acredito que Tshekedi e Naledi tinham medo que, cada vez mais, os britânicos fossem dominar a sua terra e seu povo. Eles não conheciam o coração de Ruth, não sabiam que ela amava a África tanto quando eles mesmos amavam, e que jamais iria pôr os interesses dos britânicos acima dos interesses de Bechuanalândia. Para além disso, eles estavam enraizados em uma cultura ancestral, e esperavam que Seretse cumprisse com as tradições dessa cultura, sentindo-se frustrados quando o homem não o fez. Sendo seus motivos estes, e não a vil ganância e preconceito de Alistair, ao longo da narrativa tanto Naledi quanto Tshekedi vão mudando de opinião, aprendendo sobre os verdadeiros valores humanos e percebendo que Ruth é uma verdadeira rainha africana, ainda que não tivesse nascido no local.


Aliás, como é lindo ver a Ruth se entrosando com a cultura africana, aprendendo sua língua e se aproximando de seu povo, passando a se portar como aquelas mulheres se portavam! Ela entrou de cabeça em seu papel como rainha, mas não isolou-se do povo, como muitas mulheres fariam… Ao contrário, ela se misturou a todos, pobres e nobres, e tornou-se uma estrela brilhante na monarquia de Bechuanalândia, honrando as suas tradições e as pessoas daquele país.


Ruth botava a mão na massa, segurando a filha em um braço, e um balde com água em outro (literalmente!). Gente, não tenho nem palavras pra começar a elogiar a força dessa mulher, por se manter fiel ao seu amor e por enfrentar tudo e todos para ficar junto a Seretse. A cena mais impactante, no entanto, para mim, foi quando ela estava por dar à luz Jackeline, e ainda assim pegou o carro e dirigiu sozinha para o hospital, sofrendo as dores do parto. Caramba, que mulher incrível! Sério mesmo, quando eu crescer, quero ser igual a ela.


Bom, chega de elogiar a Ruth por enquanto, vamos falar sobre a cultura africana representada no filme. Olha, se eu pudesse resumir a uma palavra o sentimento que eu tive ao conhecer mais desse povo, a palavra seria arrepios. Sério mesmo, eu cheguei a chorar de emoção! O que não é novidade, visto que aspectos culturais sempre acabam por tocar o meu coração. A música daquelas mulheres, o jeito como elas sentavam em roda com os filhos nos braços, a forma como construíam poços artesianos, tudo tão diferente do nosso mundo, e tudo tão belo! E tudo graças à direção impecável de Amma Asante, que tem na alma a poesia que transporta para as telas.


Aliás, não poderia deixar de falar, aqui nesta resenha, desta mulher incrível de quem eu já virei fã, mesmo tendo assistido a apenas um de seus filmes (por enquanto). Amma Asante é uma mulher britânica e negra, conhecida também por ter dirigido o filme Belle e Amor em Tempos de Ódio, duas obras históricas sobre personagens negras que encontram o amor em homens brancos. Podemos perceber, assim, o padrão do trabalho de Amma como diretora: ela procura, através da História, por momentos em que o amor uniu brancos e negros, de forma a mostrar para nós o que verdadeiramente importa. Sinceramente, não tem forma mais bela de se falar contra o preconceito.



Pra terminar esta resenha, quero comentar com vocês sobre o resto do elenco de Um Reino Unido, e o quanto ele me impressionou. Se você acha que reconheceu alguns rostos enquanto assistia ao filme, você está absolutamente certo! Afinal, qual cinéfilo aí não conhece o Tom Felton, o nosso eterno Draco Malfoy? E quem não lembra de Jack Davenport em Piratas do Caribe, atuando como comodoro Norrington? Pois é, galera… Amma Asante não joga para perder, não! Contratou um elenco de elite, que conta também com Laura Carmichael (Edith Crawley em Downton Abbey) e Charlotte Hope (Catherine of Aragon em The Spanish Princess), duas grandes atrizes por quem eu sou absolutamente apaixonada. Suas adições apenas abrilhantam uma obra que já é grande por nascença, tornando o filme imperdível para todos os amantes de históricos e romances!


E aí, gostou da resenha? O que achou do filme, ficou tão impressionado quanto eu? Comente aí abaixo se concorda com as minhas colocações, ou se achou que eu precisava ter abordado outros aspectos de Um Reino Unido ao longo do texto. Por agora, no entanto, eu deixo um beijo e um queijo a todos vocês, e uma vontade imensa de encontrá-los em várias outras resenhas. Até a próxima!