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  • Angers Moorse

What If...? - Episódio 1



Salve, salve, galera! Antes de iniciar a resenha, quero fazer uma pergunta: você já assistiu Dark, série de ficção científica da Netflix? Curte o estilo? Pois bem, se você curtiu a série e gosta de colocar os neurônios para funcionar, prepare para torrar eles de vez com as infinitas e multiversais possibilidades que a nova série da Marvel trará (e já trouxe)!


Após os sucessos de WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e Loki, agora é a vez de What If…? dar as caras no MCU. E ela já chegou arrombando a porta de entrada e mostrando a que veio. Há quem diga que foi um episódio morno, porém, discordo. Só a quantidade de possibilidades e teorias que uma pequena mudança trouxe já basta para pirar nossas cabeças.


A premissa da série é tão simples quanto seu nome: E Se…? E se T’Challa fosse o Senhor das estrelas? E se Tony Stark tivesse sido salvo por Killmonger antes de ter sido capturado em Homem de Ferro? E se Doutor Estranho fosse do mal? E se Steve Rogers não fosse o Capitão América?


De início, você pode dizer que não aconteceria muita coisa diferente. Mas, à medida que vamos nos aprofundando em todas as mudanças, percebemos que tudo o que conhecemos do MCU até agora poderia nem ter existido. Simples e complexa ao mesmo tempo, a ideia da série acerta muito em cheio em sua missão, que é a de nos levar a outra compreensão dos eventos que aconteceram até o final de Loki.


O fato de ser uma animação (e não um live-action) pode até soar estranho logo de cara, mas a fórmula e o formato funcionam bem demais aqui. Como a ideia inicial é mostrar o que poderia ter acontecido se pequenos detalhes nas histórias que já conhecemos sofressem alterações, o formato escolhido pela Marvel mostrou-se muito eficiente.


Diferente das outras séries, optei por mudar a forma de fazer as resenhas desta nova série. Assim, entrarei mais a fundo no comparativo entre as histórias que conhecemos e em como elas seriam com base nas alterações mostradas em cada episódio. Papel e caneta na mão? Então, sem mais delongas, vamos à treta!



A abertura do episódio já nos apresenta Uatu, o Vigia responsável por monitorar a Terra e o narrador da história. É ele quem faz uma breve apresentação sobre o Multiverso e conta um breve resumo da história de como Steve Rogers se torna o Capitão América.


Se você nunca ouviu falar desse personagem, ele foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em abril de 1963 e sua primeira aparição foi na HQ Fantastic Four Volume 1 #13, de abril de 1963. Uatu faz parte de uma raça extraterrestre e extremamente antiga chamada de Os Vigias, descendentes de Antiphon, um dos Deuses Primordiais, cujo propósito era monitorar a consonância cósmica.


A raça foi criada por Fulcrum, mesmo ser que criou os Celestiais (senti ligação da série com Os Eternos). Essa raça tem um voto de não-interferência nos acontecimentos do Universo, mas de vez em quando alguém acabava interferindo. Ah, se você lembra, eles já apareceram nas cenas pós-créditos de Guardiões da Galáxia Vol. 2, com direito a Stan Lee batendo um papo com Uatu.


No primeiro episódio, temos a pergunta: E se Peggy Carter fosse a Capitã Carter? Para começar a responder, precisamos ir até o filme Capitão América: O Primeiro Vingador. Logo de cara, uma pequena decisão de Peggy muda tudo o que conhecemos.


Se você lembra do filme, quando o cientista-chefe Abraham Erskine questiona a Peggy se ela não prefere observar a experiência de aplicação do soro de supersoldado em Steve na parte de cima do laboratório, ela aceita e vê Rogers recebendo o soro. Mas aqui, ao decidir ficar próxima ao local onde a experiência era realizada, ela causa toda uma cadeia de alterações.



No filme, um dos agentes infiltrados da HYDRA estoura uma bomba e mata Erskine logo após a experiência ser realizada com êxito. Na animação, ela opta ficar na parte de baixo, o agente também opta por ficar por perto e aciona a bomba antes da realização da experiência. Steve é baleado e Peggy decide assumir os riscos e receber o soro, tornando-se a Capitã Carter. E é a partir daí que as coisas começam a ficar interessantes.


Uma vez que Steve não se torna o Capitão América, Ele não é mais o Primeiro Vingador, mas sim, Peggy Carter. Com essa mudança, Steve e Bucky continuariam sendo sempre grandes amigos e Bucky não teria sido capturado pela HYDRA nem teria se tornado o Soldado Invernal, pois Peggy o salvou antes de receber a lavagem cerebral que apareceu no filme Capitão América: O Soldado Invernal.


Outra grande mudança é que Steve Rogers jamais teria sido um membro dos Vingadores e, consequentemente, nunca teria rivalizado com Tony Stark em Capitão América: Guerra Civil, que gerou o racha entre os Vingadores e facilitou a vitória de Thanos em Vingadores: Guerra Infinita.



Achou pouco? Tem mais! Tony Stark jamais teria forjado sua própria armadura e, quem sabe, jamais teria se tornado o Homem de Ferro, uma vez que seu pai, Howard Stark, é quem a fez usando o Tesseract (a Jóia do Espaço). Aliás, Steve acaba usando essa armadura pra lá de turbinada no episódio… ou seja, o cara está com uma armadura com poderes recebidos de uma Jóia do Infinito e poderia até assumir o manto de Homem de Ferro!


Outra mudança significativa é em relação aos propósitos do Caveira Vermelha (ou Johann Shmidt). Nos filmes, ele tenciona usar os poderes do Tesseract para dominar o mundo, mas a série dá outro propósito a ele. Ao recuperar o artefato e o utilizar em seu laboratório, cria um portal espacial que traz uma criatura bastante curiosa e até mesmo muito aguardada por fãs em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura: um polvo gigantesco, que poderia ser apenas uma referência a Shuma-Gorath… ou seria o próprio?


Por falar no vilão do Capitão América (ou da Capitã Carter), vamos mais a fundo nas mudanças que poderiam acontecer. Uma vez que o Caveira Vermelha morre para o próprio polvo, ele jamais teria sido capturado e transportado pela Jóia do Espaço até Vormir e, com isso, jamais seria o guardião da Jóia da Alma.


Não sendo o guardião da jóia, talvez o sacrifício que Thanos fez ao jogar a filha Gamora do penhasco jamais teria acontecido e ele jamais teria blipado metade das pessoas do universo. Ou ainda, outro sacrifício que talvez jamais teria acontecido é a Natasha Romanoff (Viúva Negra) dando sua vida para que Clint Barton (Gavião Arqueiro) pudesse ter a posse da Jóia da Alma e ajudar os Vingadores a derrotarem Thanos em Vingadores: Ultimato.



Seus neurônios já começaram a fritar? Vai marinando eles aí, porque ainda tem mais piração chegando. Supondo que os possíveis desdobramentos da inexistência do Capitão América possam ter afetado no surgimento de Tony Stark como Homem de Ferro, é possível pensar que a própria tecnologia das Indústrias Stark fosse afetada também. E mais, quem sabe nem a própria I.A. Jarvis existisse e, a partir dela, Ultron também não existiria.


E a coisa vai ainda mais fundo: não existindo Ultron, o irmão de Wanda não teria morrido em Vingadores: Era de Ultron e até mesmo a existência de Visão, seu grande amor, não teria acontecido, ele não teria morrido por duas vezes para Thanos e os acontecimentos de WandaVision também não teriam existido… piração total!


Mudando um pouco o foco agora, tivemos um turbilhão de referências aos filmes do MCU, principalmente aos do Capitão América. A primeira mudança é a substituição do Coronel Chester Phillips pelo Coronel John Flynn como antagonista de Peggy Carter. Em ambas as produções, ela sofreu preconceito dos militares pelo fato de ser mulher, mas na animação ela foi ainda mais contestada.


Boa parte das cenas do episódio ficaram praticamente iguais às dos filmes, incluindo aquela olhada por cima dos óculos de Howard Stark durante a experiência com o soro, a cena da invasão à base da HYDRA ao lado do Comando Selvagem e algumas frases e diálogos.


Outra similaridade entre filme e série é que o Coronel Chester Phillips morre praticamente da mesma forma, apenas com menos dramaticidade na série. Outra cena praticamente igual é a do saco de boxe, que acaba sendo acertado com violência tanto por Steve (no filme) quanto por Peggy (na série) e é arrancado e arremessado contra a parede. Aliás, até o ângulo em que o saco de areia voa é praticamente igual.


Uma referência bacana é a cena em que eles tentam se infiltrar no trem em movimento. Quando a Capitão Carter fala em Operação Desafio das Águias, o nome refere-se diretamente a um filme de guerra lançado em 1968, cuja trama também aborda a Segunda Guerra Mundial, também parte para o resgate de um soldado norte-americano preso pelos nazistas e que também está sendo mantido refém em um castelo.


Aliás, a cena do trem também trouxe outra lembrança. No primeiro filme do Capitão América, Bucky acaba caindo do trem enquanto salvava Steve. Na série, ele acaba sendo salvo por Peggy e solta a frase “Ai, você quase arrancou o meu braço!”, fazendo alusão à posterior captura dele pela HYDRA e a perda do braço após os acontecimentos do segundo filme do Cap.


Outra referência é sobre a armadura que Howard Stark acaba desenvolvendo, chamada de Esmagador Hidra. Isso meio que torna Steve o Homem de Ferro original, e não Tony Stark. Teve até a frase “Você sentiu minha falta?”, que Steve fala para Peggy, referência à mesma frase usada por Tony Stark para Natasha Romanoff no primeiro filme dos Vingadores.



Uma referência que frustrou alguns fãs foi a espada usada pela Capitã Carter para matar o polvo gigante. Por ela usar um uniforme semelhante ao do Capitão Britânia e que nas HQs ele porta a espada Excalibur, algumas pessoas esperavam que ela usasse a mesma espada, o que não aconteceu. Ela usa apenas uma espada comum, até onde sabemos… mas podemos estar sendo trollados pela Marvel… vai saber!?!


Lembram-se do final de Vingadores: Ultimato, quando Thor deixa Valquíria como Rainha de New Asgard? Então, é a mesma cidade na qual a nova cidade dos asgardianos está. Além disso, o local remete a experiências com radiações gama que, como bem sabemos, deu os poderes ao Hulk. Coincidência? Acho que não.


Mais uma referência das HQs é o número C-15 na armadura usada por Steve. O número é uma referência direta à HQ Captain America Comics # 15, de 1942 (ainda pela Timely Comics). Nela, temos a luta de Steve e Bucky contra os nazistas. Apenas uma curiosidade que descobri enquanto navegava nas pesquisas: na HQ Captain America # 15, de agosto de 1980, aparece pela primeira vez o personagem Holandês Voador.


Sua primeira aparição oficial foi na HQ Silver Surfer #8, em setembro de 1969, ambas as revistas já pela Marvel Comics. O interessante é que a alma de Joost Van Straaten estava condenada a passar a eternidade no limbo e é resgatada por (ninguém mais, ninguém menos que...) Mephisto, transformando Joost no Holandês Voador e dando a ele poderes suficientes para derrotar o Surfista Prateado que, como bem sabemos, tem ligação direta com Quarteto Fantástico, Doutor Destino e Galactus (não custa sonhar em algo assim no futuro do MCU, né?!?).



Antes que eu esqueça, apesar da empolgação dos fãs achando que aquele polvo é o Shuma-Gorath, há outra possibilidade para ele. Pode ser que o bicho seja, na realidade, um Flerken, que já apareceu disfarçado do gatinho Goose em Capitã Marvel e que foi responsável pelo olho a menos de Nick Fury (falaremos sobre ele daqui a pouquinho).


Finalizando, duas coisas me deixaram extremamente curioso. A primeira é que quando Peggy entra no portal criado pelo Caveira Vermelha usando o Tesseract, ela acaba indo parar em algum lugar muito parecido (se não for o mesmo) com o lugar do início de Vingadores, local no qual Loki aparece pela primeira vez.


O detalhe é que ela sai do portal naquele lugar com a espada na mão e vários pedaços do polvo cortados em volta dela (dá para ouvir os gritos do bicho de dentro do portal antes de eles saírem). O interessante é que ela vai parar em algum lugar… 70 aos depois do fim da Segunda Guerra Mundial e vê Nick Fury e o Gavião Arqueiro fazendo testes com o Tesseract. Por que diabos Nick Fury não a reconheceu, sendo que apenas Barton reconheceu Peggy Carter logo que a viu? Tem coisa aí.


O segundo mistério é que, pelo que todos sabemos, o Tesseract (ou Jóia do Espaço) tem o poder apenas de criar portais entre dimensões e através do espaço… nunca através do TEMPO! Assim, em teoria, Peggy Carter deveria ter ido para outro lugar dentro do mesmo período de tempo, não 70 anos à frente, concordam?


A não ser que ou o tempo passe diferente nas diferentes linhas temporais existentes (mais ou menos o que acontece no filme Interestelar) ou a jóia ganhou novos poderes e aquela é outra realidade muito diferente, na qual as próprias Jóias do Infinito são diferentes. Essa dúvida deu uma bugada no meu cérebro, tenho que admitir. Até agora, não consegui entender o que houve.


Resumo do episódio: muita ação, emoção, referências, visual impecável e Steve e Peggy devendo uma dança um ao outro. Aliás, a cena da despedida deles foi de cortar o coração. Para quem achava que o episódio foi morninho, ou viu com sono ou não viu direito… porque foi apenas a pontinha de um colossal iceberg que está se formando no MCU!


Perceberam como uma simples decisão de Peggy poderia ter mudado praticamente todo o MCU que conhecemos? Portanto, jamais subestime nenhum episódio da série, porque nada é por acaso em What If…?! Nos vemos na próxima resenha, recheada de conteúdo para você não perder nada sobre a série!