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  • Gisele Alvares Gonçalves

Visita Guiada a Camelot - Arthur e Merlin: Cavaleiros de Camelot

Olá, cavaleiros e donzelas deste reino, tudo bem com vocês? Sim, eu sei… Faz tempo que eu não escrevo uma resenha da série Visita Guiada a Camelot, mas estou aqui para me redimir com vocês! E o filme que sobre o qual vamos falar hoje tem muitos pontos altos, mas também tem certos detalhes de amador que acabaram matando a produção. E aí, curiosos para saber a nossa opinião sobre Arthur e Merlin: Cavaleiros de Camelot? Bora lá!


Vamos começar comentando sobre o título e o pôster do longa. É muito simples: se você for ver o filme apenas por estes elementos, esperando uma história empolgante sobre a relação entre Arthur e Merlin, e quer ver os dois em plena ação em uma guerra, enquanto Camelot pega fogo, esse não é o filme para você. Pois é, chocante, principalmente quando este é literalmente a imagem do pôster! O trailer, no entanto, faz muito mais jus ao filme, mostrando que a trama vai girar ao redor da traição de Mordred, tendo a Guinevere como um dos pivôs das desavenças entre pai e filho. Sinceramente, teria sido muito melhor se tivessem posto o nome do filme como A Reconquista de Camelot, ou algo assim, que fizesse jus à jornada de Arthur de volta ao trono.


Ah, você pensa que as reclamações terminaram? Pois você está redondamente enganado! Afinal, muitos personagens e elementos são jogados na trama sem aparente função nenhuma, e dão aquele gosto de plot não resolvida… Como o próprio Merlin, que está lá apenas para que o Arthur pare de chorar e vá fazer o que tem que fazer. Poxa, nem para aparecer no final do filme, com aquela carinha de orgulho por seu protegido ter conseguido completar sua jornada? Ainda assim, apesar de todos estes defeitos, este filme possui muitas (e muitas!) qualidades, que fizeram com que eu amasse o longa. Quer saber mais? Vem comigo!



Vou começar por aquilo que é mais óbvio, que é o ritmo mais lento da trama. Eu sei que estou na contramão da nova geração, mas eu não gosto de histórias que possuem uma evolução muito rápida, com pouco desenvolvimento de personagem e muita cena de ação. Aliás, eu durmo em cenas de ação. Eu gosto é dos diálogos, do aprofundamento das relações apresentadas na trama, das nuances psicológicas dos personagens! Bom, não vou dizer que Arthur e Merlin: Cavaleiros de Camelot seja o filme mais profundo que eu vi na minha vida, mas ele certamente é melhor neste quesito do que Rei Arthur: A Lenda da Espada, que só tem efeitos especiais e zero de roteiro.


É interessante como podemos acompanhar um Arthur que não sabe lidar bem com as responsabilidades, e por isto que abandonou o filho e o reino por tanto tempo. Por anos ele viveu pelo prazer, porém agora ele está tão depressivo que não possui mais nem prazeres. Isto fica muito claro quando a prostituta se desnuda na frente dele, e nem mesmo o sexo com uma bela mulher o estimula. Por isto que voltar a Camelot é tão penoso, e por isto que ter o peso do dever em suas costas parece uma tortura a ele. Arthur não tem mais motivos para viver, sua existência tornou-se vazia, e por isto ele não consegue ser um bom rei. Gostei muito dessa abordagem, e foi interessante ver como as situações que surgiam à frente do protagonista ajudavam-no, através da dor, a encarar suas responsabilidades. O Merlin está na trama com esta função, e também a personagem sem nome que foi contratada para matá-lo. Este filme veio para desmentir a visão que temos sobre o rei Arthur como um homem perfeito, o escolhido, e humanizou-o ao dar-lhe estes paradigmas existenciais.



Além da construção do personagem principal, também devo elogiar muito a escolha da trama, e a forma como ela foi construída. É interessante como os desafios surgem aos cavaleiros através de belas damas na floresta, imbuindo o roteiro com aquele gostinho de manuscrito medieval. Tudo é um mistério! A magia não é explicada, o mundo não é racionalizado, e isto lembra muito textos como Le Mort D’Arthur, do Thomas Malory, em que os personagens surgem do nada, apresentam um desafio para o cavaleiro, ou incitam-no em uma aventura, e depois somem da mesma forma como surgem, sem explicação. Para o público contemporâneo isto pode soar como um erro de roteiro, mas para quem está acostumado com os romances de cavalaria, essas escolhas do roteiristas dão um ar de nostalgia muito gostoso.


Também é interessante a fotografia do filme, que utilizou apenas a luz natural! Gente, eu fiquei muito feliz ao notar isto, e ao notar a customização do som do longa, que deixou tudo o mais real o possível, com o eco nos salões do castelo quando alguém fala, e sem aquele som artificial que todo mundo soca em duelos de espada. Em Arthur e Merlin: Cavaleiros de Camelot, o som do choque entre espadas é cem por cento natural, o que tira aquele glamour irritante de Hollywood e nos leva próximos de acreditar que realmente estamos na Idade Média, vivendo estas experiências com os personagens. Claro, às vezes o figurino ou a maquiagem acaba por quebrar a sensação, mas eu nunca havia conhecido um diretor que tivesse se preocupado mais com a questão da fidelidade à experiência do expectador.


Por fim, devo acrescentar que gostei demais de terem lidado com a nudez das atrizes de forma sutil, tendo ocultado o que é interessante ocultar, dando apenas a ver silhuetas contra a luz. Também a violência não é exacerbada, e aqueles que são mais sensíveis podem assistir ao longa sem medo, pois não terão nenhuma surpresa desagradável. Sim, estou cansada de ver sangue espirrando na tela, e ver uma trama mais suave foi uma bênção aos meus olhos. Espero, sinceramente, que possa encontrar mais filmes nesta vibe, e menos apelação como algumas produções épicas tanto apreciam! A titia Gisele agradece a colaboração.


E aí, o que você achou do longa? Gostou também de ver um filme com uma trama mais lenta e uma produção mais natural, menos glamourizada? Deixe aí nos comentários o que você pensa sobre o assunto, estou ansiosa para conversar com vocês! Enquanto isto, deixo um beijo e um queijo a todos, e uma vontade imensa de que possamos nos encontrar em outras resenhas por aqui. Até a próxima!